Volatilidade de demanda: como o supply chain pode superar?

03/11/2022

*Por Waldir Bertolino

O resultado do Produto Interno Bruto (PIB), que registrou alta de 1,2% no segundo trimestre deste ano, na comparação com os três primeiros meses de 2022, revela um sinal positivo apresentado pela economia brasileira, mesmo com os efeitos ainda recentes da pandemia e o conflito no Leste Europeu. Neste momento de retomada das atividades econômicas, as empresas se dedicam a reinventar suas operações logísticas para conseguir atender os anseios dos consumidores e, principalmente, responder com rapidez ao comportamento volátil de uma demanda que volta aos poucos a crescer.

Dados da Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (ABComm) mostram que o número de pedidos online deve ultrapassar 8,3 milhões e o e-commerce brasileiro deve movimentar R$ 6,05 bilhões durante a Black Friday, uma das datas mais importantes para o varejo. O valor representa um aumento de 3,5% na comparação com 2021.

Esses números revelam que teremos um comércio aquecido neste final de ano. Mas é preciso se atentar para as dificuldades atuais enfrentadas pela cadeia de suprimentos, especialmente pela elevação dos custos com transporte. Mas não é só isso. As operações ineficientes também são barreiras para lidar com as oscilações de consumo.

Maior visibilidade e planejamento otimizado

Existe uma pressão crescente para as companhias reduzirem seus custos. Mas como identificar gargalos da operação com uma visibilidade de processo limitada? E como aumentar a transparência dos dados se a gestão ainda depende de trabalho manual e planilhas de Excel? As chances de conseguir êxito neste contexto são mínimas.

Por isso, o investimento em novas tecnologias ajudam a dar maior transparência e melhorar a operação e são essenciais para elevar os índices de eficiência das empresas. Por exemplo, por meio de uma solução de gestão de supply chain é possível ter acesso imediato ao status de pedidos e maior capacidade de rastreabilidade de mercadorias, o que permite aos gestores se anteciparem aos problemas e interrupções nos serviços.

Nos armazéns, a tecnologia ajuda a otimizar o planejamento de suprimentos, determinando a quantidade de produto a ser armazenado, o espaço necessário para acomodar todos os itens e o número de operadores e turnos necessários para executar a operação. Todos esses fatores oferecem ganhos de previsibilidade e controle sobre todo o processo.

É hora de reposicionar as cadeias de suprimentos

Outra alternativa para responder às oscilações da demanda de forma ágil é as instalações de produção, distribuição e fornecedores mais próximos dos clientes. Os chamados mini hubs logísticos funcionam como pequenos armazéns urbanos que oferecem ao cliente a oportunidade de receber seu pedido em algumas horas, garantindo assim uma melhor experiência de compras para os consumidores.

Com essa medida, as áreas de backoffice das lojas serão integradas com o sistema logístico, formando uma estrutura que deve melhorar exponencialmente os índices de entrega de produtos, mesmo em períodos de grandes fluxos de pedidos, que já não são mais previsíveis. Com isso, é possível afirmar que em pouco tempo as empresas deverão adotar uma tática de “observar e responder”, enfatizando sempre ter respostas ágeis para ambientes voláteis ao invés de previsões de planejamento perfeitas e inconclusivas.

Os modelos tradicionais de logística não são mais adequados às exigências de negócios complexos e, por isso, as organizações precisam reposicionar suas marcas e modernizar seus processos caso o objetivo seja se manter competitivas no mercado.  O desafio é grande, mas a hora de começar a mudança é agora.

*Waldir Bertolino é Country Manager da Infor

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