Brasil conectado: a onda digital chega às estradas

02/10/2020

*Por Carlos Mira

O Brasil conta hoje com mais de 3,5 milhões de motoristas de caminhões que são responsáveis por literalmente movimentar um setor que representa – na economia nacional, mais de 100 bilhões de dólares por ano. Os números não me deixam mentir sobre o quanto esse setor faz parte do PIB brasileiro. Hoje, o modal rodoviário é responsável por mais de 65% de toda a carga transportada no país.

Diante desse tamanho, é inegável que a logística é um setor que guarda seus desafios. Garantir estoques abastecidos com perfeita circulação das mercadorias, carregamentos e entregas exige planejamento, organização e um rígido controle virtual. Parte importante dessa tarefa se dá pela comunicação efetiva entre indústria, comércio, transportadoras e os caminhoneiros nas estradas.

Já temos hoje produtos e serviços que estão presente digitalmente nas rodovias, mas ainda de maneira tímida e incipiente. O verdadeiro tsunami digital vai invadir as estradas brasileiras em breve, assim como o delivery se apossou dos centros urbanos com a chegada da entrega last-mile de comida e de compras em supermercados. O próximo passo é, de fato, o abastecimento do setor rodoviário por sites que as atendam. Contudo, algumas empresas ainda cometem o erro de acreditar que os caminhoneiros não têm acesso à tecnologia e que não são conectados – inclusive, este foi o segmento que escolhi para empreender após 35 anos de carreira na transportadora da família. Hoje temos diversas tecnologias que fazem parte do dia-a-dia destes executivos nas autopistas, como os aplicativos que os conectam com sua próxima carga e os meios de pagamento digital de fretes.

Trazendo a discussão especificamente para o contato entre a indústria fornecedora de peças e serviços e os caminhoneiros – já super conectados – fica claro que estes profissionais não têm todas as suas necessidades percebidas e atendidas durante suas longas viagens. Os heróicos consumidores das estradas, heavy users de pedágios, diesel, peças, borracharias e todo o ecossistema que move o setor de transporte ainda não foram alvos digitais dos fornecedores que abastecem as estradas brasileiras.

Os consumidores viajantes que têm seus interesses específicos, gostos peculiares e fazem parte de um dos mais lucrativos mercados consumidores aqui no Brasil seguem despercebidos e a indústria persiste com estratégias falhas para chegar até eles.

O que leva a isso? O grande preconceito de que os caminhoneiros são alienados no mundo. O que muitos não perceberam ainda é que eles também se transformaram e evoluíram digitalmente e quem ficou para trás foram seus fornecedores e produtos e serviços. São estes provedores que precisam melhorar sua estratégia de comunicação, se adaptando e implementando soluções digitais atualizadas para um relacionamento interativo e customizado com este admirável grupo de consumidores.

Esta foi uma das soluções implantadas pelo TruckPad Pay, carteira digital voltada para o público caminhoneiro que facilita, digitalmente, o pagamento e acesso a uma série de serviços e produtos nas estradas. Além disso, a forma como as empresas de transportes fazem o pagamento do frete para seus motoristas também é bastante conveniente.

O sucesso desta carteira digital recém lançada é a prova de que os caminhoneiros demandam serviços pensados neles e que aderem, sem hesitar, às inovações para o seu dia-dia. E é nesta onda digital, que varre o analógico das estradas, que a indústria poderia surfar para se conectar de maneira customizada com seu público. Os caminhoneiros já se atualizaram tecnologicamente e estão consumindo intensamente seus pacotes de dados nas autopistas. Agora é a hora de seus provedores de produtos e serviços também acelerarem nesta estrada virtual.

*Carlos Mira é fundador e CEO do TruckPad, maior plataforma de conexão entre caminhoneiros e cargas da América Latina, e tem 35 anos de experiência no setor de logística. Foi presidente da ASLOG – Associação Brasileira de Logística e eleito “Personalidade do Transporte do Ano” pela Confederação Nacional do Transporte (CNT). É autor do livro “Logística, o Último Rincão do Marketing”.

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