Logística: o lado nada virtual do e-commerce

23/06/2013

Toda vez que visito um centro de logística de e-commerce, a primeira coisa que me vem a cabeça é: esse negócio não tem nada de virtual. Um dos principais fatores para o sucesso de uma loja online está ligado ao processo de armazenagem, expedição e entrega dos produtos. Em uma cadeia de varejo convencional, os clientes são os responsáveis em transportar o produto para suas residências. Aqui, estou excluindo os varejistas do setor de eletrodomésticos pesados e móveis, que já conviviam com o desafio da entrega mesmo antes do advento do comércio eletrônico. Ainda assim, tratava-se de entregas regionalizadas.
 
O surgimento do e-commerce mudou o relacionamento entre clientes e varejistas. A logística do período “pré e-commerce” tinha como desafio abastecer lojas físicas próprias ou franquias. Um processo bem diferente de separar, embalar, expedir e entregar um único produto para um cliente que pode estar localizado a milhares de quilômetros do Centro de Distribuição ou loja física mais próxima.
 
Em função desse novo cenário, decisões como locais de armazenamento, estoque independente para o e-commerce, estoque compartilhado com lojas físicas, ou uma combinação de todos eles estão entre as decisões estratégicas dos Varejistas.
 
Embora grande parte desta mudança difira de uma empresa para outra, o problema é semelhante para a maioria delas. Não só isso, mas a necessidade de visibilidade sobre todo o processo do chamado multicanal.
 
Algumas lojas virtuais ainda buscam o modelo ideal de logística dentro dos seus estoques. Adoção de Softwares de backoffice, criação ou revisão dos processos, utilização de estantes e esteiras apropriadas, armazenamento eficiente, capacitação das pessoas, etc. Outras, consideram deixar toda a responsabilidade de recebimento, armazenamento e expedição de seus produtos com uma empresa especializada. Essa pode ser uma boa alternativa, pois uma equipe treinada e experiente organizará, da melhor maneira, toda a logística de sua loja.
 
Além disso, há um crescente uso de automação dentro de tais instalações. A utilização da robótica também tende a aumentar nestes Centros de Distribuição especializados. O maior exemplo desse tipo de empresa é a norte-americana Kiva Systems, que foi adquirida recentemente pela Amazon.
 
A verdade é que ao ingressar no e-commerce, os varejistas passam a ter em logística um componente novo no seu custo, que orbita entre 9 % e 12% sobre o valor das vendas. Portanto, o tema é extremamente importante. Não só pela satisfação da expectativa dos e-consumidores no que tange uma entrega rápida e pontual, mas também pela rentabilidade das operações de comercio eletrônico.
 
A boa notícia é que o e-commerce tem estimulado não só novos conceitos e ideias dentro da cadeia de suprimentos, mas também novas empresas estão surgindo para enfrentar os desafios logísticos decorrentes da ascensão do varejo online.

Vinicius Pessin – CEO da e-Smart, empresa provedora de soluções para e-commerce.
 

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