Interior: de locomotiva a trem bala da economia paulista

07/04/2013

O apelido dado ao interior do Estado de São Paulo nunca esteve tão correto. O forte desempenho econômico da região e a crescente descentralização das riquezas do Estado estão fazendo a “economia caipira”, que até poucos anos se concentrava no forte setor do agronegócio, se tornar cada vez mais foco de investimento, atraindo empresas e pessoas, a ponto de o interior responder hoje por quase 50% do Produto Interno Bruto (PIB) do Estado, cerca de 15% do PIB brasileiro, e tomar recentemente da Região Metropolitana de São Paulo (RMSP) o posto de maior mercado consumidor do País.

Ao mesmo tempo em que não perdeu sua vocação para o agronegócio, o interior paulista tem atraído outros setores produtivos da economia. Grandes montadoras, empresas de tecnologia e a expansão de importantes universidades como Unesp, Unicamp, USP, ITA e UFSCar, entre outras, têm transformado a região num imenso polo de conhecimento, responsável por um quarto de toda produção a científica nacional.

Muitas empresas de outros estados e da própria Capital têm procurado o interior em busca de redução de custos, espaço físico para crescer e um sistema logístico que favoreça o escoamento da produção. Grandes empresas já desistiram de se instalar nos arredores da Capital e levaram suas fábricas – junto com seus empregos e toda sua cadeia produtiva – para cidades como Piracicaba, Sorocaba, Campinas, Jundiaí, Ribeirão Preto, entre muitas outras.

Essa “fuga” da RMSP está cada vez mais evidente e não se restringe apenas às empresas. Segundo um levantamento da Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade), a RMSP perdeu 30,3 mil pessoas por ano, na última década. Na Capital, a situação é semelhante: 32,8 mil migrantes a menos no mesmo período. Enquanto isso, municípios do interior passaram a receber um fluxo maior de indivíduos.

A expansão do desenvolvimento econômico do interior tem sido acompanhada, também, pelo crescimento da oferta de crédito de longo prazo. Em 2012, as prefeituras e empresas localizadas em municípios fora da RMSP foram responsáveis por 70% dos R$ 403 milhões financiados pela Desenvolve SP – Agência de Desenvolvimento Paulista, instituição financeira do Governo do Estado de São Paulo criada para fomentar o crescimento da economia paulista por meio das linhas de crédito sustentáveis. Em 2011, essa proporção era de 59% para o interior e 41% para a RMSP.

Este salto de desenvolvimento só é possível graças às políticas públicas do governo estadual, que vêm impulsionando o crescimento econômico do Estado, gerando grande número de empregos e renda, e a consequente procura dos trabalhadores por uma melhor qualidade de vida.

Incentivar o desenvolvimento, fomentar o empreendedorismo e o crescimento das pequenas e médias empresas são os objetivos da Desenvolve SP. Se mantivermos esta trajetória, o interior de São Paulo não será só a locomotiva do Estado, mas de todo o país.


Milton Luiz de Melo Santos – economista e presidente da Desenvolve SP – Agência de Desenvolvimento Paulista.

Compartilhe:
Gestão de Fretes: Ciência e Resiliência — O novo e-book de Adriana Bueno
Guia Salarial 2027 da Michael Page: o paradoxo da inteligência artificial e os salários no setor de supply chain
Reality show de caminhoneiros “Master Driver Brasil” chega à final com mais de 135 milhões de visualizações
Hidrovias do Brasil lança 6ª edição do Programa Aceleraê com certificação inédita em Classificação de Grãos no Pará
Scania apresenta novas soluções para coleta de resíduos e flexibilidade de eixos na Fenatran 2026
Black Friday já movimenta logística internacional com previsão de 55 milhões de pacotes até dezembro

As mais lidas

01

Loja do Mecânico expande entrega expressa para produtos de médio e grande porte

02

CMA CGM e HappyRobot expandem solução global de inteligência artificial por voz para o setor logístico

03

Consórcio investe em novos berços para ampliar eficiência na movimentação de granéis líquidos no Porto de Santos