Um tripé com quatro pés

17/03/2013

Após vários anos atuando no mercado de empilhadeiras, e com sólida formação em serviços autorizados e alternativos, tenho observado que a dificuldade na obtenção de mão de obra para assistência técnica vem aumentando consideravelmente nestes últimos anos. Se isto já é um problema para os serviços autorizados, para os nãos autorizados é um desastre.

Destaco três aspectos que a meu ver vêm contribuindo para esta falta de mão de obra técnica necessária para a manutenção das empilhadeiras e, principalmente, para manter o máximo possível as originalidades das tecnologias embarcadas nas empilhadeiras.

Temos uma cadeia composta basicamente de três pontas: Fabricante, Locadores(autorizados dos fabricantes) e Operadores Logísticos.

A cada ano, os fabricantes de empilhadeiras têm a preocupação constante de cada vez mais atender às novas necessidades dos Operadores Logísticos, agregando sempre um novo acessório na empilhadeira voltado exclusivamente aos que necessitam de mais de eficiência, tornando-os competitivos através de uma operação enxuta, rápida, com qualidade e, principalmente,oferecendo valores acessíveis e competitivos ao seu cliente final.

O quarto pé do tripé é originado pela existência vasta de vários locadores “alternativos”, ou seja, que não têm bandeira, não são distribuidores, não são serviços autorizados, não têm acesso às tecnologias das empilhadeiras na fonte,não podem comprar peças diretamente dos fabricantes, não podem treinar seus técnicos no fabricante, etc.,etc… portanto, carentes do acesso pleno às tecnologias embarcadas nas empilhadeiras e sempre com o quadro de funcionários com vagas abertas no setor de assistência técnica, o que torna comum e sabida a utilização “por favor”, “por fora” de técnico de autorizadas, tendo como resultado a não padronização e qualidade técnica no atendimento, podendo até ocorrer a descaracterização técnica e funcional da empilhadeira, o que é péssimo para o fabricante, locatário e também para o proprietário da empilhadeira.

Creio que tal “vício” ocorre principalmente pela dificuldade que os locadores “alternativos” têm em se relacionar com os fabricantes, mais precisamente com os fabricantes de empilhadeiras elétricas. Devemos considerar neste contrassenso, o locador “alternativo” poder comprar a empilhadeira diretamente dos fabricantes através de seus representantes, porém sem ter acesso ao treinamento no fabricante, que é ministrado com exclusividade aos distribuidores autorizados, o que evidencia e comprova a origem do mencionado quarto pé do tripé.

Se o serviço autorizado com os benefícios que a bandeira lhe traz tem dificuldade em manter o quadro técnico, com funcionários especializados, suficientes e capazes de assimilar os novos conteúdos tecnológicos embarcados nas empilhadeiras através dos eficientes treinamentos oferecidos a eles pelo fabricante, esse quadro nos leva a analisar o quanto é problemático o atendimento técnico ao cliente do locador “alternativo”, sem bandeira, portanto sem acesso às tecnologias embarcadas nas empilhadeiras, sem treinamento no fabricante e sem poder comprar as peças no fabricante, mesmo este tendo lhe vendido a empilhadeira, na quantidade e modelo que for necessário.

O exposto gera outro problema.Enquanto grandes locadores atendem os grandes locatários e até dão preferência a estes, por motivos óbvios, os locadores “alternativos” se esforçam ao máximo em obter uma estrutura técnica, mesmo que mínima, para um atendimento aceitável ao seu cliente locatário de uma, duas, três empilhadeiras. Considerando todas as dificuldades mencionadas e apesar deste memorável e necessário esforço, às vezes o atendimento técnico na empilhadeira locada fica muito longe das expectativas e necessidades do cliente.

Fica o locatário de uma, duas, três empilhadeiras de certa forma dependentes dos locadores “alternativos”.Há de se considerar também a concorrência acirrada, em alguns casos corpo a corpo entre os locadores “alternativos” pequenos, que em nome de um “bom atender” lançam mão de todos os recursos possíveis e imagináveis, e principalmente os imagináveis sempre tendo como objetivo manter sua empilhadeira locada, funcionando e deixando o cliente satisfeito, contente e, se possível, mantendo o máximo de originalidade na empilhadeira.

Também considera parte desse cenário as dificuldades que os grandes locadores enfrentam para atender os locatários de uma, duas, três empilhadeiras, pois sua estrutura e seus custos operacionais são maiores, o que dificulta locar uma, duas três empilhadeiras, tendo como parâmetro os valores e as condições praticadas pelos locadores “alternativos” pequenos e sem bandeira. Provavelmente, em um futuro bem próximo, grandes locadores terão filiais pequenas com custos menores, basicamente para atender estes locatários de uma, duas, trêsempilhadeiras.

A estrutura organizacional do grande locador tem seu custo basicamente centrado na assistência técnica e no corpo técnico operacional, sendo que os técnicos são constantemente treinados nas próprias fabricas de empilhadeiras. Este treinamento constante faz-se necessário para que os técnicos mantenham-se atualizados e com domínio nas novas tecnologias que são constantemente implantadas pelos fabricantes em suas empilhadeiras. Existe também uma grande rotatividade de mão de obra no setor de locação, tanto no pequeno como no grande.

Esta situação, por si só, já justifica os custos elevados atribuídos a um serviço autorizado, daí seria saudável se surgissem algumas parcerias entre o grande locador com uma grande e importante bandeira com o pequeno locador com uma grande criatividade e vida de sete fôlegos, antes de se pensar na filial pequena.

Um abraço a todos.

Valentim Maia – Especialista em manutenção, com foco em assistência técnica de empilhadeiras.valentimmaia@hotmail.com

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