O que esperar de 2012

06/02/2012

 

Num cenário de estagnação mundial, o que se pode esperar de 2012 para a economia brasileira é uma expansão mais modesta em relação a 2011. Mas isso não significa que hão de vir por aí tempos difíceis, desde que o governo saiba manter sob controle os gastos públicos, o que, num ano de eleições municipais, não deixa de ser uma ação hercúlea.

Seja como for, se a expansão da economia em 2012 ficar no nível da de 2011, já será um bom desiderato, levando-se em conta as dificuldades externas. Mas não se pode esquecer também que as dificuldades internas não são poucas e podem igualmente agravar esse quadro.

No cenário externo, as incertezas são muitas e deixam as perspectivas da balança comercial numa zona cinzenta e sujeita a turbulências. Em 2011, bem ou mal, o saldo da balança foi de US$ 29,8 bilhões, o que significou uma alta de 45% em relação ao ano anterior. Poucos países puderam comemorar feito semelhante, resultado de um avanço de 26,8% nas exportações (US$ 256 bilhões) contra 24,5% nas importações (US$ 226 bilhões).

 

Visto assim do alto, não haveria muito do que se queixar. A questão é que esses números escondem uma preocupante dependência em relação às exportações de matérias-primas. É de ressaltar que, em razão da elevação das cotações ao redor de 25%, a exportação de produtos básicos chegou a 64% ao final de 2011. Responsável por isso foi a China, principal parceiro comercial do País, que ficou com 17% de nossas exportações. Desse total, quase 90% compreenderam vendas de minério de ferro e soja.

Em contrapartida, as exportações de produtos industrializados ocuparam apenas 22% do total. Esse número só tenderá a diminuir se não houver uma reação no sentido de ampliar a participação da indústria. O governo tem se mostrado preocupado com essa tendência, prometendo anunciar ainda no primeiro trimestre do ano uma série de medidas para estimular o exportador.

Entre essas medidas, estão o aperfeiçoamento de mecanismos de financiamento, inclusive para pequenas empresas, e a simplificação do draw-back, sistema que desonera os exportadores que compram insumos no Brasil ou no exterior a fim de produzir bens para exportação. Além disso, o Ministério do Desenvolvimento da Indústria e Comércio Exterior (MDIC) tem defendido a ampliação do Proex-equalização para 100% do valor exportado, enquanto o Ministério da Fazenda vem mostrando resistência. Hoje, o limite é de 85%.

Como para 2012 se prevê uma reversão nos preços dos produtos básicos na economia mundial, tudo o que for possível para estimular a exportação de manufaturados será bem-vindo.

 

Milton Lourenço – presidente da Fiorde Logística Internacional e diretor do Sindicato dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística do Estado de São Paulo (Sindicomis) e da Associação Nacional dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística (ACTC). fiorde@fiorde.com.br 

Compartilhe:
CMA CGM anuncia aquisição da FedEx Supply Chain por US$ 1,4 bilhão para ampliar logística na América do Norte
CMA CGM anuncia aquisição da FedEx Supply Chain por US$ 1,4 bilhão para ampliar logística na América do Norte
Falta de motoristas cresce e preocupa operadores do transporte rodoviário, inclusive fora do Brasil, aponta relatório da IRU
Falta de motoristas cresce e preocupa operadores do transporte rodoviário, inclusive fora do Brasil, aponta relatório da IRU
Cedro investe em sistema avançado de transporte de minério de ferro para substituir o trânsito de carretas em Mariana, MG
Cedro investe em sistema avançado de transporte de minério de ferro para substituir o trânsito de carretas em Mariana, MG
Myriota lança rede híbrida de IoT via satélite e celular com 5G, oferecendo conectividade global contínua
Myriota lança rede híbrida de IoT via satélite e celular com 5G, oferecendo conectividade global contínua
Ever Express adquire 11 caminhões Actros da Mercedes-Benz para transporte e logística ao comércio exterior
Ever Express adquire 11 caminhões Actros da Mercedes-Benz para transporte e logística ao comércio exterior
Sistemas de gestão de frotas na América Latina devem chegar a 20,6 milhões de unidades até 2030, aponta estudo da Berg Insight
Sistemas de gestão de frotas na América Latina devem chegar a 20,6 milhões de unidades até 2030, aponta estudo da Berg Insight

As mais lidas

01

Expansão da cabotagem e retroáreas logísticas depende de capital fora dos navios, aponta FLG
Expansão da cabotagem e retroáreas logísticas depende de capital fora dos navios, aponta FLG

02

Intelipost amplia plataforma de inteligência logística com soluções para operação omnichannel 
Intelipost amplia plataforma de inteligência logística com soluções para operação omnichannel 

03

Frota elétrica da FedEx no Brasil cresce com 17 veículos e reforça logística sustentável
Frota elétrica da FedEx no Brasil cresce com 17 veículos e reforça logística sustentável