Esgotou o rodoviarismo

08/02/2010

O prático esgotamento do modelo rodoviário brasileiro se comprova pelo tempo extra de viagem, em comparação à fluidez de poucos anos atrás. A duração das viagens urbanas, praticamente dobrou a triplicou. Não nos irritávamos tanto na avenida. Em deslocamentos entre cidades, o fato comum era pé no acelerador, ponteiro de velocidade que parecia colado na altura dos 100 km por hora. Atualmente, deparamo-nos com fileiras de caminhões a baixa velocidade. Não raro, em ambas as faixas da pista dupla. Ficamos na dúvida se existe no Código de Trânsito Brasileiro (CTB) qualquer exigência de velocidade mínima quando se está na faixa da esquerda de pista dupla.

A imagem de filas e mais filas de caminhões parece estar a clamar pelo que realmente falta no Brasil dos transportes: mais recursos para fazer renascer a ferrovia. E ferrovia é para carga, principalmente. Linhas para trens de alta velocidade são inimigas do trem de carga. Lento, mas eficaz. Lento, mas passível de liberar espaço nas rodovias e de nos devolver a liberdade de ir e vir no território brasileiro.

Ferrovia convencional libera rodovias do excesso de carga, aumentado sua capacidade para o tráfego de automóveis e ônibus. Este modelo é mais democrático do que trem de alta velocidade, inimigo de composição de carga. Ferrovia convencional é amiga de trens de carga e de passageiros. Devolve a liberdade ao motorista porque tira carga da rodovia.

Qual é o problema? Simples. Esgotou o modelo de transporte brasileiro que colocou no altar o rodoviarismo. Qual é a solução? Um modelo multimodal, no qual o transporte, de passageiros e cargas, seja efetuado por veículos e vias, segundo hierarquia de tipo, distância, volume e valor. Para passageiros urbanos, ônibus em vias exclusivas, bicicleta e o andar a pé. Nas metrópoles, metrô e veículo leve sobre trilhos (VLT) a complementar este modelo. VLT, ainda presente na memória de grisalhos brasileiros, na forma do bonde. Trafega até hoje em antigas linhas urbanas, como em Lisboa e Bruxelas, com silenciosos e confortáveis novos veículos.

Para tráfego entre cidades, rodovias desafogadas do excesso de caminhões, cuja carga se transporta por ferrovias convencionais. Desonerando rodovias do tráfego pesado de caminhões, o pavimento dura mais. Automóveis não causam dano estrutural ao pavimento. Ônibus? Poucos danos causam. Há dúvida nisto? Automóveis pagam meia no pedágio, porque não consomem pavimento. E onde os motoristas de caminhão trabalham? Na ferrovia, é a resposta. Experimentam horário regular. Não buscam desesperados artifícios para não dormir, porque não têm mais nota fiscal com horário carimbado. Jornada de trabalho humana e com menos riscos.

Para completar este modelo, transporte fluvial e marítimo. Marítimo, com fomento a portos de profundidade maior e custo operacional menor. Fluvial, com visão auto-sustentável e de recursos múltiplos, aplicada a bacias como a do rio Amazonas ou do rio São Francisco, que não pode prescindir de qualquer metro cúbico de água em projetos duvidosos de transposição, evitando que processos de assoreamento sepultem sua memória, ícone da cultura nordestina.


Creso de Franco Peixoto – engenheiro civil, mestre em Transportes e professor do Curso de Engenharia Civil do Centro Universitário da FEI (Fundação Educacional Inaciana)
msdiogo@companhiadeimprensa.com.br

Compartilhe:
Acordo para desenvolvimento de células de combustível pode incluir Toyota em joint venture com Volvo e Daimler Truck
Acordo para desenvolvimento de células de combustível pode incluir Toyota em joint venture com Volvo e Daimler Truck
Expansão do programa logístico da Amazon permitirá pagar mais de R$ 300 milhões ao ano para PMES que entregarem pacotes nas suas comunidades 
Expansão logística da Amazon pode gerar R$ 300 milhões ao ano para PMEs 
Licença ambiental viabiliza nova ligação Anchieta-Imigrantes com foco no transporte de cargas
Licença ambiental viabiliza nova ligação Anchieta-Imigrantes com foco no transporte de cargas
Correios ampliam credenciamento para Pontos de Coleta na Grande São Paulo
Correios ampliam credenciamento para novos Pontos de Coleta na Grande São Paulo
Shopee lidera em volume de compras, enquanto Mercado Livre concentra maior gasto e fidelidade do consumidor, segundo estudo da klavi
Shopee lidera em volume, e Mercado Livre se destaca em gasto e fidelidade, segundo estudo da klavi
Uso de inteligência artificial logística acelera em até 95% a qualificação de leads na Total Express
Uso de inteligência artificial logística acelera em até 95% a qualificação de leads na Total Express

As mais lidas

01

Movimentações executivas agitam logística, Supply Chain e real estate no Brasil. Fique por Dentro
Movimentações executivas agitam logística, Supply Chain e real estate no Brasil. Fique por Dentro

02

Nova face do Operador Logístico exige tecnologia, integração e papel estratégico na cadeia de suprimentos
Nova face do Operador Logístico exige tecnologia, integração e papel estratégico na cadeia de suprimentos

03

Logweb: duas décadas de jornalismo especializado que acompanham e impulsionam a logística brasileira
Logweb: duas décadas de jornalismo especializado que acompanham e impulsionam a logística brasileira