Os desafios do distribuidor no transporte de medicamentos

19/04/2010

 

Antes de chegar às prateleiras das farmácias e drogarias, os medicamentos percorrem um supervisionado caminho. São adotados rígidos cuidados para que as propriedades dos produtos sejam mantidas e eles cheguem ao consumidor com as mesmas características que tinham quando saíram das indústrias. A tarefa de operar todo este trajeto e atentar-se para as particularidades da carga é responsabilidade das distribuidoras de medicamentos. Aliás, uma grande responsabilidade.

Percorrer um país continental com a maior extensão territorial da América do Sul (8,5 mil km²), com a finalidade de abastecer mais de 60 mil postos de venda, é um verdadeiro desafio. Somado a estes números, acrescente-se o fato de que medicamentos são produtos que exigem grandes cuidados no seu armazenamento e transporte. Tudo isso torna a atividade atacadista farmacêutica desenvolvida no Brasil mais uma missão do que um negócio, dadas as suas particularidades.

O transporte de medicamentos exige por parte das distribuidoras absoluta atenção, pois qualquer procedimento inadequado significará risco para a saúde do consumidor final. O monitoramento que visa à integridade dos remédios durante seu processo de distribuição é pautado nas Boas Práticas de Transporte de Medicamentos, da ANVISA – Agência Nacional de Vigilância Sanitária. São estas práticas que asseguram as condições adequadas de transporte, armazenamento e movimentação das cargas. As distribuidoras devem seguir rigorosamente as diretrizes que asseguram a qualidade do produto, pois têm a obrigação de garantir que os produtos farmacêuticos, farmoquímicos e até cosméticos não sofram nenhuma alteração em sua estrutura durante a armazenagem e o transporte.

São vários os fatores a serem observados no trajeto entre indústria e varejo. A embalagem do remédio, a forma de acondicionamento, o meio de transporte a ser utilizado e as condições que este oferece, a quantidade a ser transportada, a distância a ser percorrida e a duração do trajeto, tudo isso demanda uma logística extremamente eficiente e profissional. Deve ser observada também a qualidade do acondicionamento dos produtos nas distribuidoras, que poderão usar isolantes térmico-acústico-impermeabilizante, especial para telhados e coberturas.

De todos os fatores mencionados, podemos considerar a temperatura um dos aspectos mais relevantes. Armazenar um medicamento em temperatura errada pode resultar em risco à saúde do usuário. O importante é atentar-se para as recomendações feitas na embalagem do remédio. Há medicamentos que necessitam de refrigeração e por isso devem ser transportados em embalagens adequadas para que não haja risco da temperatura oscilar e afetar o medicamento.

É exigido que haja um profissional farmacêutico para avaliar todo o fluxo percorrido pelo medicamento. Este profissional checará se todas as condições estão corretas para a armazenagem e o transporte da carga. Ele também deve estar nos postos de venda para receber a carga quando a mesma chega às farmácias e poder assim avaliar as condições dos medicamentos.

Se levarmos em conta as dificuldades da malha viária brasileira diante da dimensão do território nacional e as rigorosas normas de armazenamento e transporte das cargas farmacêuticas, fica claro o porquê de classificar a distribuição de medicamentos como uma missão desafiadora.

Ser um elo entre a indústria farmacêutica e a população brasileira é um papel de extrema responsabilidade. Em um país socialmente injusto, onde o acesso aos remédios esbarra no fator renda, as distribuidoras do setor cumprem uma função primordial: ser o agente facilitador que leva os medicamentos diariamente aos rincões mais distantes do Brasil.

A distribuição de medicamentos é frequentemente atingida por problemas como o roubo de cargas, falta de qualidade e segurança das estradas, margem operacional extremamente reduzida, prazos engessados, além do alto custo pela quilometragem rodada. Para contornar estes obstáculos, a distribuição farmacêutica vem trabalhando para a consolidação de parcerias em benefício do setor, além de conduzir o relacionamento com órgãos governamentais e outras entidades. Pensando sempre em garantir cada vez mais segurança e qualificação de sua atividade, proporcionando segurança ao consumidor.

Luiz Fernando Buainain – presidente da Abafarma – Associação Brasileira do Atacado Farmacêutico
carolina@scritta.com.br

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