Mesmo diante de um cenário internacional marcado por tensões geopolíticas e conflitos no Oriente Médio, a Zona Franca de Manaus segue apresentando desempenho positivo em 2026. Dados do Painel da Economia Amazonense (PEA) apontam crescimento das importações do Polo Industrial de Manaus (PIM), indicando manutenção da atividade industrial e continuidade dos investimentos na região.
Segundo o levantamento, as importações do PIM cresceram 5,7% no primeiro trimestre deste ano em comparação com o mesmo período de 2025. Apenas em março, as compras internacionais somaram US$ 1,3 bilhão, resultado 2,8% superior ao registrado em fevereiro e 10% acima do volume contabilizado em março do ano passado.
O avanço das importações reforça um cenário de estabilidade para a indústria instalada no Amazonas, mesmo em meio às incertezas do mercado global. Além disso, o desempenho acompanha o forte ritmo observado em 2025, considerado um dos melhores anos recentes para o polo industrial.
“Os dados mostram que o Polo Industrial de Manaus continua operando com robustez, mesmo diante das incertezas internacionais. Até o momento, não há impacto relevante dos conflitos no Oriente Médio sobre as nossas importações, o que reforça a solidez da cadeia produtiva instalada no Amazonas”, explica André Ricardo Costa, coordenador de Indicadores do CIEAM.

Importações impulsionam produção
O crescimento das importações está diretamente ligado à ampliação da produção industrial em setores considerados estratégicos para o estado. Entre os segmentos com maior destaque aparecem os de eletroeletrônicos, bens de informática, mecânico, químico e termoplástico.
No setor de Eletroeletrônicos e Bens de Informática, houve aumento relevante na importação de módulos de cristal líquido e processadores, movimento associado ao fortalecimento da produção de televisores e à retomada das placas de circuito impresso (PCI). Já o setor mecânico registrou expansão impulsionada pela maior entrada de placas-mãe.
Além disso, o segmento termoplástico apresentou crescimento nas importações de polipropileno sem carga, enquanto o setor químico ampliou as compras de paládio. Segundo o CIEAM, esses indicadores refletem uma preparação da indústria para sustentar a expansão produtiva ao longo de 2026.
“O crescimento das importações está diretamente ligado à preparação da indústria para ampliar a produção. Vemos sinais claros de retomada e fortalecimento, especialmente nos segmentos de tecnologia e bens duráveis”, acrescenta Costa.
Outro ponto observado é que setores como eletrônicos, duas rodas, químico e termoplástico seguem mantendo níveis consistentes de faturamento neste início de ano, reforçando a perspectiva de continuidade do crescimento industrial na região.
Apesar das preocupações relacionadas aos impactos logísticos globais e ao aumento de custos internacionais, o levantamento mostra que a cadeia produtiva da Zona Franca de Manaus ainda não registra efeitos diretos dessas tensões. Um exemplo citado é a estabilidade na importação de compressores, item considerado estratégico para a produção de condicionadores de ar.
“Monitoramos continuamente os indicadores e, até agora, não há sinais de ruptura ou pressão significativa sobre o abastecimento de insumos. A indústria segue operando dentro da normalidade planejada”, destaca o coordenador do CIEAM.
As perspectivas para 2026 seguem positivas. De acordo com o estudo, o comportamento das importações e o desempenho dos principais setores industriais indicam um ambiente favorável para expansão da produção, especialmente em segmentos de maior valor agregado, como eletroeletrônicos e bens de informática.
“Mesmo em um cenário global incerto, o Polo Industrial de Manaus reafirma sua competitividade e importância estratégica para a indústria brasileira. A tendência é de continuidade do crescimento, com ganhos relevantes em produção e investimentos”, finaliza o especialista.
O Painel Econômico do Amazonas (PEA) é elaborado mensalmente pelo Centro da Indústria do Estado do Amazonas (CIEAM), com base em informações públicas de instituições como IBGE, Suframa, ComexStat, Abraciclo e Ministério do Trabalho e Emprego. O estudo também utiliza o IBCR-AM, índice regional divulgado pelo Banco Central e considerado uma estimativa mensal do PIB do Amazonas.
Atualmente, o Polo Industrial de Manaus reúne cerca de 600 empresas instaladas. Segundo o CIEAM, o estado do Amazonas possui 578,2 mil empregos, sendo aproximadamente 134 mil diretos do PIM. O modelo da Zona Franca de Manaus, implementado em 1967, também é apontado como responsável pela preservação de 97% da cobertura florestal do estado. Em 2025, o polo encerrou o ano com faturamento de R$ 228 bilhões.








