A XTransfer, plataforma especializada em pagamentos internacionais para empresas de comércio exterior, anunciou o lançamento da X-Net na América Latina. A solução, apresentada durante o Chile Fintech Forum 2026, em Santiago, foi desenvolvida para conectar bancos, instituições financeiras e micro, pequenas e médias empresas (MPMEs) exportadoras por meio de uma rede unificada de processamento de transações internacionais e gerenciamento de riscos.
Segundo Violas Xiao, CEO da XTransfer para Cingapura e América Latina, a plataforma também será apresentada durante o Web Summit Rio, programado para ocorrer entre os dias 8 e 11 de junho. A proposta da X-Net é tornar as operações cross-border mais eficientes, seguras e alinhadas às exigências regulatórias, em um cenário de expansão das relações comerciais entre China e América Latina.
De acordo Xiao, a XTransfer, a rede foi estruturada para padronizar fluxos de recebimentos, pagamentos e conformidade regulatória entre os participantes. Com isso, as MPMEs passam a ter acesso a uma infraestrutura de pagamentos semelhante à utilizada por grandes multinacionais, mas com foco em reduzir barreiras operacionais e aumentar a previsibilidade das operações internacionais.

Além disso, o CEO afirma que a rede híbrida atua em conjunto com reguladores, bancos e instituições de pagamento para aprimorar padrões relacionados ao fluxo de fundos, integração de produtos financeiros e controle de riscos.
O avanço das operações internacionais na região aparece também nos números apresentados pela companhia. Dados da própria XTransfer indicam que os recebimentos provenientes da América Latina cresceram 94% em 2025 na comparação com o ano anterior. No mesmo período, as exportações chinesas para a região avançaram 8%, demonstrando, segundo a fintech, uma aceleração na adoção de métodos de recebimento considerados mais seguros e em conformidade regulatória.
Outro indicador apresentado foi o índice XTransfer Export PMI, levantamento realizado com uma amostra de 3 mil empresas entre os mais de 800 mil usuários cadastrados na plataforma. Em março de 2026, o índice de pedidos de exportação para a América Latina ficou em 56,47, enquanto o índice de preços atingiu 57,81, ambos acima das médias globais de 53,85 e 56,15, respectivamente.
Xiao destaca ainda que a demanda comercial entre China e América Latina vem migrando para segmentos de maior valor agregado, como equipamentos eletromecânicos e dispositivos ópticos médicos. Nesse contexto, ferramentas digitais voltadas à liquidação e ao recebimento internacional ganham relevância para melhorar o fluxo de caixa e ampliar a previsibilidade financeira das empresas exportadoras.
Segundo o CEO da XTransfer, os mercados emergentes ocupam posição estratégica no plano de expansão da companhia. “Os mercados emergentes são centrais para a expansão da XTransfer e, na América Latina, estamos crescendo por meio da criação de nós locais de conformidade, do fortalecimento do recebimento em moeda local e da integração com um mix mais amplo de bancos de compensação globais, bancos regionais e PSPs de primeira linha, a fim de garantir liquidez e caminhos de pagamento redundantes. Em seguida, aprofundaremos nossa presença no Brasil e no México, ao mesmo tempo em que expandiremos para mercados em crescimento como Chile, Colômbia, Peru e Argentina, aprimorando a liquidez em moedas secundárias e a automação de riscos para que as PMEs possam receber recursos de forma mais previsível e em conformidade.”
Apesar da expansão do comércio internacional, Xiao observa que as micro, pequenas e médias empresas ainda enfrentam desafios relevantes nas operações cross-border. Entre os principais obstáculos apontados estão a fragmentação dos sistemas de pagamento domésticos, o uso de múltiplos intermediários financeiros e a dependência da liquidação em dólar, fatores que aumentam custos operacionais e tempo de processamento.
Além disso, o CEO destaca que controles antifraude e exigências mais rigorosas de Prevenção à Lavagem de Dinheiro (PLD) tornaram os processos de compliance mais complexos, o que pode gerar dificuldades de onboarding, restrições de conta e bloqueios de recursos para empresas consideradas legítimas.
Fundada em 2017, a XTransfer atua exclusivamente no segmento de pagamentos B2B cross-border. Segundo dados da CIC citados pela empresa, a plataforma movimentou mais de US$ 60 bilhões em TPV (Total Payment Volume) em 2025 e atende atualmente mais de 800 mil micro, pequenas e médias empresas em diferentes mercados globais.
Na América Latina, a companhia opera em parceria com bancos e instituições financeiras no Brasil, Chile, Colômbia, México e Peru. A estrutura permite que empresas utilizem redes locais de pagamento para realizar transferências internacionais por meio de contas bancárias, carteiras digitais e soluções instantâneas, como o Pix no Brasil.








