Você sabe como funciona o processo da Revalidação Ordinária da ANTT?

30/06/2023

Vimos que no último dia 2 de maio de 2023 entrou em vigor a obrigatoriedade da Revalidação Ordinária da ANTT – Agência Nacional de Transportes Terrestres, por meio da Portaria nº 220. O regulamento é destinado à atualização de dados para inscrição e manutenção no Registro Nacional de Transporte Rodoviário de Cargas (RNTRC) por parte dos transportadores e sua frota. Consta-se, ainda, que o prazo para a revalidação será de 10 meses.

Com isso, o setor passou a enfrentar diversas dúvidas para realizar o procedimento e, em nome do Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas de São Paulo e Região – SETCESP, separamos aqui algumas informações para saná-las da melhor maneira possível.

Traçando o caminho de como deve ser feito todo o processo, começamos pela consulta pública, onde o transportador realiza a pesquisa, pelo CNPJ da empresa ou número do RNTRC, e verifica se é necessário fazer a revalidação ou não. Posteriormente, ele entra em contato com o posto de atendimento credenciado, assim como o SETCESP, que emitirá o relatório com todas as pendências referentes ao RNTRC.

A partir dessa etapa de verificação, aqui no posto da ANTT no SETCESP averiguamos quais os documentos são necessários e o custo das tratativas para o transportador. Lembrando que, hoje, para este trâmite há uma taxa de R$ 246,00 e os associados ao SETCESP possuem gratuidade quando as pendências são somente de declaração de capacidade financeira e declaração de idoneidade dos sócios.

Em relação às pendências de placas, é bom reforçarmos que a que mais tem ocorrido é a de contrato de comodato, ou arrendamento. Ela ocorre por dois motivos: quando a empresa está com o contrato vencido ou quando tem um veículo no nome da filial e a mesma não está vinculada ao registro da matriz, com isso, o sistema entende que essa empresa está com o veículo em outra propriedade, por conta do CNPJ. Nesse caso, deve ser emitido um novo contrato, com uma nova data vigente, ou incluir a filial para que também esteja cadastrada.

Em caso de conflitos por placa, também é cobrado o valor da inclusão: para não associados, a taxa é de R$ 246,00 – se a pendência for relativa aos veículos automotores, o valor é de R$ 167,50 para veículos implementos. No caso dos associados ao SETCESP, há um desconto de, aproximadamente, 50%.

A principal dica que podemos compartilhar é o transportador entrar em contato o mais rápido possível, por mais que o prazo seja extenso. O fim de ano é bem corrido em qualquer transportadora e pode ficar muito congestionada a regulamentação, resultando em multas, que são por pendência e chegam ao valor de R$ 750,00 cada infração. Portanto, planejamento para se antecipar é fundamental.

Também é importante a empresa verificar todos os dados que possui no status de revalidação, como endereço, telefone e e-mail. É por lá que a ANTT irá entrar em contato e, quanto mais organizado e atualizado estiver, melhor será o processo para a regulamentação.

Por fim, outra dica é que a empresa não precisa arcar com esse custo de uma única vez, ela pode fracioná-lo. Por exemplo, se você tem 10 pendências de automotor, geramos um boleto neste mês com 5 e outro boleto no próximo mês com o restante. Finalizando todo o pagamento, daremos andamento no processo.

De modo geral, quando se trata da Revalidação Ordinária, o mais indicado é se preocupar com o planejamento e realizar todos os passos o quanto antes para estar com o RNTRC válido. Manter-se em dia com as regulamentações do setor é primordial para ter as atividades com qualidade e sem preocupações.

Caique Neves, coordenador administrativo do SETCESP.

Para mais informações, entre em contato com o posto da ANTT no SETCESP pelo e-mail antt@setcesp.org.br ou telefones 11 2632.1064 / 11 2632.1008.

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A combinação de juros elevados e restrição ao crédito tem levado o setor de transporte rodoviário a buscar novas estratégias de geração de receita. Diante da queda nas vendas de caminhões, empresas da cadeia logística passaram a acelerar a adoção de modelos baseados em serviços e receita recorrente no transporte, com foco em maior previsibilidade financeira. De acordo com dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), as vendas de caminhões recuaram 34,6% em janeiro deste ano em relação a dezembro de 2025. Além disso, na comparação com janeiro do ano anterior, a retração foi de 30,14%. Esse cenário reforça a necessidade de diversificação das fontes de receita em um ambiente mais volátil. Nesse contexto, a mudança de modelo reflete uma tentativa de reduzir a dependência de vendas pontuais de ativos. Ao mesmo tempo, empresas passam a incorporar soluções tecnológicas embarcadas nas frotas não apenas para ganho operacional, mas também como nova fonte de faturamento para concessionárias, revendedores e companhias de software. Receita recorrente no transporte avança com uso de tecnologia logística Segundo Rony Neri, diretor-executivo LATAM da Platform Science, multinacional americana especializada em soluções de segurança e tecnologia para o setor de transporte, a lógica do mercado está em transformação. “A lógica do setor está mudando. Antes, a receita estava concentrada na venda do ativo. Agora, com o uso de tecnologia, é possível construir uma base recorrente de faturamento, mais previsível e menos exposta às oscilações do mercado”, afirma. A empresa atua no desenvolvimento de plataformas tecnológicas para gestão de frotas e segurança operacional, permitindo a integração de dados e serviços no ambiente logístico. Dessa forma, soluções como telemetria, videomonitoramento e plataformas digitais passam a viabilizar modelos de assinatura, ampliando o ticket médio e a retenção de clientes. “A tecnologia passa a funcionar como uma camada de inteligência que fortalece o negócio principal e cria novas oportunidades de receita ao longo do tempo”, reforça Neri. Além disso, o movimento também alcança o agronegócio, onde a digitalização da logística tem impacto direto nos custos operacionais. Com o uso de dados e monitoramento em tempo real, produtores e operadores conseguem reduzir desperdícios, evitar falhas mecânicas e aumentar a eficiência no transporte da safra. “Esses ganhos operacionais têm impacto direto na rentabilidade, especialmente em um cenário em que o custo logístico é um dos principais fatores de pressão para o produtor rural”, detalha o executivo. Para empresas de software, a incorporação de dados operacionais das frotas abre espaço para expansão de portfólio sem necessidade de novos investimentos em hardware. Assim, aumenta-se o valor agregado das plataformas e amplia-se a oferta de serviços. Por fim, o modelo de receita recorrente no transporte tende a apresentar maior estabilidade em comparação à comercialização de produtos físicos. A venda de serviços contínuos, baseada em assinaturas, contribui para reduzir a sazonalidade típica do setor e cria uma base mais previsível de faturamento ao longo do tempo. “A recorrência permite que empresas atravessem períodos de baixa venda de ativos sem perda significativa de receita. É uma mudança estrutural na forma como o setor captura valor”, finaliza Neri.
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