Venda de terminal da CGG em Itaqui está na reta final

11/10/2017

Mais de seis meses após a tomada de decisão sobre a venda do terminal de grãos da CGG Trading no porto de Itaqui, no Maranhão, as negociações se aproximam do momento mais aguardado: o encerramento do prazo, no fim deste mês, para que as empresas interessadas no ativo logístico se manifestem.

A venda é crucial para a sustentação financeira da trading, do grupo Cantagalo, que tem como maior acionista a Coteminas, do empresário Josué Gomes da Silva. O terminal, seu melhor ativo, foi oferecido como garantia aos bancos para reestruturação de dívidas.

O mandato de venda está a cargo do ABN Amro e do Bradesco. Após a apresentação formal dos interessados, terão início os trabalhos de praxe de “due diligence” e de negociação de preços. A CGG espera concluir a venda ainda este ano. O mercado comprador prevê um desfecho somente em 2018.

Conforme o Valor apurou, há um número limitado de candidatos com apetite real pelo ativo. Segundo fontes, a sobrecapacidade ainda é grande no terminal, o que afugenta potenciais interessados. O mais disposto a levar o terminal seria a VLI. A companhia já opera um terminal privativo em Ponta da Madeira, vizinho a Itaqui, é arrendatária de um berço no porto público, por onde escoa grãos, e opera a única ferrovia que desemboca no porto. O negócio, se concretizado, envolveria troca de dívidas.

Procuradas, as empresas não quiseram comentar o assunto.

Em seu resultado financeiro de 2016, a CGG apontou como “valor justo” para o terminal US$ 161,3 milhões – US$ 77,7 milhões acima do valor contábil do ativo. O preço, explicou à época ao Valor o CEO Brandon Scott, visava aproximar o preço do terminal à realidade, contribuindo para a reestruturação de dívidas, ocorrida em junho.

Isso não significa, no entanto, que o valor será efetivamente acordado. Fontes do setor afirmam ser difícil o desembolso deste montante no momento em que muitas empresas, incluindo as grandes, já estão comprometidas com outros investimentos logísticos e registram margens ainda menores no comércio internacional de grãos.

Nesse contexto, a CGG também colocou à venda outros dois ativos: parte da fazenda de 73 mil hectares na região de Brasnorte, em Mato Grosso, e parte de outra propriedade de 35 mil hectares no Piauí.

Inaugurado operacionalmente em março de 2015, o Tegram é o primeiro terminal graneleiro no porto público maranhense. Criado pelo consórcio formado por CGG, Glencore, NovaAgri e Amaggi / Louis Dreyfus / Zen-Noh, ele é uma alternativa de escoamento de grãos para a região de Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e oeste da Bahia). Cada empresa detém 25% de participação no negócio.

Em 2014, o grupo japonês Sojitz entrou como investidor na CGG Trading, tornando-se acionista majoritário com 43,14% da divisão logística da Cantagalo, e minoritária na holding, com 5%. Desde o início, sua intenção era absorver o restante da trading, fincando os dois pés no agronegócio brasileiro. Mas a quebra da safra 2015/16 jogou a pá de cal na empresa, que já apresentava sinais de desgaste com má gestão e divergências societárias. Com as expectativas frustradas, os principais executivos da Sojitz para a CGG – Takeda Hirofumi e Yoshida Yasuhiro – retornaram no mês passado ao Japão.

Quem quer que leve o terminal será submetido à aprovação dos demais consorciados, que poderão lançar mão da cláusula de vedação prevista em contrato. Um executivo do Tegram afirmou ao Valor, sob a condição de não ter o nome citado, que a eventual proposta da VLI poderia enfrentar “resistência” por parte do consórcio. “Por vários motivos”, diz, “calcados no histórico ruim de relacionamento”.

As discordâncias entre o Tegram e a VLI vieram à tona já antes mesmo do porto ser inaugurado. Em questão estão acusações concorrenciais envolvendo volumes de soja e milho transportados. As tradings também reclamam do “monopólio ferroviário” da VLI na região – 80% do transporte de carga ao porto só faz sentido economicamente se for feito pelo modal.

O terminal embarcou 2,4 milhões de toneladas de grãos em 2016. A expectativa para 2017 é passar dos 3,5 milhões de toneladas de soja, farelo e milho.

Ainda que cause mal-estar, diz outra fonte, nem a CGG nem o Tegram estão em posição de “criar dificuldades” a novos entrantes. A CGG necessita vender o porto para começar a pagar suas dívidas. O Tegram, por sua vez, ainda tenta avançar com seu cronograma de expansão, atrasado, e enfrenta divergências eventuais nas operações portuárias entre as tradings.

Fonte: Valor

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