SETCESP pelo IAA – Alemanha 2018

26/11/2018

Tradicionalmente o SETCESP – Sindicato das Empresas de Transportes de Carga de São Paulo e Região promove, uma vez por ano, uma viagem técnica para o exterior com o objetivo de fazer benchmarking empresarial, conhecer novas tecnologias e inovações, entender o que está acontecendo em outros países em relação às normas e legislações de transportes e, também, conhecer a situação atual da mobilidade urbana de cargas e os caminhos futuros.

O tema da viagem desse ano foi: “A reforma trabalhista alemã e as novas tecnologias”.

O grupo foi composto por 20 empresários e executivos associados ao SETCESP que tinham como objetivo trazer grandes inovações para suas empresas e para o mercado da logística brasileira.

Escolhemos Frankfurt como sede para o nosso grupo, pois a mesma reúne a maior concentração de empresas da Alemanha e a própria cidade poderia nos dar novas ideias para o abastecimento urbano de grandes regiões metropolitanas.

A programação foi montada da seguinte forma: segunda-feira visitamos a maior feira de veículos comerciais do mundo, a IAA, e de terça-feira em diante visitamos transportadoras, escritório de advocacia, departamentos públicos relacionados ao transporte e empresas fornecedoras.

Nesse artigo, vou me concentrar em relatar a nossa visita à IAA, evento sediado em Hanôver, a 350 quilômetros de carro e aproximadamente 2 horas de trem de onde estávamos, opção esta escolhida devido à estação central de Frankfurt estar a 5 minutos do nosso hotel.

Saímos no trem das 07h da manhã chegando a Hanôver por volta das 09h, fomos recepcionados pelo Sr. Alexandre Lasmar e pelo Sr. Joerg Radtke, executivos da Mercedes-Benz, empresa que nos proporcionou as entradas na feira e foi a nossa anfitriã no evento. É impressionante o tamanho da IAA, como se fosse uns dez Anhembis, e não é diferente o tamanho dos próprios estandes.

No estande da Mercedes-Benz conhecemos toda a linha de caminhões e ônibus que eles possuem na Alemanha. Na parte de ônibus, a montadora entrega ao mercado o veículo completo, chassis e carroceria. Já na parte de caminhões, conhecemos as novas tecnologias embarcadas com um grande destaque para o retrovisor inteligente, o qual, com uma combinação de câmeras, proporciona ao motorista a visão traseira do caminhão através de tablets instalados dentro da cabine. O equipamento também separa as imagens e diminui drasticamente os pontos cegos do veículo.

Outra tecnologia muito interessante é um jogo de câmeras inteligentes instaladas no para-brisa e nas laterais do caminhão que possuem OCR (Optical Character Recognition) e são capazes de interpretar os objetos na frente e nas laterais do veículo, separando o que são carros, pedestres, motociclistas, animais e ciclistas.

Essa tecnologia consegue, inclusive, interpretar os movimentos de um ciclista e, se por acaso, alguma coisa cruzar o trajeto do caminhão ou entrar no ponto cego com possibilidade de colidir com o veículo, a tecnologia para o caminhão na hora, elevando o nível de segurança a patamares impressionantes.

Outro ponto que chamou a atenção, na esmagadora maioria dos estandes, foi a frenética corrida para tecnologias de motores que utilizam outras fontes energéticas e que reduzem as emissões de CO2, com um grande destaque para os veículos elétricos. Na maioria das montadoras observamos a oferta destes e, em algumas delas, a linha toda de pequenos, médios e grandes veículos.

Porém, ainda há muitas questões a serem debatidas em torno da eletrificação da frota. A primeira são os custos desses veículos que, mesmo na Europa, está difícil equalizar essas contas, mas a comunidade europeia está obrigando montadoras e operadoras a encontrarem soluções. Nesse mesmo sentido, grandes incentivos estão sendo aplicados para contribuir com essa transformação.

Mas não foram apenas os veículos elétricos que surpreenderam. Os veículos híbridos, movidos a gás e a hidrogênio, também estavam presentes no salão.

No estande da Scania, por exemplo, conhecemos uma tecnologia híbrida com óleo diesel e energia elétrica fornecida por linhas de transmissão, as quais estão sendo instaladas nas estradas. Nessa tecnologia, o caminhão se conecta automaticamente à rede eletrificada, como se fosse um trólebus moderno, pois a ligação não é fixa. Esse projeto está sendo chamado de Project ELISA em Frankfurt e tivemos a oportunidade de conhecer de perto essas linhas nas estradas próximas da cidade.

No gigantesco estande da Volkswagen MAN tivemos a grata surpresa de ver o veículo de distribuição urbana elétrico desenvolvido no Brasil, com engenharia brasileira, e, também, conhecemos várias tendências e novas tecnologias embarcadas que auxiliam na condução do veículo e aumentam significativamente a segurança das operações.

Já na Volvo, conhecemos a proposta do veículo 100% autônomo, sem a cabine do motorista e 100% elétrico, o Projeto Vera, que ainda é utilizado para operações de manobras em grandes pátios e portos, mas os engenheiros já estão trabalhando para levar esse veículo para as estradas.

A IAA é realmente muito grande e com muitas opções de tecnologia, implementos, veículos comerciais de todos os tamanhos e equipamentos, mas tenho que registrar que a Mercedes-Benz, a Volvo, a Volkswagen MAN e a Scania se destacam!

Essa feira foi um divisor de águas entre quatro pilares muito importantes e que agora realmente se tornaram realidade: Conectividade; Automação ou Autônomos; Shared (compartilhamento de veículos e caminhões); e Eletrificação de motores.

Temos o costume de viajar pelo mundo para conhecer os assuntos entorno do transporte rodoviário de cargas e sempre descobrimos tecnologias terceiras que embarcávamos nos nossos veículos. Nesta IAA foi possível observar que estas tecnologias agora estão sendo embarcadas de forma nativa pelas montadoras.

Como é gratificante ter a oportunidade de viajar pelo mundo a trabalho, conhecendo novas tecnologias, novas tendências, novas pessoas e empresas.

 

Conheça melhor os serviços do SETCESP em www.setcesp.org.br.

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A combinação de juros elevados e restrição ao crédito tem levado o setor de transporte rodoviário a buscar novas estratégias de geração de receita. Diante da queda nas vendas de caminhões, empresas da cadeia logística passaram a acelerar a adoção de modelos baseados em serviços e receita recorrente no transporte, com foco em maior previsibilidade financeira. De acordo com dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), as vendas de caminhões recuaram 34,6% em janeiro deste ano em relação a dezembro de 2025. Além disso, na comparação com janeiro do ano anterior, a retração foi de 30,14%. Esse cenário reforça a necessidade de diversificação das fontes de receita em um ambiente mais volátil. Nesse contexto, a mudança de modelo reflete uma tentativa de reduzir a dependência de vendas pontuais de ativos. Ao mesmo tempo, empresas passam a incorporar soluções tecnológicas embarcadas nas frotas não apenas para ganho operacional, mas também como nova fonte de faturamento para concessionárias, revendedores e companhias de software. Receita recorrente no transporte avança com uso de tecnologia logística Segundo Rony Neri, diretor-executivo LATAM da Platform Science, multinacional americana especializada em soluções de segurança e tecnologia para o setor de transporte, a lógica do mercado está em transformação. “A lógica do setor está mudando. Antes, a receita estava concentrada na venda do ativo. Agora, com o uso de tecnologia, é possível construir uma base recorrente de faturamento, mais previsível e menos exposta às oscilações do mercado”, afirma. A empresa atua no desenvolvimento de plataformas tecnológicas para gestão de frotas e segurança operacional, permitindo a integração de dados e serviços no ambiente logístico. Dessa forma, soluções como telemetria, videomonitoramento e plataformas digitais passam a viabilizar modelos de assinatura, ampliando o ticket médio e a retenção de clientes. “A tecnologia passa a funcionar como uma camada de inteligência que fortalece o negócio principal e cria novas oportunidades de receita ao longo do tempo”, reforça Neri. Além disso, o movimento também alcança o agronegócio, onde a digitalização da logística tem impacto direto nos custos operacionais. Com o uso de dados e monitoramento em tempo real, produtores e operadores conseguem reduzir desperdícios, evitar falhas mecânicas e aumentar a eficiência no transporte da safra. “Esses ganhos operacionais têm impacto direto na rentabilidade, especialmente em um cenário em que o custo logístico é um dos principais fatores de pressão para o produtor rural”, detalha o executivo. Para empresas de software, a incorporação de dados operacionais das frotas abre espaço para expansão de portfólio sem necessidade de novos investimentos em hardware. Assim, aumenta-se o valor agregado das plataformas e amplia-se a oferta de serviços. Por fim, o modelo de receita recorrente no transporte tende a apresentar maior estabilidade em comparação à comercialização de produtos físicos. A venda de serviços contínuos, baseada em assinaturas, contribui para reduzir a sazonalidade típica do setor e cria uma base mais previsível de faturamento ao longo do tempo. “A recorrência permite que empresas atravessem períodos de baixa venda de ativos sem perda significativa de receita. É uma mudança estrutural na forma como o setor captura valor”, finaliza Neri.
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