Rumo assina contrato de concessão da Ferrovia Norte-Sul

02/08/2019

Maior operadora ferroviária do País, a Rumo assinou, em Anápolis (GO), o contrato de concessão dos tramos central e sul da Ferrovia Norte-Sul, como resultado do leilão realizado em 28 de março pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).

Estiveram presentes na cerimônia o presidente Jair Bolsonaro; o ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni; o ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas; a ministra da Agricultura, Tereza Cristina; o governador de Goiás, Ronaldo Caiado; o governador do Tocantins, Mauro Carlesse; o prefeito de Anápolis, Roberto Naves e Siqueira, além de executivos da Rumo, incluindo o presidente dos conselhos de administração da Cosan e da Rumo, Rubens Ometto.

“As obras de infraestrutura unem o Brasil, trazem progresso de verdade para todos os brasileiros. As futuras obras geram preços e fretes melhores, além de ajudar a reduzir os acidentes em estradas”, disse em discurso o presidente do Brasil, Jair Bolsonaro. “Por isso, o modal ferroviário é sempre muito bem-vindo”.

“Quero registrar aqui a minha homenagem às pessoas que fizeram a ferrovia Norte-sul, aos técnicos do ministério, da ANTT, aos parlamentares que nos deram apoio, à Cosan, à Rumo que acreditou no Brasil e que está trazendo seu investimento, seu expertise“, disse o ministro da Infraestrutura, Tarcísio Freitas, que também garantiu que a renovação do contrato da Malha Paulista será realizada em breve.

“Desde 2015, nós estamos pleiteando a renovação da Malha Paulista para podermos investir R$ 7 bilhões”, disse o diretor presidente da Rumo, João Alberto Abreu. “Queremos muito dar mais esta boa notícia ao nosso PIB. Já temos a aprovação da ANTT e da área técnica do Tribunal de Contas da União, e estamos aguardando o parecer final do TCU”.

“A ampliação da Malha Paulista e o início das operações da Norte-Sul vão criar um corredor comercial inédito na América do Sul. A Norte-Sul vai valorizar as terras de quem tem uma fazenda em Mato Grosso, em Goiás e Tocantins — e vai expandir a fronteira agrícola do País”, disse o presidente do Comitê Operacional, membro do Conselho de Administração e líder da nova Malha Norte-Sul da Rumo, Julio Fontana Neto.

O leilão

A proposta econômica da Companhia foi de R$ 2,7 bilhões, ágio de 100,92% em relação ao valor de outorga mínimo estabelecido. O contrato de concessão será de 30 anos, não prorrogável. O trecho leiloado compreende 1.537 quilômetros de linha férrea entre Estrela D’Oeste (SP) e Porto Nacional (TO).

A Ferrovia Norte-Sul começou a ser construída em 1987, projetada para ser a espinha dorsal do sistema ferroviário brasileiro e integrar de forma estratégica o território nacional. Com assinatura do contrato de concessão dos tramos central e sul a operação dessa malha será decisiva para o futuro da infraestrutura do País, garantindo ciclos virtuosos de desenvolvimento econômico, gerando empregos e ajudando a reduzir o Custo Brasil.

A nova operação

Além de Anápolis, onde funciona o Porto Seco Centro-Oeste, haverá terminais da Rumo nas regiões das cidades goianas de São Simão e Uruaçu, e um grande complexo de terminais no sudoeste do Estado. No Tocantins, as operações em Porto Nacional, onde já existe um terminal, passarão a integrar o corredor Norte-Sul.

A Rumo tem planos para que trens da Brado, sua subsidiária especializada na logística multimodal de carga em contêineres, estejam rodando até o final de 2019, no trecho da Norte-Sul entre Anápolis (GO) e Porto Nacional (TO).

O objetivo dessa operação inaugural é atender os polos de produção agrícola e industrial das regiões Centro-Oeste e Norte do País. Nela, serão utilizados os modernos vagões double-stack, que podem carregar até três contêineres (um de 40 pés e dois de 20 pés) empilhados em dois níveis.

Em paralelo, diversas obras de infraestrutura ferroviária serão executadas entre Ouro Verde de Goiás (GO) e Estrela D’Oeste (SP), onde a Norte-Sul se conecta à Malha Paulista. Também sob concessão da Rumo, essa via férrea dá acesso ao Porto de Santos (SP), o mais importante do Brasil. A conexão entre as duas malhas deve ocorrer até 2021, viabilizando dois fluxos importantíssimos.

De um lado, leva-se carga geral e industrializada do Terminal de Sumaré (SP) – para onde é levada a produção da indústria da grande São Paulo, região metropolitana de Campinas, São José dos Campos e demais polos industriais do estado de SP – para grandes centros consumidores, como Goiânia (GO), Brasília (DF), Palmas (TO) e Imperatriz (MA). Por outro, será escoado um volume significativo de grãos de Tocantins, Goiás e do leste do estado de Mato Grosso, para exportação a partir de Santos.

Segundo dados divulgados pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), a demanda potencial prevista pelos trilhos da Norte-Sul para o ano que vem é de 1,7 milhão de toneladas. Até 2055, esse número deve chegar a quase 23 milhões de toneladas anuais.

Sinergia com a Malha Paulista

Esse vai e vem, que atenderá as exportações e o mercado interno, significa redução de custos para quem produz e para quem consome, e um agronegócio mais competitivo lá fora. Para que esse ciclo se cumpra, é fundamental a aprovação em plenário pelo Tribunal de Contas da União (TCU) do pedido de renovação antecipada da concessão da Malha Paulista.

A maior parte dos investimentos previstos será feita nos cinco primeiros anos, trazendo um aumento de 150% na capacidade de transporte da Malha Paulista – de 30 milhões de toneladas por ano para 75 milhões de toneladas por ano.

Além desse aumento de capacidade, o plano de negócios da Companhia prevê dezenas de obras para solução de conflitos urbanos e a reativação dos ramais de Panorama (SP) e Barretos (SP).

A renovação antecipada permite à concessionária ter garantia de horizonte contratual para amortizar investimentos muito volumosos e intensivos em capital, iniciando-os imediatamente. É o aumento de capacidade da Malha Paulista que permitirá que os trens da Norte-Sul cheguem ao Porto de Santos e que as cargas de São Paulo cheguem ao centro-oeste. É um dos projetos mais importantes da integração logística do país.

Compartilhe:
Veja também em Conteúdo
Logweb: duas décadas de jornalismo especializado que acompanham e impulsionam a logística brasileira
Logweb: duas décadas de jornalismo especializado que acompanham e impulsionam a logística brasileira
Por que a lei do frete mínimo existe e foi considerada necessária para a estabilidade do TRC no Brasil?
Por que a lei do frete mínimo existe e foi considerada necessária para a estabilidade do TRC no Brasil?
Reforma tributária redefine custos, crédito e estratégias na cadeia fria e no transporte frigorificado
Reforma tributária redefine custos, crédito e estratégias na cadeia fria e no transporte frigorificado
Movimentações executivas agitam logística, Supply Chain e real estate no Brasil. Fique por Dentro
Movimentações executivas agitam logística, Supply Chain e real estate no Brasil. Fique por Dentro
Foto Editorial
Editorial Revista Logweb Ed. 249 – Logweb 24 anos: a evolução da logística e os desafios que moldam o futuro
Frasle Mobility inaugura sistema inédito de automação logística no setor de aftermarket
Frasle Mobility inaugura sistema inédito de automação logística no setor de aftermarket

As mais lidas

01

Movimentações executivas agitam logística, Supply Chain e real estate no Brasil. Fique por Dentro
Movimentações executivas agitam logística, Supply Chain e real estate no Brasil. Fique por Dentro

02

Reforma tributária redefine custos, crédito e estratégias na cadeia fria e no transporte frigorificado
Reforma tributária redefine custos, crédito e estratégias na cadeia fria e no transporte frigorificado

03

Nova face do Operador Logístico exige tecnologia, integração e papel estratégico na cadeia de suprimentos
Nova face do Operador Logístico exige tecnologia, integração e papel estratégico na cadeia de suprimentos