A adoção de RFID na logística aliada a padrões globais da GS1 Brasil tem promovido ganhos relevantes de eficiência e governança no setor farmacêutico. A Federação Brasileira das Redes Associativistas e Independentes de Farmácias (Febrafar) e Farmarcas – responsável pela administração estratégica de redes associativistas de drogarias ao promover competitividade e crescimento sustentável – implementaram uma solução tecnológica para gestão de um patrimônio avaliado em R$ 15 milhões, reduzindo em até 85% o tempo de inventário e elevando a precisão dos dados para cerca de 99%.
As duas entidades operam no Edifício do Associativismo, em São Paulo (SP), onde concentram suas estruturas administrativas e operacionais. O ambiente reúne dez andares, auditório, estúdios e mais de 100 salas de reunião, abrigando mais de cinco mil ativos. Entre eles estão móveis — como mesas, cadeiras, armários e sofás —, eletrodomésticos, como geladeiras, frigobares e micro-ondas, além de notebooks, monitores, equipamentos utilitários e dispositivos de estúdio, como câmeras. Esse nível de complexidade operacional exigiu uma solução escalável, capaz de garantir controle, rastreabilidade e integração das informações.
Antes da automação, o processo de controle patrimonial era totalmente manual. Os ativos eram identificados por placas metálicas com numeração sequencial e os inventários eram realizados por meio de planilhas. Esse modelo implicava a conferência física item a item e posterior digitação dos dados, o que poderia levar até 45 dias. Além disso, havia riscos recorrentes, como erros de digitação, falhas de leitura por cansaço visual, dificuldade na localização de itens, perda de placas e atraso no envio de informações à contabilidade, gerando possíveis inconsistências fiscais.

Inventário automatizado com RFID e padrão GS1
Diante desse cenário, as entidades adotaram a tecnologia EPC-RFID, integrada ao padrão GS1 Digital Link (QR Code). Com isso, a leitura dos ativos passou a ser realizada em tempo real e sem necessidade de contato físico ou linha de visão, inclusive em itens armazenados dentro de armários, caixas ou ambientes fechados.
“O objetivo era automatizar o processo, reduzir o erro humano e trazer mais agilidade e segurança às informações”, afirma Angela Fujikawa, gerente de Patrimônio da Febrafar e da Farmarcas.
Além da tecnologia, a padronização foi um fator central no projeto. A utilização dos padrões globais GTIN, GLN, EPC/RFID e GS1 Digital Link garantiu interoperabilidade entre sistemas, qualidade e integridade dos dados, além de rastreabilidade completa dos ativos. “A GS1 Brasil foi essencial na padronização dos códigos e na organização das informações”, destaca a gerente. “Precisávamos garantir identificação correta dos ativos da Febrafar e da Farmarcas, com dados estruturados e interoperáveis.”
Com a nova solução, a movimentação dos ativos passou a ser registrada instantaneamente, fortalecendo a governança financeira e ampliando a capacidade de tomada de decisão. Informações mais precisas passaram a apoiar processos como aquisição, substituição de equipamentos, depreciação e controle fiscal. “O maior impacto foi a redução do tempo de inventário e na precisão das informações. Hoje temos rastreamento instantâneo e total visibilidade da movimentação dos itens”, ressalta Angela.
De acordo com João Carlos de Oliveira, presidente da GS1 Brasil, “o uso de padrões GS1 e tecnologias como RFID eleva o patamar de eficiência, precisão e governança nas empresas brasileiras. Quando os dados são estruturados e capazes de se comunicar entre si, trocando informações de forma padronizada, correta e sem erros, todo o ecossistema ganha”.
Entre os principais ganhos operacionais estão a leitura sem contato e sem necessidade de linha de visão, inventários significativamente mais rápidos, redução do esforço físico das equipes, eliminação de retrabalho, rastreabilidade em tempo real e localização instantânea dos ativos. Além disso, a solução contribui para maior confiabilidade das informações, integração com sistemas de gestão, acuracidade fiscal e contábil, além de permitir escalabilidade das operações.
A atuação da GS1 Brasil, organização multissetorial sem fins lucrativos presente no país desde 1983, foi determinante para o sucesso do projeto. A entidade é responsável por promover padrões globais de identificação e comunicação que sustentam a eficiência das cadeias de abastecimento, atuando em mais de 40 setores da economia e reunindo mais de 59 mil empresas associadas.
Diante da magnitude das operações conduzidas pela Febrafar e pela Farmarcas, a adoção de RFID logística com padronização internacional demonstra como a combinação entre tecnologia e governança de dados pode transformar processos, reduzir custos operacionais e elevar o nível de controle em ambientes complexos. O reconhecimento veio com a conquista do Prêmio Automação 2025, na categoria “Aplicação de mercado”, consolidando o projeto como referência em transformação digital e gestão patrimonial no setor farmacêutico.








