Baseada em alguns modelos de sites americanos, a loja on-line O Avestruz, da Reversa Soluções Logísticas (Fone: 11 3572.1797), é uma novidade no mercado nacional. Atraindo os mesmos consumidores dos sites de compra coletiva, que estão em busca de descontos, o site foca suas vendas em produtos devolvidos pelos clientes das lojas de e-commerce.
Com o nome inspirado na ave – por conta das suas características – que se alimenta de qualquer coisa, se adapta ao clima, tem fama de curiosa e, também, pelo fato de a indústria conseguir aproveitar tudo dela, como pena, carne, pele, bico – a empresa foi criada em 2010 e faz parceria com as lojas de comércio eletrônico, entre elas a Wall Mart e a Eletro Shopping.
“Os produtos devolvidos para essas lojas, em sua maioria, não estão danificados, muitas vezes o cliente apenas desistiu da compra, e pela lei do consumidor, ele tem o direito de se arrepender e em até sete dias devolver o produto. Mas como essa embalagem já foi aberta, a loja de e-commerce não pode mais revendê-lo como novo. Assim, o vendemos no O Avestruz, como produto “open box”, ou seja, que está em perfeitas condições, mas está com o lacre de sua embalagem violado”, explica Luís Fernando Martinez, diretor executivo da Reversa Soluções Logísticas.
Além dos produtos “open box”, o site também trabalha com produtos avariados, que vão desde pequenos riscos e amassados até aparelhos que não funcionam. Os descontos variam entre 30% e 90%.
“O meu consumidor não está em busca de lançamentos, ele está em busca de oportunidades. Um produto ‘open box’, por exemplo, pode sair até 50% mais barato, então aquele mesmo produto, que na loja está na faixa de R$ 1.100, sai por R$ 550. Podemos comparar esse cliente com aquele que vai aos saldões das grandes redes. E quando analisado, o perfil dos clientes que visitam o site percebemos que eles voltam com frequência e, muitas vezes, realizam mais de uma compra no mesmo dia, porque viram uma oferta de manhã e de noite descobriram uma nova”, explica Martinez.
Para conseguir atender ao tipo de demanda que trabalha, a Reversa teve de criar uma logística diferente daquela feita pelas lojas de e-commerce. Quando o cliente decide devolver o produto, a empresa de comércio eletrônico, parceira da Reversa, é quem retira a mercadoria e fica com ela em depósito.
Dentro do varejista, a Reversa trabalha num processo de triagem que avalia os produtos em três critérios: funcional (se todas as funções estão em perfeitas condições), estética (se existe algum tipo de risco ou amassado) e de embalagem (se o produto teve o lacre violado ou não).
Todas essas informações são passadas para um sistema, que já tem critérios pré-estabelecidos para avaliar, a partir dessa triagem, em qual nota cada item se encaixa, sendo que as notas variam de A – melhor nota, para produtos “open box”, que estão em perfeito estado e tiveram apenas o lacre violado – até E – produtos que não funcionam.
“Depois de toda essa triagem, o produto continua armazenado dentro da loja parceira e o sistema de triagem, que está interligado com a área de vendas, avisa que o produto está disponível para ser colocado no site. Se ele irá direto para a página do O Avestruz é uma questão de análise de mercado”, afirma Martinez.
Dentro do site, o cliente terá disponível o relatório do produto, com o laudo técnico do avaliador, feito durante a triagem. Nas fotos, ele também poderá ver todos os danos que o produto apresenta, como riscos e possíveis amassados. “Esse mesmo laudo técnico é enviado para o consumidor final junto com a nota fiscal com todas as especificações do produto, para que não haja dúvidas sobre as condições da mercadoria”, explica Martinez.
Como não existe um regulamento específico para o tipo de produto que O Avestruz trabalha, a empresa é considerada, do ponto de vista legal, uma loja de e-commerce comum. Assim, seus clientes têm os mesmos direitos que aqueles dos seus parceiros têm, inclusive os de devolução. “O cliente do site sabe que o produto está com defeito, então dificilmente o devolve. Assim, nossa taxa de logística reversa é muito baixa, não chega a 0,5% das entregas que realizamos”, afirma Martinez.
Como todo comércio eletrônico brasileiro, O Avestruz também enfrenta problemas na hora das entregas. Mas, segundo o diretor executivo da Reversa, eles não são diferentes dos demais sofridos pelo setor.
“Nossas principais dificuldades são as mesmas de um e-commerce comum, como casos em que o consumidor não está para receber a mercadoria ou extravio do produto. A diferença está apenas no tipo de mercadoria com que trabalhamos”, afirma ele.
A parceria com as lojas de e-commerce é feita através de uma definição de percentuais por categorias dos produtos. A Reversa estabelece, junto com os parceiros, faixas ou limites de preços para cada tipo de item, de acordo com o seu estado. E ao longo do tempo, faz uma análise que compara captura de valor versus tempo, para saber se os valores não devem ser corrigidos. Essa análise é repassada para o varejista.
A principal vantagem para o comércio eletrônico nesse tipo de negócio, segundo Martinez, está em ter um melhor retorno com a venda dessa mercadoria. “A loja de e-commerce compra em lote do fabricante e vende no varejo, para obter uma margem de lucro. Se esse produto é devolvido e fica parado no estoque, ela já tem um prejuízo, e se vendesse num leilão o retorno não seria o mesmo que o do varejo, porque não há a separação do que tem um valor maior do que o que não tem, vende-se em lote. Em negócios como O Avestruz há a separação entre produtos danificados e aqueles em perfeito estado, então o retorno é bem melhor, mesmo com os descontos”, afirma o diretor executivo da Reversa.
O Avestruz comercializa, principalmente, produtos das linhas marrom (aparelhos de TV, som e eletroeletrônicos), branca (geladeira, fogão, microondas), telefonia, fitness e informática. Para os demais produtos que seus parceiros vendem, mas o site não tem saída, a Reversa oferece outras soluções, como a revenda para assistências técnicas, que compram para reutilizar as peças.
Atualmente, O Avestruz atende as principais capitais do país (São Paulo, Salvador, Brasília, Vitória, Belo Horizonte, Recife, Curitiba, Rio de Janeiro, Porto Alegre e Florianópolis) e as cidades mais próximas em um raio de 100 km. Mas, o objetivo da empresa é continuar crescendo.
“O mercado de e-commerce cresce a taxas de 30% ao mês, então, apesar de ainda ser cedo para falar em expansão, temos planos de aumentar nosso atendimento e conseguir cobrir todo o mercado nacional”, explica Martinez.
Ainda segundo o executivo, apesar desse tipo de negócio ser pouco conhecido no país, essa é uma tendência que deve crescer nos próximos anos. “O mercado brasileiro é novo nesse sentido, mas se você pensar que o e-commerce faturou R$ 18,7 bilhões em 2011, e que 7% dos produtos foram devolvidos, eu posso dizer que existe um mercado de R$ 1,3 milhão disponível para trabalhar. E esse mercado ainda pode se expandir, porque em países como os EUA, onde o consumidor conhece mais os seus direitos e é mais exigente, o índice de devoluções é de 11%. Além disso, o comércio eletrônico cresce a taxas de 30% ao mês no Brasil”, conclui.







