Queda nos preços dos ativos no Brasil atrai a espanhola Ferrovial

22/01/2016

A gigante espanhola Ferrovial considera o realinhamento dos preços de ativos em infraestrutura como um novo atrativo no programa brasileiro de concessões. O grupo tem interesse nos próximos leilões de aeroportos e de rodovias, está inseguro com o panorama político e ainda não tomou nenhuma decisão concreta sobre participar dos certames.

“Se os leilões forem acontecer mesmo neste ano, vamos estudar, mas nada chegou à minha mesa ainda”, disse ao Valor o presidente do conselho de administração da multinacional, Rafael del Pino, no lobby do hotel onde está hospedado para participar do Fórum Econômico Mundial, em Davos.

Minutos antes ele fora apresentado a um empresário americano como o “rei da construção” na Espanha. Não é para menos: a Ferrovial, além de uma das maiores empreiteiras do país, controla o aeroporto de Heathrow (Londres) e explora rodovias pedagiadas em nove países. O faturamento da empresa supera € 8 bilhões anuais e ela tem 69 mil empregados mundo afora.

Del Pino avalia que a crise provocou uma espécie de choque de realidade nos preços de ativos. Não é tanto pela desvalorização do real que os projetos se tornaram mais interessantes, segundo ele, já que as receitas em pedágios e tarifas aeroportuárias também ficam automaticamente mais baixas em moeda estrangeira.

A questão, diz o executivo espanhol, é que os estudos técnicos que balizavam as licitações tinham taxas irreais de crescimento do PIB e da demanda. “Era um cenário de mil maravilhas”, afirma. Quando as últimas rodovias foram leiloadas, por exemplo, o governo até chegou a reduzir suas previsões de crescimento anual da economia de 4% para 2,5% ao longo de todo o período de concessão (30 anos). Mesmo esse cenário soa absurdo.

Para Del Pino, outra distorção que tende a ser corrigida são os elevados ágios observados nos leilões realizados quando o Brasil registrava taxas maiores de crescimento. Ele lembra o caso do aeroporto de Guarulhos: o preço mínimo era R$ 3,2 bilhões. “Oferecemos o dobro. Um lance bastante ousado e tínhamos um excelente plano de negócios”, observa. A Ferrovial montou um consórcio com a Queiroz Galvão. O lance vencedor, da Invepar, atingiu R$ 16 bilhões. “Impossível”.

Contando com uma modesta operação no Brasil, que são dois contratos de prestação de serviços para a concessionária de rodovias Abertis, Del Pino frisa que crescer no país é importante. “O mercado brasileiro é gigantesco e tem a classe média emergente.”

A indefinição política, contudo, preocupa e desorienta a Ferrovial. Mais do que nas respostas, o sentimento de preocupação emerge das perguntas feitas ininterruptamente pelo espanhol. “A presidente vai chegar ao fim do mandato?”, questiona. Quer saber mais: a situação “real” da economia e quais são as perspectivas de normalização das empreiteiras. “Qual delas tem mais riscos de quebrar?”, continua perguntando.

O espanhol manifesta, então, interesse em saber quais acusações pesam contra André Esteves – um “habitué” de Davos. E encerra a conversa com um comentário surpreendente: “A Lava-Jato é algo muito forte, não?”

Fonte: Valor Econômico

Compartilhe:
Veja também em Conteúdo
CMA CGM anuncia aquisição da FedEx Supply Chain por US$ 1,4 bilhão para ampliar logística na América do Norte
CMA CGM anuncia aquisição da FedEx Supply Chain por US$ 1,4 bilhão para ampliar logística na América do Norte
Falta de motoristas cresce e preocupa operadores do transporte rodoviário, inclusive fora do Brasil, aponta relatório da IRU
Falta de motoristas cresce e preocupa operadores do transporte rodoviário, inclusive fora do Brasil, aponta relatório da IRU
Cedro investe em sistema avançado de transporte de minério de ferro para substituir o trânsito de carretas em Mariana, MG
Cedro investe em sistema avançado de transporte de minério de ferro para substituir o trânsito de carretas em Mariana, MG
Ever Express adquire 11 caminhões Actros da Mercedes-Benz para transporte e logística ao comércio exterior
Ever Express adquire 11 caminhões Actros da Mercedes-Benz para transporte e logística ao comércio exterior
Clima extremo deixa de ser exceção e passa a redesenhar a logística brasileira
Clima extremo deixa de ser exceção e passa a redesenhar a logística brasileira
CENTRONAVE anuncia Fábio Lavor Teixeira como Diretor Executivo e nova posição de Claudio Loureiro de Souza
CENTRONAVE anuncia Fábio Lavor Teixeira como Diretor Executivo e nova posição de Claudio Loureiro de Souza

As mais lidas

01

Expansão da cabotagem e retroáreas logísticas depende de capital fora dos navios, aponta FLG
Expansão da cabotagem e retroáreas logísticas depende de capital fora dos navios, aponta FLG

02

Intelipost amplia plataforma de inteligência logística com soluções para operação omnichannel 
Intelipost amplia plataforma de inteligência logística com soluções para operação omnichannel 

03

Frota elétrica da FedEx no Brasil cresce com 17 veículos e reforça logística sustentável
Frota elétrica da FedEx no Brasil cresce com 17 veículos e reforça logística sustentável