Professor doutor da FGV fala sobre os desafios da logística com a ascensão do comércio eletrônico

04/05/2021

FGV

Divulgado em fevereiro desse ano, o relatório da Mastercard SpendingPulse mostrou que, após o início do isolamento social, o e-commerce brasileiro apresentou um crescimento de 75% em 2020 se comparado ao ano anterior.

Ainda no ano passado, o Mercado Livre lançou cinco novos centros logísticos no Brasil, e contratou uma frota com quatro aviões para diminuir, cada vez mais, seu prazo de entrega. O site passou a valer mais de 60 bilhões de dólares.

Nos EUA, os consumidores gastaram cerca de US$ 245 bilhões online durante 2020, representando mais de um quinto do gasto total de varejo do país.

“Desde países maiores até os menores, uma coisa é fato: ninguém estava preparado para um crescimento tão veloz na demanda por sistema de logística, transportes e serviços de entrega”, reforça o professor da IBE Conveniada FGV, Agliberto Alves Cierco, doutor em Engenharia Oceânica pela UFRJ e Gestão Geral, Estratégia e Desenvolvimento Empresarial pelo ISCTE-IUL (Instituto Universitário de Lisboa).

Para o Brasil, o momento não veio sem desafios. De acordo com especialistas, o aumento no volume de compras deixou à mostra os maiores desafios do comércio no Brasil, a logística. “Com o aumento de vendas de uma hora para outra, elas perceberam a importância de valorizar essa etapa, pois ela faz parte da espinha dorsal do comércio eletrônico. Outro detalhe desafiador é que, depois da pandemia, quando o isolamento social acabar, tudo terá que funcionar em conjunto com as lojas físicas”, ressalta Agliberto, que também é professor convidado e coordenador do programa FGV Management.

De acordo com ele, antes das transformações causadas pela Covid-19, muitas empresas ainda não tinham a plena ciência sobre a importância de investir em seus canais de distribuição e depósitos. “Algumas até acreditavam cumprir essa etapa adequadamente, mas com o volume de compras, principalmente online, viram que o sistema utilizado estava ultrapassado, gerando graves consequências”.

Com o crescimento do e-commerce, cada vez mais o consumidor busca comodidade, segurança em não se expor aos riscos da Covid-19, adquirindo mercadorias que possam ser entregues no local que ele optar. “A pandemia atingiu empresas que estavam totalmente despreparadas na questão logística de suas entregas de produtos ou serviços. Em alguns casos, não é que a compra demora muito tempo para chegar até o cliente. Ela simplesmente não chega”, enfatiza o especialista FGV.

Mesmo com o prolongamento da pandemia, muitas empresas ainda enfrentam desafios e não conseguiram se adequar à nova realidade. “Durante as aulas na IBE Conveniada FGV, sempre conversamos sobre como as transformações são muito rápidas e de como as pessoas vivem de imediatismo. Hoje, com a toda a tecnologia que envolve o comércio, onde as compras são feitas com um simples ‘clique’, as empresas continuam não investindo corretamente na logística, cometendo graves erros em seu processo de distribuição”, comenta o professor.

Entre os maiores desafios, ele explica que os empresários ainda erram na etapa inicial de todo o processo, que é a preparação e separação do produto; se atrapalham no envio do pedido até a transferência do produto ao transportador e, consequentemente, falham no momento final, que é a realização da entrega física ao cliente.

Ainda segundo o especialista, falta de comunicação com o cliente, carência de detalhes sobre o rastreamento do pedido, frete reverso e as fraudes também têm sido grandes desafios das companhias. De acordo com o Agliberto, ao operar com uma estrutura de logística improvisada ou inadequada para o momento, a empresa pode ter um total fracasso no seu controle de distribuição, com gastos desnecessários nesse setor sendo aplicados em estratégias totalmente inadequadas.

“O resultado de uma logística problemática irá refletir no cliente final. Ele ficará insatisfeito como a empresa como um todo, podendo não voltar a fazer suas compras com a empresa. Perder clientes em períodos de crise é muito grave”, finaliza o especialista FGV.

Compartilhe:
Veja também em Conteúdo
Mulheres superam homens no transporte rodoviário de cargas pela primeira vez, aponta levantamento do IPTC
Mulheres superam homens no transporte rodoviário de cargas pela primeira vez, aponta levantamento do IPTC
Log Commercial Properties avança no Centro-Oeste e prepara novo condomínio logístico em Campo Grande (MS)
Log Commercial Properties avança no Centro-Oeste e prepara novo condomínio logístico em Campo Grande (MS)
Inteligência aduaneira ganha papel estratégico diante de tensões geopolíticas e riscos no comércio internacional
Inteligência aduaneira ganha papel estratégico diante de tensões geopolíticas e riscos no comércio internacional
Liberação de medicamentos OTC em supermercados pode colocar em disputa 34% das vendas das farmácias
Liberação de medicamentos OTC em supermercados pode colocar em disputa 34% das vendas das farmácias
Projeto Sucuriú mobiliza transporte de cargas pesadas entre portos de Santos e Paranaguá rumo a Mato Grosso do Sul
Projeto Sucuriú mobiliza transporte de cargas pesadas entre portos de Santos e Paranaguá rumo a Mato Grosso do Sul
Azul Cargo comemora 1 ano de operações dos seus cargueiros Airbus A321 com mais de 26,9 mil cargas transportadas
Azul Cargo comemora 1 ano de operações dos seus cargueiros Airbus A321 com mais de 26,9 mil cargas transportadas

As mais lidas

01

Falta de motoristas no TRC atinge 88% das empresas, eleva custos, trava crescimento e deixa frota aciosa, aponta pesquisa da NTC&Logística
Falta de motoristas no TRC atinge 88% das empresas, eleva custos, trava crescimento e deixa frota aciosa, aponta pesquisa da NTC&Logística

02

37% das capacidades que diferenciavam o varejo tornam-se básicas em 2026, aponta estudo da Manhattan Associates
37% das capacidades que diferenciavam o varejo tornam-se básicas em 2026, aponta estudo da Manhattan Associates

03

Guerra no Irã pressiona frete internacional e obriga empresas a rever estratégia de compras
Guerra no Irã pressiona frete internacional e obriga empresas a rever estratégia de compras