A escalada do preço do diesel no Brasil voltou a pressionar o transporte rodoviário de cargas, refletindo os impactos do conflito no Oriente Médio sobre o mercado internacional de combustíveis. Dados de abastecimento analisados pela TruckPag, startup especializada em meios de pagamento para frotas pesadas, indicam que a alta já se reflete nas operações logísticas e nos custos das transportadoras em diferentes regiões do país.
De acordo com o monitoramento em tempo real realizado a partir de dados de transações de abastecimento realizadas por transportadoras em todo o país, o diesel S10 apresentou aumento expressivo entre o final de fevereiro e a primeira quinzena de março. Entre 28 de fevereiro e 12 de março, o combustível registrou alta média nacional de 16,74%, evidenciando a rapidez com que os reajustes foram incorporados ao mercado.
Nesse período, o preço médio nacional do diesel chegou a R$ 6,69 por litro, ante cerca de R$ 5,73 antes do início do conflito. Em alguns estados, o aumento acumulado chegou a R$ 1,65 por litro. Além disso, estimativas da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom) apontam uma defasagem de aproximadamente 41% em relação ao preço internacional, o que indica potencial continuidade dos repasses ao longo das próximas semanas.

A evolução diária dos valores transacionados mostra que o movimento ganhou intensidade após os primeiros reajustes registrados no mercado. Em 28 de fevereiro, antes da escalada do conflito, o preço médio era de R$ 5,73. Já em 4 de março, o valor subiu para R$ 5,85, indicando o primeiro repasse relevante.
Nos dias seguintes, a trajetória de alta se intensificou. Em 6 de março, o diesel foi registrado a R$ 6,10, avançando para R$ 6,34 em 8 de março. Posteriormente, o combustível atingiu R$ 6,57 em 10 de março, chegando a R$ 6,69 por litro em 12 de março, considerando dados parciais do período.
Entre os estados com maior impacto no preço do diesel desde o início do conflito estão Maranhão, Pará, Piauí, Pernambuco, Paraná e São Paulo. No Maranhão, por exemplo, o aumento chegou a R$ 1,65 por litro, equivalente a 28,77%. No Pará, a elevação foi de R$ 1,34, ou 22,92%.
No Piauí, o diesel avançou R$ 1,25 por litro, representando alta de 20,99%, enquanto em Pernambuco o aumento chegou a R$ 1,13, ou 19,99%. Já no Paraná, o acréscimo registrado foi de R$ 1,07 por litro, equivalente a 18,95%, enquanto em São Paulo a elevação alcançou R$ 1,06, ou 18,62%.
Abastecimento de frotas
Além da elevação do preço do diesel, os dados operacionais analisados pela TruckPag apontam reflexos diretos na logística de abastecimento das frotas. O monitoramento das transações indica aumento no volume financeiro movimentado pelas transportadoras para aquisição de combustível.
Ao mesmo tempo, cresce a pressão sobre o custo do diesel nas operações de transporte rodoviário, que já representa um dos principais componentes do custo do frete no país. Operadores também relatam dificuldades de compra e cotas limitadas de abastecimento em algumas regiões, cenário que tem afetado a rotina das transportadoras.
Outro reflexo observado é o aumento do tempo de espera para abastecimento. Segundo relatos de operadores do setor, transportadoras enfrentam filas e longos períodos de espera em postos, o que pode gerar impactos adicionais na produtividade das frotas e nos prazos logísticos.
Diante desse cenário, a TruckPag avalia que os efeitos do conflito no Oriente Médio sobre o mercado internacional de petróleo tendem a continuar pressionando o preço do diesel no Brasil. A empresa acompanha a movimentação em tempo real por meio de dados de abastecimento e indica que os próximos dias devem ser decisivos para avaliar o comportamento do combustível e seus reflexos no transporte rodoviário de cargas e nas cadeias logísticas do país.









