Portos do Norte começam a desafogar o Sul

04/09/2015

No acumulado do ano, o País aumentou em 20% no volume de exportações de grãos. Em Paranaguá (PR), um dos principais portos do Sul, os embarques de milho, por exemplo, caíram 11,65% no período. Isso porque outras unidades portuárias, como as do Arco Norte, têm começado a assumir um papel importante entre as opções de escoamento.

A avaliação é do diretor-geral da Associação Nacional de Exportadores de Cereais (Anec), Sergio Mendes. Ao DCI, o executivo conta que o porto paraense de Barcarena praticamente dobrou o nível de embarques do segmento no acumulado deste ano. O volume de soja embarcada passou de 900 mil toneladas para 1,8 milhão.

“Em Santos, foram enviadas cinco milhões de toneladas só de milho em 2015, contra três milhões até o mesmo período do ano passado. Nasoja, a variação foi pequena, de 2,4 milhões para 2,7 milhões de toneladas.

Em Paranaguá (PR) houve queda de 4% no envio da oleaginosa até o momento. Ou seja, se as exportações de soja cresceram pouco ou até diminuíram em portos do Sul e Sudeste é porque isso está sendo compensado por outros portos, como os do Norte”, explica Mendes.

De acordo com o diretor, a situação ainda pode mudar, mas a relevância do Arco Norte – que é a principal aposta para desafogar a concentração do escoamento de granéis – começa a aumentar.

O Programa de Investimento em Logística (PIL), lançado pelo governo federal neste ano, prevê R$ 37,4 bilhões para os portos. Só no primeiro bloco de arrendamentos, dos 29 terminais portuários contemplados, 20 estão no Pará e apenas 9 em Santos, somando investimentos de R$ 4,7 bilhões.

Vale destacar a inauguração oficial do Terminal de Grãos do Maranhão (Tegram), realizada no último dia 10 de agosto, que recebeu aporte total de R$ 640 milhões, dos quais R$ 245 milhões foram financiados pelo BNDES.

  

Projeções do Sul

Justificada por uma “coincidência atípica” de embarques entre a sojaremanescente da safra 2014/2015 e a safrinha de milho, a Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (Appa) informa que está havendo uma “megaexportação” de grãos naquela região, que teve início em agosto e vai até meados de outubro.

Em nota, a entidade diz que, tradicionalmente, nesta época do ano, os embarques de soja começam a desacelerar, dando lugar ao milho colhido na safra de inverno. No entanto, o período ter um volume de movimentações 71% superior ao do mesmo período do ano passado, atingindo 5,48 milhões de toneladas de grãos no Corredor de Exportação. Mais de 80 navios graneleiros devem carregar no terminal.

Segundo a Appa, do total previsto, 1,792 milhão de toneladas ainda é remanescente da safra de soja, 1,595 milhão de toneladas de farelo desoja e 2,092 milhões de toneladas de milho safrinha.

O coordenador do Movimento Pró Logística – organização presidida pela Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT), Edeon Vaz Ferreira, comenta que esta concentração não está sendo vista em outras unidades portuárias.

“Paranaguá recebeu um aporte recente para ampliação, o que deve fazer com que suporte esse movimento maior, como é esperado por eles”, lembra Ferreira. Nos últimos quatro anos, de acordo com a Appa, foram investidos R$ 511 milhões nos portos do Paraná.

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