A expansão dos polos logísticos tem alterado de forma significativa a dinâmica do transporte rodoviário de cargas (TRC), especialmente em regiões estratégicas do Sudeste. Dados recentes apontam que o crescimento de galpões industriais e condomínios logísticos vem redesenhando rotas, custos e exigências operacionais para as transportadoras.
De acordo com levantamento da Binswanger e da Metro Quadrado, o setor vive uma fase de ampliação nacional impulsionada por fatores operacionais e macroeconômicos. Em 2024, Guarulhos lidera como principal destino, com 481,8 mil m², seguido por Cajamar, com 418,4 mil m². Na sequência aparecem Extrema (MG), Jundiaí (SP) e, empatados, Contagem (MG) e Betim (MG), todos com volumes expressivos de área ocupada.
Nesse cenário, observa-se uma mudança no eixo tradicional de concentração logística. O fluxo que antes se restringia principalmente entre Guarulhos e Cajamar passou a incorporar novos centros estratégicos, como Extrema, Jundiaí e Betim. Como resultado, há impactos diretos no transporte rodoviário de cargas, já que custos de armazenagem e ocupação imobiliária influenciam diretamente o valor do frete. Entre 2020 e 2025, o volume de empreendimentos no setor praticamente dobrou.

Mudança na geografia operacional do transporte rodoviário
Esse movimento também está relacionado à reestruturação pós-pandemia, período em que empresas buscaram maior proximidade com mercados consumidores. Assim, a localização dos centros logísticos passou a ser parte estratégica da operação, influenciando decisões sobre rotas, armazenagem, captação de clientes e custos internos, como manutenção de frota.
Na avaliação de José Alberto Panzan, diretor da Anacirema Transportes e da Federação das Empresas de Transporte de Cargas do Estado de São Paulo (FETCESP), a expansão dos polos está elevando o nível de complexidade do setor. “A expansão dos polos logísticos mudou, na prática, a régua de competitividade das transportadoras. Antes, muita operação era voltada para distância somada à capacidade de entrega. Hoje, por outro lado, somamos a distância, a inteligência de rede e a previsibilidade. No entanto, o impacto mais visível é a pressão por prazos menores, janelas mais rígidas e maior frequência de entregas, principalmente no eixo de distribuição urbana e regional, dessa forma, a empresa trabalha com planejamento mais fino, gestão de risco mais madura e controle operacional em tempo real”, afirma.
O TRC é responsável por mais de 65% da movimentação de produtos no Brasil, sendo fundamental para a integração entre produção, distribuição e consumo. Nesse contexto, o crescimento dos polos logísticos fortalece cadeias produtivas e amplia a relevância estratégica do setor para o desenvolvimento regional.
“O transporte rodoviário de cargas é a engrenagem que faz o polo logístico deixar de ser estrutura e virar economia real. Polo logístico sem rodovia eficiente, sem transportadora qualificada e sem operação bem coordenada pode se transformar em um estoque caro parado no lugar errado.”
Ainda segundo Panzan, o transporte conecta indústria, agro, comércio e consumidor, dá capilaridade e garante abastecimento. “Quando o TRC funciona bem, o centro logístico vira motor regional, atrai empresa, gera emprego, impulsiona serviços, cria demanda por manutenção, combustível, tecnologia, formação de mão de obra e até infraestrutura pública.”
Além disso, a proximidade entre polos logísticos e centros consumidores tende a gerar ganhos operacionais relevantes. A redução das distâncias contribui para ciclos de entrega mais curtos, maior produtividade da frota e melhor aproveitamento dos veículos.
“Quando você aproxima polos logísticos dos centros consumidores, você mexe na produtividade da operação inteira, não apenas no transporte em si. A primeira consequência é a redução do ciclo operacional da carga, quanto menor a distância entre o ponto de distribuição e o cliente final, menor o tempo de viagem, menor o tempo parado e maior o giro da frota. Na prática, isso significa que o mesmo caminhão consegue fazer mais entregas no mesmo dia, quando o veículo roda menos quilômetros improdutivos, aquele deslocamento longo apenas para chegar na região de entrega, você passa a transformar quilometragem em entrega efetiva”, finaliza o diretor do FETCESP.








