Com 5,8 milhões de metros quadrados, Mercado Livre e Shopee derrubam vacância de galpões logísticos

A disputa entre Mercado Livre e Shopee por maior eficiência nas entregas e redução dos prazos de distribuição já começa a impactar diretamente o mercado brasileiro de galpões logísticos. O movimento, impulsionado pela expansão acelerada do comércio eletrônico, vem reduzindo a taxa de vacância em regiões estratégicas próximas a rodovias, portos e grandes centros urbanos, além de pressionar os valores de locação e dos ativos imobiliários logísticos.

Segundo levantamento da Buildings, empresa especializada em pesquisa imobiliária corporativa, as duas plataformas somam atualmente 5,8 milhões de metros quadrados ocupados em operações logísticas no Brasil. Apenas no primeiro trimestre de 2026, foram mais de 800 mil metros quadrados em novos contratos.

O Mercado Livre, companhia de tecnologia e comércio eletrônico com forte atuação logística própria na América Latina, lidera a ocupação no país, com cerca de 4 milhões de m² distribuídos em 96 operações logísticas. Somente nos três primeiros meses de 2026, a empresa adicionou mais de 377 mil m² entre expansões e novas locações em dez centros logísticos. A maior movimentação ocorreu em Jacareí, no interior de São Paulo, com 134,2 mil m².

Já a Shopee, plataforma de e-commerce de origem asiática que vem ampliando sua presença logística no Brasil, encerrou o período com 1,8 milhão de m² ocupados em 113 operações e cerca de 440 mil m² em novos contratos no trimestre.

Estratégias diferentes pressionam mercado de galpões logísticos

De acordo com Douglas Curi, CEO da Sort Investimentos e especialista em investimentos logísticos, as duas empresas operam com estratégias distintas de expansão.

“A Shopee trabalha com uma presença mais distribuída, com operações espalhadas por diferentes regiões para reduzir prazos de entrega e ganhar eficiência na malha logística. Já o Mercado Livre vem apostando em estruturas maiores”, explica.

Embora o estado de São Paulo ainda concentre grande parte das operações, a pressão por novos condomínios logísticos já avança para outras regiões do país, especialmente no Sul. Segundo o executivo, cidades catarinenses localizadas próximas à BR-101 e a complexos portuários, como Itajaí, Navegantes, Garuva, Itapoá e Araquari, registram taxas de vacância inferiores a 3%.

Além disso, o metro quadrado nessas localidades já apresenta valorização superior a 20% ao ano, refletindo o aumento da procura por estruturas próximas a corredores logísticos estratégicos.

“Entre os ativos imobiliários, os galpões logísticos hoje registram a menor taxa de vacância do mercado. Isso acontece porque as grandes plataformas do varejo disputam tempo de entrega e proximidade com o consumidor, o que eleva a procura por estruturas localizadas em corredores estratégicos, perto de portos, rodovias e centros urbanos”, afirma o CEO da Sort Investimentos, empresa do Grupo Sort que atua nos segmentos imobiliário, tecnologia, indústria e varejo. Atualmente, o grupo administra mais de R$ 3 bilhões em ativos ligados ao segmento de galpões logísticos, mantendo taxa de vacância inferior a 3%.

O executivo acrescenta que a chegada de novas plataformas digitais ao mercado brasileiro também tende a ampliar a demanda por infraestrutura logística. Segundo ele, operações de empresas como Temu e TikTok Shop podem intensificar ainda mais a pressão sobre áreas com baixa oferta de ativos logísticos.

“Quando essa demanda chega a regiões com pouca oferta, o reflexo aparece rapidamente no aluguel e no valor do metro quadrado. Quem investe agora nessas áreas entra antes de um novo ciclo relevante de valorização”, conclui.

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