Mercado de caminhões recua 9,2% em 2025, enquanto produção cresce 1,4%, segundo a Anfavea

Os dados consolidados pela Anfavea mostram que, apesar do crescimento geral da indústria automotiva em 2025, o segmento de caminhões teve desempenho inferior ao restante do mercado. Enquanto os emplacamentos totais de autoveículos cresceram 2,1% na comparação com 2024, o mercado de caminhões registrou retração de 9,2%, evidenciando os efeitos mais intensos do cenário econômico sobre o transporte de cargas.

Ao longo do ano, foram emplacados 2,690 milhões de autoveículos no Brasil. Ainda assim, o volume ficou cerca de 100 mil unidades abaixo do registrado em 2019, último ano antes da pandemia. No caso específico dos caminhões, o impacto foi mais severo nos modelos pesados, voltados principalmente ao transporte de longas distâncias, que apresentaram queda de 20,5% em relação a 2024, segundo a associação.

Mercado de caminhões recua 9,2% em 2025, enquanto produção cresce 1,4%, segundo a Anfavea

Por outro lado, a produção de caminhões e ônibus mostrou resultado positivo. Em 2025, o setor produziu 152 mil unidades, e a projeção da Anfavea para 2026 indica avanço de 1,4%, totalizando 154 mil veículos. Esse crescimento, embora moderado, contrasta com a retração observada nas vendas internas e reflete, em parte, ajustes de mercado e expectativas de melhora gradual do ambiente econômico.

No cenário geral da indústria, a produção total de autoveículos atingiu 2,644 milhões de unidades em 2025, alta de 3,5% sobre o ano anterior. Para 2026, a expectativa é de crescimento de 3,7%, chegando a 2,741 milhões, com maior concentração nos veículos leves. Ainda assim, a Anfavea avalia que o desempenho do setor de caminhões seguirá condicionado ao custo do crédito e ao ritmo da atividade econômica.

Segundo o presidente da entidade, Igor Calvet, “o patamar elevado da taxa Selic e a persistência de tensões geopolíticas” continuam limitando uma recuperação mais consistente. Dessa forma, a associação projeta para 2026 um comportamento de mercado semelhante ao observado no segundo semestre de 2025, com crescimento mais contido e desafios específicos para o transporte rodoviário de cargas.

No comércio exterior, embora as exportações de autoveículos tenham avançado 32,1% em 2025, alcançando 528,8 mil unidades, o impacto direto sobre caminhões permanece restrito. A Anfavea prevê leve alta de 1,3% nas exportações em 2026, sustentada principalmente pela demanda argentina, mas sem indicar uma reversão imediata no desempenho do mercado interno de caminhões.

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