A logística ultraexpressa tem ganhado relevância no transporte B2B no Brasil diante do aumento da pressão por prazos menores, elevação dos custos operacionais e persistência de gargalos estruturais. O cenário se agravou com fatores globais e internos, como conflitos geopolíticos, taxações severas, deficiência da infraestrutura rodoviária, roubo de cargas, burocracia e altos custos logísticos. Em janeiro de 2026, esse contexto ficou ainda mais evidente com o anúncio da FedEx sobre o encerramento de suas operações de transporte doméstico no país, após mais de três décadas de atuação.

De acordo com o Índice de Frete Rodoviário da Edenred (IFR), o preço médio por quilômetro rodado encerrou 2025 com alta de 14,46% em relação a 2024, com expectativa de novas pressões em 2026, impulsionadas principalmente pelo aumento do ICMS sobre combustíveis. No transporte aéreo de cargas — fundamental para o modelo de logística ultraexpressa — os custos operacionais permanecem elevados. Ainda assim, a demanda segue em crescimento: segundo a IATA, o transporte aéreo acumulou alta de 5,5% até novembro de 2025, com projeção positiva de 2,6% para 2026, embora as margens das companhias aéreas permaneçam abaixo de 4%.
Nesse ambiente, ganha espaço o conceito de antifragilidade, formulado por Nassim Nicholas Taleb, que descreve sistemas capazes de se fortalecer diante do caos. Para Marcelo Zeferino, chief commercial officer (CCO) da Prestex, a logística ultraexpressa representa, na prática, essa abordagem. “Não basta resistir às crises do setor. Ganha competitividade quem é capaz de rapidamente crescer diante de tantas adversidades e imprevistos”, analisa.
Logística ultraexpressa e a pressão por lead time no B2B
Além disso, a redução do lead time — tempo total entre o pedido e a entrega final — deixou de ser uma exigência restrita ao B2C e passou a impactar fortemente o B2B. “Se uma compra pessoal chega em poucas horas ou dias, porque no B2B isso leva semanas ou até meses? É uma mudança cultural: deixar de ver o transporte urgente, ultraexpresso como exceção e passar a tratá-lo como parte da estratégia”, afirma Zeferino. Ainda assim, segundo ele, muitas indústrias seguem reticentes em adotar esse modelo como prática recorrente.
Dados do estudo da LogComex sobre lead time e monitoramento da Supply Chain no Brasil (2025) apontam reduções de até 20% nos prazos médios em operações de empresas que incorporaram logística expressa e ultraexpressa, aliadas a sistemas de rastreabilidade e visibilidade digital.
O executivo destaca que os ganhos vão além da redução de custos. “Na indústria automotiva, por exemplo, há cases no qual foi possível reduzir paradas de linha que custariam milhões por hora. Na área de saúde, além do impacto direto na vida das pessoas, garantindo a entrega de suprimentos críticos, uma empresa de Healthcare reduziu de 36 para 7 dias o lead time, e em 26% os custos operacionais com transporte. É a antifragilidade aplicada à logística”, sustenta.
Segundo Zeferino, empresas que incorporam a logística ultraexpressa aérea como rotina conseguem manter fluxos produtivos mesmo em cenários de crise, pois contam com protocolos e parceiros preparados para agir em minutos, e não em dias. Atualmente, setores como agronegócio, alimentos, papel e celulose já utilizam o transporte ultraexpresso como alternativa para reduzir estoques e aumentar flexibilidade operacional.
Outro fator relevante é o custo e a escassez de espaço em galpões logísticos, especialmente em grandes centros urbanos. A logística ultraexpressa permite estoques mais enxutos e maior adaptação às variações de consumo. Zeferino cita estudo recente do World Economic Forum sobre cadeias de suprimentos e o modelo just in time, que aponta a volatilidade como uma condição permanente. “Basta um simples movimento econômico de consumo e um produto e toda sua concepção, já não serve mais, é descartável. Quem não se adapta rapidamente está fadado a falir”.
Por fim, o especialista projeta maior integração tecnológica, antecipação de gargalos e ampliação de parcerias globais nos próximos anos, com a logística ultraexpressa cada vez mais integrada à rotina das empresas. “Com o movimento econômico que vem acontecendo, a imprevisibilidade toma conta, as decisões são rápidas, as mudanças mais rápidas ainda e as empresas e quem entender isso primeiro vai liderar os mercados.”




