A Associação Brasileira de Operadores Logísticos (ABOL) lançou, no último dia 18, em São Paulo, o “Guia Prático: Logística farmacêutica aplicada à gestão dos Operadores Logísticos”. A publicação foi apresentada durante uma programação dedicada à logística de produtos de interesse à saúde, realizada no auditório da sede da entidade.

Segundo a ABOL, o material é inédito no Brasil por abordar especificamente a atuação dos Operadores Logísticos na cadeia farmacêutica. O objetivo é reunir diretrizes que facilitem a aplicação das normas e promovam maior alinhamento entre os diferentes agentes envolvidos na movimentação, armazenagem e distribuição de medicamentos e produtos para a saúde.
A publicação ganha relevância diante da presença dos Operadores Logísticos nesse segmento. Atualmente, cerca de metade dos operadores atende a indústria. Entre as empresas filiadas à ABOL, essa participação chega a quase 90%, segundo dados apresentados pela entidade.
Guia reúne normas e orientações para os Operadores Logísticos
Elaborado ao longo de três anos por profissionais de empresas associadas à ABOL, o e-book foi desenvolvido em conformidade com as RDCs 430/2020, 938/2024 e 939/2024, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). As resoluções estabelecem normas relacionadas ao armazenamento, transporte e distribuição de medicamentos e produtos para a saúde.
A proposta é aproximar a legislação da realidade das operações logísticas e contribuir para a criação de uma linguagem comum entre os diferentes elos da cadeia de suprimentos.
“É um marco para a ABOL. Hoje, temos na mesma sala, a indústria, o Operador e os agentes federais, quem fiscaliza e quem regula. O próximo passo é ampliar esse olhar para todo o ecossistema, incluindo a última milha, pois tudo o que precisamos alcançar, em termos de investimento, cumprimento da legislação e qualidade, deve estar conectado até a chegada do medicamento à casa do consumidor”, destacou o presidente do Conselho Deliberativo da ABOL, Ricardo Buteri.
Um dos pontos centrais do guia é transformar conceitos regulatórios em orientações aplicáveis ao cotidiano dos Operadores Logísticos. O material reúne informações sobre boas práticas, segurança ambiental, regimes fiscais e logística reversa, além de uma tabela de compatibilidade elaborada a partir da consulta a mais de 200 farmacêuticos.
O conceito de Cross Docking também recebe destaque na publicação. A dificuldade de interpretar o termo e relacioná-lo às exigências normativas foi uma das questões que deram origem ao projeto, especialmente diante da necessidade de diferenciar a chamada mercadoria em trânsito de uma atividade de armazenagem.
O e-book apresenta terminologias e parâmetros que podem contribuir para essa distinção e reduzir percepções divergentes durante processos de fiscalização.
“Quando começamos o trabalho, precisávamos explicar a taxonomia de crossdocking. Há anos buscamos esclarecer essa questão, principalmente depois da RDC 430. O guia nasceu dessa necessidade de colocar na prática a figura do OL dentro desse universo”, explicou o CCO Life Sciences da AGV e diretor de Logística de Produtos de Interesse à Saúde da ABOL, Kleber Fernandes, responsável pela coordenação dos trabalhos.

Terminal de carga e armazenagem
A publicação também diferencia o terminal de carga, onde ocorrem atividades como recebimento, transbordo, agendamento e troca de produtos, das estruturas destinadas à armazenagem.
A distinção é relevante para a cadeia farmacêutica, considerando as exigências relacionadas a temperatura, rastreabilidade e integridade dos medicamentos. Esses fatores tornam os processos logísticos mais complexos e exigem procedimentos específicos de controle.
Para Fernandes, o guia deve ser considerado um material de apoio em constante evolução. “Queremos que seja um livro simples e objetivo, uma leitura de cabeceira. Não é uma verdade absoluta. Temos certeza de que, em pouco tempo, essa literatura receberá novos inputs. A meta é somar à curva de aprendizado do setor”, complementou.
ABOL aponta necessidade de uniformidade regulatória
Outro ponto destacado durante o evento foi a necessidade de maior uniformidade na aplicação das normas em todo o território nacional. Segundo a entidade, diferentes entendimentos entre estados e municípios em relação a licenciamento, estruturas e procedimentos ainda representam obstáculos para o desenvolvimento das atividades.
“Precisamos de uma logística farmacêutica cada vez mais segura e eficiente. O alinhamento é necessário para que as empresas consigam planejar seus investimentos e operações com maior assertividade”, afirmou a diretora executiva da ABOL, Marcella Cunha.
A obtenção e a renovação de licenças, assim como a implantação de novas estruturas, podem levar meses, segundo a associação, gerando impactos financeiros e operacionais para as empresas e para a cadeia de abastecimento.
Em determinados casos, o prazo para iniciar uma operação farmacêutica pode superar 120 dias e chegar a 180 dias, dependendo da complexidade e das exigências envolvidas.
Para Fernandes, a diversidade de atividades desempenhadas pelos Operadores Logísticos torna necessário um entendimento mais amplo sobre o papel dessas empresas na cadeia.
“O Operador Logístico é plural e multidisciplinar, aglutinando diferentes funções. O guia nasce justamente para mostrar essa complexidade e contribuir para que todos possam falar a mesma língua”, resumiu.
O “Guia Prático: Logística farmacêutica aplicada à gestão dos Operadores Logísticos” está disponível para consulta no site da ABOL – https://abolbrasil.org.br/pdf/logistica-farmaceutica-aplicada-a-gestao-dos-operadores-logisticos.pdf








