O varejo e a logística devem enfrentar, em 2026, um dos contextos mais desafiadores da última década, marcado por forte pressão operacional e maior complexidade na gestão das cadeias de suprimentos. O calendário nacional prevê 10 feriados oficiais, muitos deles combinados de forma a gerar períodos prolongados de paralisação parcial das operações. Como resultado, o setor deve conviver com picos de consumo concentrados, maior risco de gargalos no transporte, estoques mais tensionados e exigência crescente por previsibilidade.
Nesse cenário, empresas de diferentes portes vêm acelerando a adoção de tecnologias logísticas capazes de ampliar a visibilidade da operação, reduzir custos e apoiar decisões em tempo real. Para Alvaro Loyola, Country Manager da Drivin Brasil, o próximo ano tende a separar organizações que conseguiram digitalizar seus processos de ponta a ponta daquelas que seguirão mais expostas a atrasos, rupturas e ineficiências.
“Em um ano com tantas janelas reduzidas e alta oscilação de demanda, processos manuais deixam de ser uma opção. A tecnologia precisa estar integrada a cada etapa da cadeia. O que era diferencial se tornou obrigação para quem quer disputar mercado”, afirma Loyola.

Tecnologias que devem moldar a logística 2026
Entre as tendências apontadas, a IA autônoma para gestão operacional desponta como um dos principais vetores de mudança. Sistemas de inteligência artificial generativa e preditiva passam a assumir decisões críticas relacionadas a rotas, alocação de frota, compras e abastecimento. “Estamos vendo, pela primeira vez, as empresas confiarem de fato na autonomia da IA. Ela atua como um ‘co-piloto’ operacional, antecipando gargalos e garantindo níveis de eficiência impossíveis apenas com processos manuais”, diz Loyola.
Ao mesmo tempo, a chamada logística verde 2.0 ganha espaço, impulsionada por soluções ESG em tempo real, maior viabilidade de veículos elétricos ou híbridos e pela rastreabilidade completa das emissões de carbono. A pressão combinada de consumidores e investidores tende a acelerar esse movimento, aproximando sustentabilidade e desempenho operacional.
Outro avanço relevante é o rastreamento hiperpreciso com IoT avançado. Sensores mais acessíveis, robustos e conectados elevam o nível de visibilidade da cadeia logística, permitindo o acompanhamento de mercadorias praticamente minuto a minuto. Esse controle contribui para reduzir perdas, reforçar a segurança e melhorar a gestão de riscos.
Os sistemas de gestão também passam por transformação. O TMS deixa de ser apenas uma ferramenta de transporte e assume o papel de hub de dados corporativo, integrando informações de demanda, estoque, distribuição, atendimento e performance. Dessa forma, amplia-se a capacidade analítica e estratégica sobre toda a operação.
Além disso, a automação de ponta a ponta no last mile deve concentrar investimentos relevantes. Soluções como microfulfillment centers, lockers inteligentes, roteirização dinâmica e entregas personalizadas tornam-se determinantes para a competitividade na última milha. Em paralelo, os digital twins operacionais permitem simular cenários complexos em centros de distribuição, plantas e redes de transporte antes da tomada de decisão, reduzindo riscos e orientando investimentos.
Por fim, o fortalecimento de cadeias de suprimentos resilientes ganha prioridade, com múltiplas fontes de fornecimento, estoques inteligentes e sistemas capazes de antecipar impactos em um ambiente ainda marcado por volatilidade e incerteza.
Para Loyola, antecipar esses movimentos será decisivo. “A combinação dessas tecnologias cria um novo patamar de gestão para todo o setor. Em 2026, as empresas que investirem nesses pilares não estarão apenas mais eficientes, mas sim melhor preparadas para liderar o futuro do varejo e da logística”, conclui.









