Log-In mira na carga fracionada para ganhar espaço

17/11/2020

O grupo de cabotagem brasileiro Log-In aposta na carga fracionada para expandir as operações e crescer no concentrado mercado de transporte marítimo que divide com multinacionais atuantes no país.

A estratégia é desenvolver tecnologias e soluções logísticas para o transporte de cargas menores e mais diversificadas em um mesmo contêiner, a fim de aumentar receita a médio prazo, em paralelo à disputa por grandes clientes, que embarcam volumes maiores. Em vez de toneladas, as cargas fracionadas estariam na casa das centenas de quilos, sendo combinadas para que a operação não perca eficiência ou margem de lucro.

Segundo o diretor-presidente da empresa, Marcio Arany, esse incremento se dará por fora da disputa com as líderes de mercado, como Aliança Navegação e Logística, braço do grupo alemão Hamburg Sud, e a Mercosul Line, que integra o grupo francês CMA CGM. A principal competição na nova frente da Log-in, diz o executivo, é o modal rodoviário. “Hoje, no Brasil, a cada seis contêineres em cima de caminhões, existe apenas um na cabotagem. Há um mercado enorme a ser explorado”, diz.

O presidente diz que, apesar das perdas inevitáveis, a pandemia se mostrou eficiente catalisadora para a atração de clientes que só transportavam na estrada. Isso porque, no auge da crise, a restrição de circulação interestadual levou alguns produtores a experimentarem a cabotagem, serviço que não foi paralisado.

Segundo o diretor de relações com investidores da empresa, Pascoal Gomes, há no Brasil uma numerosa geração de fabricantes de porte médio amadurecendo plantas e estratégias de distribuição, e que já estariam aptas a migrar para o frete entre portos marítimos. “Esse movimento será mais palpável quando a retomada da economia pós-covid 19 se consolidar”, diz. Com isso, a Log-In planeja triplicar o número de clientes, passando de pouco mais de mil para 3 mil empresas atendidas.

Para o plano avançar, porém, é preciso investir em tecnologia para facilitar o controle das cargas pelos clientes, tornando viável a operação. Ainda este ano, a Log-In planeja introduzir plataforma digital de rastreamento de cargas em tempo real, que desobriga o atendimento de clientes por operadores humanos e permitirá rápida expansão da carteira de clientes.

O balanço do terceiro trimestre da Log-In, divulgado ontem, apontou lucro líquido de R$ 9,1 milhões e receita líquida de R$ 298,5 milhões, 7,3% acima do reportado em igual período de 2019. O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebtida) foi de R$ 83,9 milhões, 20% maior na comparação anual. O resultado veio em linha com o esperado pela empresa antes da pandemia, o que denota retomada da atividade. Os executivos reconhecem um efeito de compensação da pandemia na demanda dos clientes.

Segundo Gomes, no pico da pandemia, a empresa não teve prejuízo, mas sofreu com a paralisação de fábricas e portos por mais de 40 dias em cidades chaves, como Manaus. A solução foi buscar novos clientes e intensificar operações em trechos livres, mais curtos e, por isso, menos rentáveis.

Também contribuiu a operação do Terminal Portuário de Vila Velha, no Espírito Santo, cuja concessão foi renovada até 2048. A instalação foi adaptada para receber cargas gerais, ou seja, fora de contêineres, como grãos e aço. A estocagem e o tratamento dessas cargas, 30% do que passa por ali, além de serviços acessórios, como rotulagem de produtos, foram importantes fontes de receita quando a cabotagem desacelerou na crise.

Fonte: Valor

Compartilhe:
Veja também em Conteúdo
IFOY AWARD 2026 premia soluções de automação, robótica e inteligência artificial aplicadas à intralogística
IFOY AWARD 2026 premia soluções de automação, robótica e inteligência artificial aplicadas à intralogística
CMA CGM Air Cargo inicia operação no Brasil com rota entre Hong Kong, França e Campinas, SP
CMA CGM Air Cargo inicia operação no Brasil com rota entre Hong Kong, França e Campinas, SP
Brado Logística avança na descarbonização do transporte rodoviário com uso de GNL no Maranhão
Brado Logística avança na descarbonização do TR com uso de GNL no Maranhão
Viracopos vence pela segunda vez o Prêmio de Aeroporto de Carga do Ano no ACW Awards
Viracopos vence pela segunda vez o Prêmio de Aeroporto de Carga do Ano no ACW Awards
Supply Chain no Brasil em 2026 foca redução de custos e eficiência, mostra pesquisa do Procurement Club
Supply Chain no Brasil em 2026 foca redução de custos e eficiência, mostra pesquisa do Procurement Club
Portocel desembarca 4.300 veículos da GWM e já chega a 50 mil carros movimentados em 2026
Portocel desembarca 4.300 veículos da GWM e já chega a 50 mil carros movimentados em 2026

As mais lidas

01

Seguros obrigatórios para TR entram em vigor em julho e exigem adequação, alerta Pamcary
Seguros obrigatórios para TR entram em vigor em julho e exigem adequação, alerta Pamcary

02

R$ 1 bilhão em transações logísticas reacende interesse por fundos imobiliários do setor, aponta Colliers
R$ 1 bilhão em transações logísticas reacende interesse por fundos imobiliários do setor, aponta Colliers

03

LOTS Group promove workshop sobre biometano e eficiência operacional em São José dos Campos, SP 
LOTS Group promove workshop sobre biometano e eficiência operacional em São José dos Campos, SP