Indústria ferroviária mantém estabilidade

03/12/2015

Apesar do cenário econômico por que passa o País, o desempenho da indústria ferroviária em 2015 poderá ser considerado satisfatório. Entretanto, no segundo semestre houve uma queda nos volumes de fabricação, sinalizando certas dificuldades para 2016.

Carga – De acordo com o diretor do SIMEFRE (Sindicato Interestadual da Indústria de Materiais e Equipamentos Ferroviários e Rodoviários), Vicente Abate, o volume de vagões de carga deverá ter um aumento de 18% em relação à previsão para o ano, com a entrega de 4.708 unidades em 2015, mesmo volume entregue em 2014. Nas locomotivas, o volume a ser entregue no ano deverá chegar a 110 unidades, 22% acima da previsão, superior também às 80 locomotivas entregues em 2014.

Passageiros – A entrega de veículos de passageiros sofreu uma redução de 20% em relação ao previsto, com um volume total de 337 unidades (carros de passageiros, monotrilhos e VLTs). Segundo o vice-presidente do SIMEFRE, Luiz Fernando Ferrari, o setor de veículos de passageiros está sendo afetado pela situação econômica, com reflexos já em 2015 pelo atraso em novas encomendas que, pela natureza e tipo de ciclo industrial, trará impactos na produção a partir de 2017. O ritmo de produção está sendo adequado ao novo volume esperado de encomendas.

Exportações – As exportações aumentaram no setor de veículos de passageiros,  graças às encomendas para a África do Sul e Argentina, com uma entrega de 84 carros no ano contra 60 unidades em 2014. Houve um acréscimo também em vagões, com exportação de 75 unidades contra 10 em 2014. Já nas locomotivas, o volume foi de apenas 6 unidades em 2015, volume pouco acima do exportado em 2014. Os fabricantes de rodas e grampos de fixação continuaram com bons volumes de exportação, que tendem a evoluir em 2016 em função do câmbio favorável.

Investimentos e Faturamento – Na análise dos diretores do SIMEFRE, a indústria ferroviária nacional está plenamente capacitada para atender aos volumes previstos pelo mercado e terá sua capacidade aumentada com a instalação de novas unidades industriais em Taubaté/SP, pela Alstom, e em Araraquara/SP, pela Hyundai Rotem, Randon e Ibayo CLK. A expectativa é de fechar o ano de 2015 com um faturamento similar ao de 2014, de R$ 5,6 bilhões.

Incentivos – Num cenário em que alguns incentivos foram revistos pelo Governo, como a desoneração da folha de pagamentos e o aumento das taxas de juros para o PSI, o setor conseguiu a prorrogação do REPORTO e obteve o MODERNIZA BK do BNDES.  “As indefinições ainda existentes na execução dos programas do PAC e do PIL, aliadas ao momento da economia brasileira, não nos  permitem antever o bom desempenho que tivemos nos dois últimos anos, podendo haver uma ligeira diminuição nos volumes de veículos no próximo triênio, afetando inclusive a sua cadeia produtiva e a de materiais para via permanente”, ressalta Ferrari.

Perspectivas – “Estimamos para 2016 uma produção e entrega de 4.000 vagões de carga (50 para exportação), 100 locomotivas (10 para exportação) e 473 carros de passageiros e VLTs (72 carros para exportação)”, sinaliza Abate.

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