Prioridades para a carga aérea global incluem digitalização, padrões internacionais e segurança operacional, destaca IATA

A Associação do Transporte Aéreo Internacional (IATA) destacou três prioridades estratégicas para o futuro da carga aérea global: acelerar a digitalização, fortalecer padrões globais e aprimorar a segurança operacional ao longo das cadeias logísticas. O posicionamento foi apresentado ontem, 10 de março, durante a abertura do Simpósio Mundial de Cargas da entidade (World Cargo Symposium – WCS), realizado em Lima, no Peru.

Segundo Brendan Sullivan, diretor Global de Cargas da IATA, o transporte aéreo de mercadorias tem papel central na economia mundial ao conectar empresas a mercados internacionais e sustentar o funcionamento das cadeias de suprimentos. No entanto, o setor enfrenta um ambiente operacional cada vez mais complexo.

“A carga aérea desempenha um papel crítico ao conectar empresas aos mercados globais e manter as cadeias de suprimento em funcionamento, mesmo à medida que o ambiente operacional se torna mais complexo. Com tantos eventos externos impactando as cadeias globais de suprimento – incluindo choques tarifários e geopolíticos – é importante trabalharmos para construir resiliência nas áreas que podemos controlar ou influenciar. Trabalhar juntos para fortalecer a digitalização, os padrões globais e a segurança das cadeias logísticas colocará o transporte aéreo de carga em uma posição sólida para continuar apoiando o crescimento econômico ao conectar produtos aos mercados”, afirmou Sullivan.

Digitalização da carga aérea

Entre as prioridades apresentadas, a digitalização da carga aérea aparece como um dos principais desafios. Atualmente, os dados do transporte de cargas ainda estão distribuídos em sistemas fragmentados ao longo da cadeia logística, o que pode gerar duplicação de informações, atrasos operacionais e riscos de conformidade regulatória.

Esse cenário se torna ainda mais complexo em segmentos de grande volume, como o comércio eletrônico, em que os dados do house waybill precisam permanecer alinhados aos registros do master air waybill das companhias aéreas em diferentes sistemas e jurisdições.

“O ONE Record representa uma mudança estrutural na forma como a indústria compartilha, gerencia e confia nos dados ao longo da cadeia logística”, disse Sullivan.

Desde janeiro de 2026, o ONE Record, padrão global para compartilhamento de dados de carga de ponta a ponta, tornou-se o método preferencial de troca de informações no setor. Embora companhias aéreas responsáveis por mais de 70% do volume global de air waybills estejam avançando na implementação, a IATA aponta que o processo pode ser acelerado com maior participação de empresas e governos.

Entre as ações necessárias estão a ampliação da adoção por companhias aéreas e agentes de carga, o reconhecimento de dados do ONE Record em declarações regulatórias e o desenvolvimento de plataformas tecnológicas seguras e interoperáveis por provedores de tecnologia.

Outro ponto destacado pela entidade envolve o fortalecimento de padrões globais para garantir maior eficiência na circulação internacional de cargas. A IATA concentra esforços especialmente em duas áreas: o transporte de mercadorias perigosas e a gestão de slots aeroportuários.

No caso dos Regulamentos de Mercadorias Perigosas (DGR), o número de variações nacionais e de operadores já ultrapassa 1.200, o que aumenta a complexidade em um setor cuja segurança depende de normas uniformes. Embora diferenças regulatórias possam existir, a entidade defende que elas sejam transparentes e alinhadas aos padrões internacionais.

Já em relação aos slots aeroportuários, a IATA destacou que o acesso equilibrado à infraestrutura é fundamental para operações eficientes de carga aérea. Em alguns grandes hubs — incluindo Bogotá, Dubai, Heathrow e Gatwick — companhias cargueiras frequentemente recebem apenas slots temporários ou ad hoc, em vez de alocações históricas. Isso pode limitar a flexibilidade operacional e dificultar o planejamento de longo prazo das empresas.

“Padrões globais e acesso justo à infraestrutura são essenciais. À medida que o comércio mundial evolui, alinhar requisitos regulatórios e garantir uma alocação transparente de slots será fundamental para manter uma conectividade confiável da carga aérea”, afirmou Sullivan.

Por fim, a segurança operacional permanece como uma prioridade permanente para o setor. De acordo com a IATA, é necessário garantir que os marcos regulatórios e os processos de proteção da carga acompanhem as mudanças nas cadeias logísticas, que estão cada vez mais digitais, rápidas e complexas.

Um dos pontos citados envolve o transporte seguro de mercadorias perigosas, cuja base regulatória global é o Anexo 18 da Organização da Aviação Civil Internacional (OACI). A entidade avalia, porém, que a regulamentação precisa ser atualizada para lidar com riscos emergentes, como mercadorias perigosas não declaradas e o uso inadequado de baterias de lítio.

Além disso, a segurança das cadeias logísticas também depende de processos consistentes para prevenir interrupções maliciosas. Nesse contexto, a Declaração de Segurança da Remessa de Carga (CSD) é considerada uma ferramenta importante de conformidade. No entanto, a implementação do mecanismo ainda é desigual entre diferentes países.

Por isso, a IATA defende a adoção mais ampla das soluções eletrônicas de CSD (e-CSD), que podem melhorar a precisão das informações, reduzir processos manuais e fortalecer a supervisão de segurança. A entidade também ressaltou a importância de maior alinhamento entre programas de informação antecipada de carga antes do embarque.

“Segurança é responsabilidade compartilhada em todo o ecossistema de carga aérea. Modernizar as estratégias globais e fortalecer a cooperação entre governos e indústria será essencial para garantir que o comércio mundial continue se movendo de forma segura e confiável”, concluiu Sullivan.

Compartilhe:
Veja também em Transporte aéreo
Cargueiro E190F da Embraer entra em operação comercial com a Bridges Air Cargo na Europa
Cargueiro E190F da Embraer entra em operação comercial com a Bridges Air Cargo na Europa
Azul Cargo comemora 1 ano de operações dos seus cargueiros Airbus A321 com mais de 26,9 mil cargas transportadas
Azul Cargo comemora 1 ano de operações dos seus cargueiros Airbus A321 com mais de 26,9 mil cargas transportadas
Viracopos, SP, é finalista no ACW Awards 2026 como Aeroporto de Carga do Ano
Viracopos, SP, é finalista no ACW Awards 2026 como Aeroporto de Carga do Ano
Braspress Air Cargo amplia frota aérea com terceiro Boeing 737-400 e projeta expansão para o Nordeste
Braspress Air Cargo amplia frota aérea com terceiro Boeing 737-400 e projeta expansão para o Nordeste
Governo publica edital do leilão do Aeroporto do Galeão com lance mínimo de R$ 932 milhões
Governo publica edital do leilão do Aeroporto do Galeão com lance mínimo de R$ 932 milhões
IATA alerta que desafios da cadeia de suprimentos podem gerar prejuízo bilionário às companhias aéreas em 2025
Gargalos na cadeia de suprimentos aeroespacial limitam companhias aéreas, diz IATA

As mais lidas

01

Links Field e Virtueyes firmam parceria para ampliar conectividade IoT no setor de logística e transporte
Links Field e Virtueyes firmam parceria para ampliar conectividade IoT no setor de logística e transporte

02

Assaí amplia parceria com iFood e leva delivery a um terço de suas lojas no Brasil
Assaí amplia parceria com iFood e leva delivery a um terço de suas lojas no Brasil

03

Digitalização logística no Brasil cresce 23% ao ano impulsionada por pressão por eficiência operacional
Digitalização logística no Brasil cresce 23% ao ano impulsionada por pressão por eficiência operacional