Santa Catarina vira hub logístico do Carnaval: importações via Porto de Itajaí crescem 71%, aponta Logcomex

O mercado brasileiro de artigos carnavalescos segue em trajetória de crescimento. No entanto, os dados mais recentes indicam que os estados que concentram o consumo e o impacto econômico da festa não são, necessariamente, aqueles que realizam a maior parte das importações diretas. Essa é a principal constatação de um levantamento da Logcomex, empresa de tecnologia para o comércio exterior, que analisou a dinâmica logística do setor.

A pesquisa considerou as importações brasileiras de fantasias, adereços para festas, flores artificiais, penas, lantejoulas, chapéus, tiaras e acessórios utilizados em blocos de rua, escolas de samba e carros alegóricos, no período de janeiro a novembro de 2025, em comparação com o mesmo intervalo de 2024. A partir desses dados, observa-se uma reorganização da matriz de entrada desses produtos no país.

Nesse contexto, Santa Catarina se consolida como hub logístico Carnaval. As importações via Porto de Itajaí cresceram 71%, passando de US$ 4,7 milhões para US$ 8,1 milhões no período analisado. Além disso, o Porto de São Francisco do Sul também apresentou avanço, com alta de 12%, saindo de US$ 7,4 milhões para US$ 8,2 milhões.

Embora o Estado não figure entre os maiores consumidores finais de artigos carnavalescos, Santa Catarina concentra a entrada física e a nacionalização dos insumos. Posteriormente, esses produtos são redistribuídos para mercados como São Paulo, Rio de Janeiro e outras regiões. Dessa forma, o movimento reforça o papel do Sul como polo estruturante da logística nacional voltada ao Carnaval, aponta a pesquisa.

Por outro lado, a Região Sudeste segue como principal centro de consumo, respondendo por 43% do impacto econômico do Carnaval no país. O Porto de Santos registrou estabilidade, com US$ 8,9 milhões importados no período. Já o Porto do Rio de Janeiro apresentou crescimento de 24%, passando de US$ 5 milhões para US$ 6,2 milhões, sinalizando um fortalecimento da importação direta para atender tanto o complexo industrial das escolas de samba quanto o Carnaval de rua fluminense.

“Os dados indicam uma centralização logística cada vez maior. Santa Catarina funciona como porta de entrada, enquanto os grandes centros consumidores optam por adquirir produtos já internalizados, reduzindo a complexidade das operações locais”, analisa Helmuth Hofstatter, CEO da Logcomex.

Bahia e Pernambuco: grandes festas, menor importação direta

O contraste torna-se evidente ao observar Bahia e Pernambuco, estados que sediam algumas das maiores manifestações carnavalescas do país. Em Pernambuco, por exemplo, Recife abriga o Galo da Madrugada, reconhecido como o maior bloco de Carnaval do mundo, reunindo milhões de foliões.

Ainda assim, as importações diretas recuaram de forma expressiva. As compras via Porto de Suape (PE) caíram 62%, passando de US$ 4 milhões em 2024 para US$ 1,5 milhão em 2025. Já a ALF Salvador (BA) registrou retração de 35% no mesmo período.

No Norte do país, as importações via Porto de Manaus recuaram 8%, passando de US$ 240,3 mil para US$ 222 mil. Essa dinâmica é influenciada pelo Festival de Parintins, cujos adornos e carros alegóricos demandam insumos especializados. A redução pode indicar maior dependência da redistribuição nacional, com abastecimento a partir de grandes centros logísticos, especialmente São Paulo e Rio de Janeiro, alcançando estados como Roraima, Rondônia e Amapá.

“Essa dinâmica indica que organizadores e fornecedores locais têm priorizado a compra de insumos já nacionalizados, sobretudo provenientes do Sul e do Sudeste. Com isso, a disponibilidade de produtos no varejo regional passa a depender mais dos custos de frete interno e da eficiência da malha rodoviária e da cabotagem do que das variações do frete internacional”, explica Hofstatter.

Esse processo ocorre em um cenário de expansão do mercado. Entre janeiro e novembro de 2025, o valor total importado de artigos carnavalescos e insumos para festividades cresceu 10,8% em relação ao mesmo período de 2024, segundo a Logcomex. O crescimento foi impulsionado principalmente pelos artigos para festas e carnaval, que avançaram 36%, passando de US$ 12,5 milhões para US$ 17,1 milhões.

Outro ponto relevante é o pico das importações entre setembro e novembro de 2025, indicando que a preparação logística para o Carnaval ocorre com meses de antecedência. O avanço de insumos estruturais, como adornos para carros alegóricos, reforça um modelo de planejamento mais antecipado e centralizado.

Para Hofstatter, os dados demonstram que, independentemente do porte ou do formato da festa, o abastecimento do Carnaval brasileiro depende cada vez mais de planejamento logístico, antecipação e redistribuição em escala nacional.

“O Carnaval continua crescendo, mas a forma como ele é abastecido mudou. Hoje, eficiência logística, antecipação e capacidade de redistribuição são tão importantes quanto a criatividade e a escala das festas”, conclui Hofstatter

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