Grupo Sanofi terá no Brasil controle total do processo logístico e de fabricação

18/10/2016

A preocupação com operações logísticas interligadas e eficientes no setor farmacêutico ganhou importância nos últimos anos, graças à evolução e competitividade do mercado. De acordo com Rodrigo Alponti, diretor de Supply Chain Brasil do Grupo Sanofi (Fone: 0800 7030014), o aumento da concorrência trouxe um desafio de otimização não apenas de custos operacionais, mas também da qualidade e eficiência da entrega dos produtos aos clientes.

Além disso, as mudanças no ambiente regulatório, com crescentes requerimentos tecnológicos e de rastreabilidade da cadeia de medicamentos também impactaram os custos logísticos. “Ganhamos eficiência com a unificação das operações logísticas de Sanofi, Sanofi Pasteur e Medley, a partir do investimento em um novo Centro de Distribuição em Guarulhos, SP, que começou a operar no fim de 2015”, conta.

Com investimentos de € 200 milhões até 2020, o complexo tem 36.000 m², o equivalente a quase cinco estádios de futebol. Quem fala mais sobre ele é Carlos Aguiar, diretor de negócios da Medley (Fone: 0800 7298000). “O Brasil é o primeiro país em que o Grupo Sanofi terá controle sobre todo o processo de fabricação, armazenagem e logística de distribuição, garantindo ainda mais rigor na entrega de seus produtos”, expõe.

O CD está localizado a 30 km da fábrica de Suzano (maior plataforma industrial do Grupo Sanofi no Brasil e uma das maiores do mundo); próximo ao Aeroporto de Guarulhos, oferecendo maior agilidade para atender a demandas urgentes; e a 150 km de Campinas, onde está a fábrica da Medley.

Aguiar explica que a unificação permite maior racionalização de recursos com eficiência e agilidade nas entregas dos produtos aos distribuidores e, consequentemente, aos pacientes nos pontos de venda. “Há ganhos operacionais de até 30%, graças à redução do tempo de entrega e à utilização otimizada dos transportes. Com o pedido agendado, a carga fica pré-selecionada no CD, para que o caminhão permaneça o menor tempo possível na operação de carregamento”, revela.

Desafios

De acordo com Alponti, a distribuição física é um dos maiores desafios enfrentados pelo segmento. “O modal rodoviário é o principal meio de transporte no país, com grande impacto nos custos logísticos. E apesar de possuir uma extensa malha rodoviária, uma das mais extensas do mundo, o Brasil tem apenas 13% das rodovias pavimentadas. Pelas suas dimensões continentais, deveríamos ter possibilidades de diversificar o transporte através da utilização dos modais menos explorados, como o ferroviário e a cabotagem. A solução não é mágica: é preciso investimentos no setor”, declara.

Para o diretor de Supply Chain Brasil do Grupo Sanofi, o sucesso na terceirização das atividades com Operadores Logísticos depende da relação entre custo e qualidade e da eficiência da cadeia de fornecimento. É importante também ter uma estratégia definida para lidar com o custo de oportunidade na terceirização, seja em estoques ou em transporte, levando em consideração a complexidade do segmento.

Em sua opinião, o mesmo conceito vale para as transportadoras. “A decisão de terceirizar a operação através de um Operador Logístico gerindo a cadeia completa ou através da contratação direta deste serviço deve ser pautada por uma profunda avaliação do que faz sentido para cada empresa”, expõe, acrescentando que a solução adotada por uma indústria farmacêutica em relação ao modelo logístico vigente pode não servir de regra para as demais. Em cada modelo de negócio existem prós e contras, que devem nortear qualquer decisão a ser tomada.

Segundo Alponti, o modelo tradicional de Operador Logístico passa por uma rápida evolução. “Neste cenário, soluções inteligentes e parcerias inovadoras terão destaque. As transportadoras, por sua vez, vão precisar se adequar a este novo ambiente. Investimentos em tecnologia e qualidade no serviço a preço justo serão a chave para um mercado em constante evolução”, finaliza.

Atuação

A Medley atua com os principais distribuidores farmacêuticos do mercado nacional. Seu portfólio é formado por medicamentos genéricos e similares. Em genéricos, são 168 produtos, com destaque para: tadalafila, voltado ao tratamento da disfunção erétil; ciprofloxacino, antibiótico indicado para tratar infecções diversas, incluindo as do trato urinário; montelucaste, para o tratamento da asma e rinite alérgica; omeprazol, antiulceroso; ibuprofeno, para o alívio da dor, especialmente relativa a cólicas menstruais; entre outros.

Já em similares, alguns dos destaques, incluindo lançamentos previstos para este ano, são: o contraceptivo Mínima; PyloriPac, para a eliminação do H. pylori; Osteonutri, para o tratamento auxiliar da osteoporose; Stilnox CR (zolpidem), um indutor do sono, com alta tecnologia de liberação controlada; Cognitus (Bacopa monnieri), fitomedicamento que atua na melhora da memória; Socian (amissulprida), antipsicótico para o tratamento da esquizofrenia e o multivitamínico Baristar.

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