Demanda por galpões em aeroportos cresce no Brasil e registra valores de locação acima de condomínios logísticos tradicionais, aponta Binswanger

A demanda por galpões em aeroportos vem apresentando crescimento no Brasil, impulsionando valores de locação superiores aos observados em condomínios logísticos tradicionais localizados nas mesmas regiões. De acordo com monitoramento realizado pela Binswanger Brazil, o segmento tem atraído investimentos de empresas como Brookfield Properties, Log Commercial Properties, Bay Properties e Aerotrópolis Empreendimentos.

Segundo o levantamento, a diferença de preços está relacionada principalmente às características operacionais desses empreendimentos. A proximidade com terminais aeroportuários facilita o armazenamento e a distribuição de cargas de alto valor agregado ou que exigem maior rapidez na movimentação, como medicamentos em temperatura controlada e produtos perecíveis. Além disso, a localização estratégica dos aeroportos nas cidades e a proximidade com rodovias relevantes contribuem para agilizar operações de entrega de last mile.

Um exemplo citado pelo estudo é o Terminal de Cargas do Aeroporto Internacional de Guarulhos, onde o preço médio de locação de galpões chega a R$ 120 por metro quadrado, enquanto o valor médio na região é de aproximadamente R$ 40 por metro quadrado. A diferença evidencia a valorização dos espaços logísticos dentro das áreas aeroportuárias, especialmente em operações que dependem de rapidez no fluxo de mercadorias.

Entre os projetos em andamento, a pesquisa aponta que a Brookfield Properties entregou 43.274 metros quadrados na primeira fase de seu empreendimento logístico no aeroporto de Guarulhos. De acordo com os dados levantados, a empresa conseguiu pré-locar e pré-vender a totalidade dessa etapa antes mesmo da entrega. Já a segunda fase do projeto, com cerca de 150 mil metros quadrados de galpões, está em produção.

Esse novo estágio do empreendimento contará com duas áreas operacionais distintas. O chamado lado ar terá acesso direto às aeronaves, permitindo operações próximas aos aviões que chegam ao terminal. Já o lado terra será destinado ao recebimento e escoamento de mercadorias por caminhões, conectando o terminal aéreo à malha rodoviária.

O levantamento da Binswanger Brazil mostra ainda que esse tipo de empreendimento não se limita ao Estado de São Paulo, onde se concentra o maior mercado consumidor do país. No Aeroporto de Brasília, por exemplo, a Log Commercial Properties possui 63.593 metros quadrados de galpões em operação, atualmente sem vacância. Já no Aeroporto de Fortaleza, a Aerotrópolis Empreendimentos mantém um galpão com 191.452 metros quadrados.

A pesquisa também aponta que o cenário macroeconômico pode influenciar o avanço desse tipo de investimento. Com a possível queda da taxa de juros, esperada após a reunião de março do Comitê de Política Monetária (Copom), a tendência é que o desenvolvimento especulativo de condomínios logísticos e industriais ganhe força.

Nesse contexto, a expansão de galpões em aeroportos tende a acompanhar esse movimento. No entanto, o crescimento mais amplo desse segmento ainda depende de novos leilões de concessões e licenças aeroportuárias, que viabilizam a implantação de projetos logísticos dentro das áreas operacionais dos terminais.

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