Free flow pode minimizar tempo no transporte rodoviário de cargas

22/05/2023

O pedágio free flow entrou no último mês como o primeiro sistema inovador do Brasil na rodovia Rio-Santos, localizada na BR-101, no estado do Rio de Janeiro. Os portais de cobrança automática estão situados em três pontos, km-414, km-447 e km-538, com 100% de funcionamento. 

Esse modelo de pedágio é um sistema automático de cobrança que não utiliza as tradicionais praças com cancelas compostas em determinados trechos das rodovias pelo país. Com isso, dispensa a necessidade de redução de velocidade e a parada para o pagamento da tarifa. A estrutura é equipada por diversas câmeras e antenas capazes de reconhecer os mais diversos veículos. 

A identificação pode ser realizada através da tag de cobrança de pedágio instalada no veículo ou pela placa. Os sensores presentes acoplados do equipamento conseguem localizar a altura, a largura e o comprimento, além da quantidade de eixos rodantes e suspensos, que funcionam até mesmo em situações de baixa visibilidade.

Para Marcel Zorzin, diretor operacional da Zorzin Logística, esta nova implementação será extremamente benéfica, especialmente para as empresas de transporte rodoviário de cargas, pois acarretará diminuição considerável no tempo das viagens. 

“Será muito importante e benéfico, já que pagaremos por aquilo que usarmos, ou seja, seremos cobrados pelo quilômetro rodado, uma forma mais justa. Para mim, o grande diferencial será a diminuição do tempo nas viagens, visto que ficamos um terço do tempo das viagens parado nas praças de pedágios, e com essa nova ferramenta teremos menos prejuízos”.

Essa expectativa pela modernidade dos processos atuais deve-se pelas dificuldades encontradas nas malhas brasileiras relacionadas aos pedágios. Um exemplo disso é o impasse na governança dos pedágios do Paraná, sem administração nem funcionamento em suas rodovias e trazendo incertezas para as empresas que desejam saber como ficarão os preços atribuídos na nova gestão.

Segundo a Secretaria do Estado de Infraestrutura e Logística, os leilões iniciais para a primeira etapa de vendas dos lotes 1 e 2 estão previstos somente para 24 de agosto e 16 de setembro na Bolsa de Valores de São Paulo. 

Franco Gonçalves, gerente administrativo da TKE Logística, empresa que atua constantemente pelas vias paranaense, comenta sobre a importância de entender como essa questão será resolvida e compreende que o sistema free flow pode ser umas das alternativas. 

“Até por ser uma questão de edital novo publicado, poderia já ser trabalhado com a previsão e a implantação de uma nova tecnologia. Já na questão do novo sistema de pedágio, poderá nos proporcionar uma velocidade média maior nas viagens e ganho de economia em relação à combustível e peças (pneus e freios, por exemplo), bem como uma maior segurança na questão dos acidentes provocados pelo trânsito, como engavetamentos e perda de controle, entre outros”, descreve o executivo. 

Ainda que o avanço esteja sendo muito comemorado, as empresas de transporte adotam cautela no formato do novo pedágio para saber como, de fato, funcionará esse modelo. Para Franco e Marcel, espera-se que exista um sistema rápido e prático ao qual todos tenham acesso. 

“Espero que tenha um sistema mais simples de leitura de placa e tags em que não exista mensalidade e que ofereça acesso a todas as empresas e veículos. Com certeza vai ajudar no transporte. Mas volto a reiterar a motivação para que isso aconteça em todas as rodovias, o que diminuirá o tempo das viagens. É claro que está no início, mas acredito que dará certo”, pondera Marcel Zorzin.  

Já na opinião de Franco, devido à incerteza do funcionamento desse novo sistema, é preciso olhar os dois lados da “moeda”, pois nem todos possuem acesso efetivo nesse modelo de cobrança. “É importante conversar sempre sobre como será realizada a cobrança dessas passagens, não apenas para evitar cobranças em duplicidade, mas também para os casos de usuários que não possuam tags para pagamento. Então pergunto: como vai funcionar? Se você passa bastante por uma região, talvez tenha o conhecimento de algum aplicativo da concessionária, mas e se for uma rota nova? A pessoa vai receber uma multa por não pagamento? Enfim, é preciso analisar com cuidado”, finaliza o gerente administrativo da TKE Logística. 

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