Ford tem 10 interessados na planta de São Bernardo (SP)

02/06/2020

As negociações para a venda da fábrica da Ford, localizada no bairro Taboão, em São Bernardo, ainda não chegaram a um desfecho. Porém, as conversas com empresas interessadas na planta continuam e agora, com mais uma mudança de estratégia da montadora, são dez interessadas. Isso porque, além das automotivas chinesas, há companhias do segmento de logística que se juntam ao páreo.

A informação foi fornecida pela própria direcão da Ford, que na última semana se reuniu com o SMABC (Sindicato dos Metalúrgicos do ABC) para falar sobre o assunto. “Nós mantivemos as conversas, e tivemos essa reunião para discutir a estratégia da planta. Segundo a Ford, tem pelo menos dez empresas que procuraram e foram visitar a fábrica. As três chinesas seguem como interessadas e as empresas locais são do ramo de logística”, afirmou o diretor do sindicato e também presidente do TID Brasil (Instituto Trabalho, Indústria e Desenvolvimento), Rafael Marques.

Segundo o sindicalista, a estratégia da empresa é mandar uma carta para todas as empresas pedindo a formalização de uma proposta. “A ideia é que eles já tenham mais um resultado daqui a duas semanas, então nós vamos voltar a conversar para saber quais e quantas propostas são. A Ford continua assegurando que no desfecho do futuro dessa planta terá dois fatores importantes: a empresa interessada tem que ser uma geradora de empregos importantes para a cidade e o segundo ponto é que será assegurada, aos empregados que deixaram a planta em 2019, a preferência pelos postos de trabalho”, afirmou.
“Buscamos resposta se havia negociações em curso. Agora vamos aguardar essa nova reunião”, destacou o presidente do sindicato, Wagner Santana, o Wagnão.

A Ford encerrou a produção de caminhões em São Bernardo em outubro do ano passado. Porém, o anúncio de fechamento aconteceu em fevereiro de 2019 e, desde então, ocorrem negociações em busca de um comprador. A maior aposta foi na brasileira Caoa, tanto que a empresa chegou a assinar a oficialização de interesse de compra em setembro, no Palácio dos Bandeirantes. Porém, o acordo não saiu.

“Acredito que o negócio da Caoa ficou ruim para todos nós. Nisso, incluo o governo, a Ford e o sindicato. Nós apostamos muito nisso e foi um banho de água fria quando não deu certo”, disse Marques. Mesmo com a negociação com firmas de logística, ele “torce” para que uma empresa automotiva adquira o local para manter a atividade produtiva.

Porém, reconhece que, com a situação da pandemia do novo coronavírus, “o mundo está inteiro em crise e todos estão redimensionando os negócios, já que os caixas das empresas foram afetados. É uma área que continua crescendo e é menos afetada do que a indústria”, contou Marques.

No início deste mês, o presidente da Ford América do Sul, Lyle Watters, chegou a afirmar que havia novos interessados na planta, inclusive fora do setor automotivo e com grande potencial de geração de empregos, mas não deu mais detalhes. Questionada, a Ford afirmou que não tinha mais informações sobre o assunto.

O Diário solicitou mais informações ao poder público, que no ano passado participou ativamente das negociações. O governo do Estado informou que continua monitorando a situação, “que é uma negociação entre particulares, e interessado em uma resolução. No entanto, não há no momento nenhuma atualização”, informou em nota. A Prefeitura de São Bernardo disse que não havia novidades.

Fonte: Diário do Grande ABC

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