As exportações brasileiras para os países do Golfo recuaram 31,47% em março, impactadas pelo conflito no Oriente Médio iniciado no fim de fevereiro. Ainda assim, o desempenho no primeiro trimestre de 2026 permanece positivo, com crescimento de 8,14% e total de US$ 2,41 bilhões.
Os dados são da Câmara de Comércio Árabe-Brasileira e consideram as vendas para Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Catar, Kuwait, Bahrein e Omã, que formam o Conselho de Cooperação do Golfo (CCG). Em março, as exportações somaram US$ 537,11 milhões.

Impacto do conflito nas exportações brasileiras para o Golfo
Segundo a entidade, o fechamento do Estreito de Ormuz afetou diretamente o fluxo logístico da região, restringindo o acesso a portos estratégicos e interrompendo a trajetória de crescimento observada nos primeiros meses do ano.
“As vendas para o CCG, que concentra os maiores mercados árabes e responde por 47% das exportações para o bloco de países, vinham em alta em janeiro e fevereiro na comparação com 2025, segundo melhor ano da série histórica”, afirma Mohamad Mourad, secretário-geral da Câmara Árabe-Brasileira. “O recuo de março decorre do conflito e, por ora, não afeta o acumulado, mas ainda pode trazer impactos”.

Considerando os 22 países acompanhados pela entidade — incluindo nações do Levante e africanas —, as exportações brasileiras cresceram 3,90% no trimestre, totalizando US$ 5,13 bilhões.
No agronegócio, responsável por cerca de 75% das vendas ao Golfo, houve retração de 25,38% em março. Ainda assim, o segmento acumula alta de 6,8% no ano, alcançando US$ 1,44 bilhão.
Entre os principais produtos, o frango registrou queda de 13,80% em março, para US$ 185,50 milhões, mas mantém estabilidade no trimestre, com recuo de apenas 2,32%. Já o açúcar caiu 43,37% no mês, embora apresente crescimento acumulado de 26,41% no ano.
Por outro lado, a carne bovina apresentou desempenho positivo, com alta de 23,87% em março e avanço expressivo de 65,29% no trimestre. O café também se destacou, com crescimento de 34,24% no mês e de 64,3% no acumulado do ano.
Em contrapartida, o milho praticamente deixou de ser embarcado para o bloco em março, com queda de 99,96%, embora o recuo no trimestre seja mais moderado.
Outro ponto relevante é a redução nas importações brasileiras de fertilizantes provenientes da região, que caíram 51,35% no primeiro trimestre. O Golfo responde por cerca de 10% do total adquirido pelo agronegócio nacional no exterior.
“Esse é um ponto que preocupa tanto o nosso agro quanto os países árabes, que dependem da capacidade do Brasil de disponibilizar alimentos excedentes”, pontua Mourad. “É preciso buscar formas de minimizar esses impactos”.
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