Execução inteligente da Supply Chain ganha papel central no varejo mediado por IA, aponta Infios

A execução inteligente da Supply Chain passa a ocupar posição estratégica no varejo à medida que plataformas de conversação e busca baseadas em IA transformam a forma como consumidores descobrem produtos, comparam preços e tomam decisões de compra. Em vez de navegar por múltiplos sites, os compradores recorrem a interfaces inteligentes capazes de recomendar produtos, verificar disponibilidade em tempo real, avaliar diferenças de preço e estimar prazos de entrega em uma única interação. Nesse novo ambiente, essas plataformas tornam-se uma porta de entrada decisiva entre marcas e consumidores.

Para os varejistas, a mudança é estrutural. Se as plataformas mediadas por IA influenciam quais produtos aparecem primeiro, o desempenho operacional passa a integrar a lógica algorítmica. Assim, a vantagem competitiva deixa de depender apenas de marketing ou precificação e passa a estar diretamente ligada à execução logística. Para Hélcio Lenz, Managing Director da Infios na América Latina, o recado é claro: “À medida que plataformas baseadas em IA orientam cada vez mais as decisões de compra, os varejistas precisam acompanhar essa inteligência em suas próprias operações. A visibilidade hoje é conquistada pela execução”.

Quando a IA molda a demanda, a execução passa a determinar a visibilidade digital. Interfaces de compras baseadas em IA avaliam simultaneamente variáveis como competitividade de preços, precisão do estoque, confiabilidade no cumprimento e compromissos de entrega. Nesse contexto, falhas operacionais — como dados imprecisos, atrasos ou estimativas inconsistentes — reduzem a relevância dos produtos. Por outro lado, a precisão logística aumenta a exposição em ambientes mediados por algoritmos.

Esse comportamento já se reflete no mercado brasileiro. Durante a Black Friday de 2025, 54,6% dos consumidores planejavam utilizar ferramentas de IA para comparar preços, segundo estudo da Conversion sobre picos de vendas. À medida que a IA se integra às jornadas de compra, cresce a pressão para que a base operacional acompanhe expectativas mais elevadas de confiabilidade e transparência.

A resposta, segundo a Infios, não está apenas em aplicar IA na interface com o cliente, mas em incorporá-la em toda a cadeia de suprimentos. A execução inteligente da cadeia de suprimentos conecta gestão de armazéns, transporte, orquestração de pedidos e automação em um ecossistema integrado e em tempo real. A IA analisa padrões de demanda, posições de estoque, capacidade operacional e restrições logísticas para otimizar decisões de forma dinâmica.

Nesse modelo, os varejistas passam a antecipar picos de demanda, rebalancear estoques de forma proativa, priorizar pedidos conforme compromissos de nível de serviço, ajustar rotas em tempo real e sincronizar automação e força de trabalho em períodos críticos. A execução deixa de ser reativa e passa a operar como orquestração preditiva.

Além dos ganhos operacionais, a execução inteligente impacta diretamente a experiência do cliente. Em situações de interrupção, sistemas baseados em IA podem atualizar compromissos de entrega e comunicar o consumidor de forma proativa, reforçando confiança e previsibilidade. Como resume Lenz: “Uma marca forte atrai interesse, mas uma execução inteligente mantém a credibilidade. Em um mercado movido por IA, os varejistas que consistentemente cumprem suas promessas são os que continuam competitivos.”

Nesse cenário, a logística deixa de ser apenas uma função de back-end e passa a atuar como motor estratégico de crescimento, visibilidade e fidelização em uma economia de varejo cada vez mais mediada por IA.

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