A era dos dashboards

17/12/2020

Fernando Miguel Zingler – Diretor executivo do IPTC – Instituto Paulista de Transporte de Cargas, órgão ligado ao SETCESP – Sindicato das Empresas de Transporte de Carga de São Paulo e Região

 

A transformação digital que passamos na última década transformou o setor de transporte de cargas, oferecendo oportunidades inéditas de controlar as operações e aumentar a produtividade através de dados. Nunca foi tão fácil produzir estatísticas dentro das empresas e utilizá-las a favor do crescimento estratégico, tomando decisões pautadas em séries históricas, tendências, padrões e previsões coerentes resultados de modelos matemáticos que se beneficiam da riqueza de detalhes das informações.

Da mesma forma, o setor como um todo passou a produzir – e a divulgar – estatísticas mais abrangentes, reflexo de uma tendência mundial do setor público de melhor explorar as informações produzidas, e torná-las públicas de modo a outras empresas se beneficiarem e criarem novos serviços e produtos baseados na informação. A era da informação nunca esteve tão viva.

Pensando nisso, o IPTC – Instituto Paulista do Transporte de Cargas criou o seu próprio dashboard – painel animado de informações em tempo real – para o setor de transporte rodoviário de cargas, o qual pesquisa e estuda há mais de três anos. A criação do “Painel do TRC” foi motivada pela procura de dados confiáveis por parte dos transportadores, e o fato de que estejam centralizados em um único local é de extrema importância para o transportador, que precisa estar sempre atualizado com o mercado para ajustar suas operações e refletir o que vem ocorrendo externamente.

O empresário que não estiver atualizado com o mercado terá dificuldade em criar novas oportunidades, aumentará o risco de seus investimentos e certamente terá custos extras nos seus processos que poderiam ser evitados pelo simples acompanhamento de índices e indicadores do setor.

No “Painel do TRC” incluímos justamente os principais componentes do frete, como o preço do diesel, que é um dos principais componentes tarifários e de grande impacto nos custos das empresas de transporte e logística. Disponibilizamos, também, os principais índices que movem os contratos dos transportadores – como o IGPM (Índice Geral de Preços Mercado), usado no reajuste de aluguel de galpões, por exemplo, o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) e o INCT (Índice Nacional de Custo do Transporte), usado no reajuste do frete. Além destas informações, mostramos também dados relevantes do setor, como a movimentação de contratações e demissões do setor na região de São Paulo onde o SETCESP atua – um bom termômetro para medir como o mercado está se comportando e os números de roubo de cargas na mesma região.

Outras informações relevantes e pontuais também são apontadas, como novas regulamentações do setor e seu impacto, dados de frota e de motoristas habilitados.

A consulta é gratuita e pode ser acessada em http://iptcsp.com.br/painel-iptc/. O uso de um dashboard oferece uma opção de consulta rápida e muito eficiente, ao mesmo tempo em que é interativa e extremamente visual. Não adianta apenas produzir a informação, é necessário transformá-la em algo palpável ao público que vai consumir, de modo que se consiga interpretar o que está ao seu alcance sem muito esforço, maximizando, assim, seu foco nas operações e estratégicas de negócio.

Por exemplo, uma empresa de transportes pode utilizar um dashboard próprio para avaliar como estão os custos de suas viagens e fretes em tempo real, controlar os insumos, melhorar processos de cross docking ou então descobrir ineficiências que estavam sendo subjugadas por não serem mensuradas até então.

A gestão em tempo real chegou para ficar, e com ela o controle rígido da produtividade e do desempenho da empresa. Aqui no IPTC estamos atualizando nosso painel em tempo real com as informações, pensando no setor como um todo, para que o transportador tenha em suas mãos sempre a informação correta de fácil acesso para quando precisar em uma negociação ou decisão. Caso queira conhecer sobre nossas estatísticas e de nossos estudos, entre em contato através de contato@iptcsp.com.br ou (11) 2632-1079.

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A combinação de juros elevados e restrição ao crédito tem levado o setor de transporte rodoviário a buscar novas estratégias de geração de receita. Diante da queda nas vendas de caminhões, empresas da cadeia logística passaram a acelerar a adoção de modelos baseados em serviços e receita recorrente no transporte, com foco em maior previsibilidade financeira. De acordo com dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), as vendas de caminhões recuaram 34,6% em janeiro deste ano em relação a dezembro de 2025. Além disso, na comparação com janeiro do ano anterior, a retração foi de 30,14%. Esse cenário reforça a necessidade de diversificação das fontes de receita em um ambiente mais volátil. Nesse contexto, a mudança de modelo reflete uma tentativa de reduzir a dependência de vendas pontuais de ativos. Ao mesmo tempo, empresas passam a incorporar soluções tecnológicas embarcadas nas frotas não apenas para ganho operacional, mas também como nova fonte de faturamento para concessionárias, revendedores e companhias de software. Receita recorrente no transporte avança com uso de tecnologia logística Segundo Rony Neri, diretor-executivo LATAM da Platform Science, multinacional americana especializada em soluções de segurança e tecnologia para o setor de transporte, a lógica do mercado está em transformação. “A lógica do setor está mudando. Antes, a receita estava concentrada na venda do ativo. Agora, com o uso de tecnologia, é possível construir uma base recorrente de faturamento, mais previsível e menos exposta às oscilações do mercado”, afirma. A empresa atua no desenvolvimento de plataformas tecnológicas para gestão de frotas e segurança operacional, permitindo a integração de dados e serviços no ambiente logístico. Dessa forma, soluções como telemetria, videomonitoramento e plataformas digitais passam a viabilizar modelos de assinatura, ampliando o ticket médio e a retenção de clientes. “A tecnologia passa a funcionar como uma camada de inteligência que fortalece o negócio principal e cria novas oportunidades de receita ao longo do tempo”, reforça Neri. Além disso, o movimento também alcança o agronegócio, onde a digitalização da logística tem impacto direto nos custos operacionais. Com o uso de dados e monitoramento em tempo real, produtores e operadores conseguem reduzir desperdícios, evitar falhas mecânicas e aumentar a eficiência no transporte da safra. “Esses ganhos operacionais têm impacto direto na rentabilidade, especialmente em um cenário em que o custo logístico é um dos principais fatores de pressão para o produtor rural”, detalha o executivo. Para empresas de software, a incorporação de dados operacionais das frotas abre espaço para expansão de portfólio sem necessidade de novos investimentos em hardware. Assim, aumenta-se o valor agregado das plataformas e amplia-se a oferta de serviços. Por fim, o modelo de receita recorrente no transporte tende a apresentar maior estabilidade em comparação à comercialização de produtos físicos. A venda de serviços contínuos, baseada em assinaturas, contribui para reduzir a sazonalidade típica do setor e cria uma base mais previsível de faturamento ao longo do tempo. “A recorrência permite que empresas atravessem períodos de baixa venda de ativos sem perda significativa de receita. É uma mudança estrutural na forma como o setor captura valor”, finaliza Neri.
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