Empresas e agricultores tiram aeroporto de Sorriso do papel

30/09/2016

Cansados de aguardar por nove anos o poder público tentar viabilizar a construção de um aeroporto em Sorriso, no médio-norte de Mato Grosso, 34 empresas, 12 famílias de produtores da região, três cooperativas agrícolas e o sindicato rural local resolveram doar mais de R$ 2 milhões para tirar as obras do papel. A lista de empresas inclui desde a Caramuru Alimentos, uma das maiores processadoras de grãos de capital nacional, até uma churrascaria e um posto de combustíveis.

Foi assim que, há três meses, o Aeroporto Regional de Sorriso Adolino Bedin, localizado na BR-163, obteve autorização da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e iniciou suas operações, com voos comerciais da Azul e um grande movimento de jatos particulares. Por enquanto, o aeroporto recebe dois voos comerciais diários – um de Sorriso para Cuiabá, pela manhã, e um de volta à capital mato-grossense, no início da tarde -, mas a taxa média de ocupação já alcança 80%, de acordo com a Azul. O avião é um turbo-hélice e tem capacidade para 70 passageiros.

Os recursos arrecadados com as doações bancaram dois equipamentos necessários para permitir voos noturnos e conferir mais segurança para o pouso das aeronaves, além de estrutura de iluminação interna e externa, pavimentação e vias de acesso ao aeroporto.

Com o novo empreendimento, que é integralmente público e de responsabilidade da prefeitura municipal, o médio-norte de Mato Grosso passou a ter dois aeroportos. O outro está em Sinop, cidade a cerca de 80 quilômetros de Sorriso, que recebe voos comerciais há cerca de dez anos. “Acreditamos que a região passa por tal grau de desenvolvimento que é possível manter os dois aeroportos com crescimento de voos. Sempre acreditamos que a demanda de Sorriso é adicional”, afirma Marcelo Bento, diretor de Distribuição, Alianças e Azul Viagens da Azul.

“Com a burocracia e a enorme demora para a tomada de decisão pela prefeitura, provavelmente estaríamos sem aeroporto até agora. Mas agimos a tempo e fizemos o que foi necessário”, diz o produtor Argino Bedin, que vendeu à prefeitura uma área de 100 hectares, equivalente a 10% de sua propriedade rural, para abrigar o aeroporto. Ele, que é filho do ex-agricultor que dá o nome ao aeroporto, afirma ter aceito o pagamento em terrenos da prefeitura e abatimento em impostos devidos.

“Num belo dia, fomos ao prefeito dizer que a gente ia colocar dinheiro para ver o aeroporto funcionando, depois de o terminal ficar três anos sem operar”, lembra Rodrigo Pozzobon, coordenador da Aprosoja (entidade que representa produtores) em Sorriso, que doou recursos para a empreitada.”Mas a gente não queria um aeroporto que nem o de Sinop, que não tem os equipamentos necessários para pousos noturnos”.

Para “passar o chapéu” entre as empresas e os agricultores locais, o sindicato rural do município articulou a criação de uma Comissão de Apoio à Implantação do Aeroporto de Sorriso, em parceria com a prefeitura. A comissão tem autonomia para prospectar outras companhias aéreas interessadas em explorar voos na região e já iniciou conversas preliminares com Gol e Avianca.

O ex-presidente do sindicato, Laércio Lenz, que participou de toda a mobilização do setor privado, conta que, após uma campanha grande entre os empresários da cidade para angariar doações, ficou decidido que a comissão contrataria uma empresa para instalar e fazer a manutenção dos equipamentos de pouso do aeroporto – a Braxton Sistemas e Serviços, especializada em serviços aeroportuários, que está operando o aeroporto em caráter provisório. “O aeroporto foi mais uma obra que o setor privado fez aqui, mas já contribuímos com pontes, reforma em estradas e está para ser inaugurado um hospital particular, de R$ 30 milhões, construído a partir de doações de produtores e médicos”, afirma.

“A sociedade de Sorriso entendeu que ou contribuía para o aeroporto ou o governo do Estado optaria por Lucas do Rio Verde”, diz Márcio Giroletti, diretor comercial da Coacen, cooperativa que também doou seu quinhão para as obras. Segundo a Prefeitura de Sorriso, o aeroporto por enquanto não dá lucro, pois sua implantação não terminou. Mas informou que a partir de 2 de outubro começarão os voos noturnos e que, em breve, aeronaves de maior porte poderão utilizá-lo.

Tanto a prefeitura quanto os produtores e o empresariado de Sorriso avaliam que o aeroporto da cidade também tem vantagens logísticas em relação ao de Sinop como o fato de estar dentro do perímetro urbano e ser mais próximo de outros importantes polos mato-grossenses de agronegócios, como Lucas do Rio Verde. Mas, pelo menos por enquanto, é consenso que não deverá haver disputa entre os dois aeroportos por passageiros.

Fonte: Valor Econômico

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