Empreendimentos logísticos se consolidam na região metropolitana

04/01/2021

O Brasil é um país de dimensões continentais e o setor de logística, que já vinha crescendo em grande escala reduzindo os custos de transporte e armazenamento, foi alavancado com o advento do Covid-19. Com a pandemia, o setor ganhou um novo impulso com o avanço do e-commerce, que atingiu um aumento de 80% em volume de transações entre abril e setembro, segundo a Associação Brasileira de Comercio Eletrônico (ABComm).

Essa demanda nacional está repercutindo em Aparecida de Goiânia e no mercado imobiliário da cidade, que está a 2 mil quilômetros de capitais como Belém do Pará (ao Norte) Porto Alegre (ao Sul), Porto Velho (Oeste). E mais próximo ainda a cidades litorâneas como Salvador, distante cerca de 1,5 mil quilômetro; ou Rio de Janeiro, a pouco mais de 1,2 mil; e está a menos de mil quilômetros de distância de São Paulo.

“A cidade está ganhando o papel de interligar as regiões norte/sudeste/sul e está se consolidando como um hub logístico. Além de sua posição geográfica, ela também dispõe de áreas para receber empreendimentos voltados ao segmento”, diz Adalberto Bregolin, economista e especialista no setor imobiliário. “São projetos desenhados para atender as necessidades específicas da atividade”, diz.

Com a pandemia, a movimentação pelo e-commerce acabou aumentando o interesse e as vendas nesses lançamentos. O Global Park, loteamento de áreas específicas para industrias e operadoras logísticas, registrou venda de 80 mil metros quadrados durante a pandemia, o que corresponde a um terço do total. “Os compradores são, em sua maioria, empresas que precisaram ampliar sua estrutura para receber, armazenar e distribuir mercadorias”, diz Adalberto Bregolin, economista e especialista no setor imobiliário, e responsável pela comercialização do empreendimento.

Para receber as operações logísticas, o empreendimento possui atributos específicos e importantes para a atividade, como amplas ruas (18 metros de largura, o equivalente a três faixas de rolamento), o que facilita a manobrabilidade de grandes equipamentos rodoviários, asfalto reforçado e fibra ótica instalada para receber internet de alta velocidade.

Em sua avaliação, o crescimento do segmento continuará em 2021 por vários motivos: além do aumento das atividades de e-commerce, já estão previstos grandes investimentos públicos e privados em ferrovias, rodovias e aeroportos, que facilitarão a distribuição da produção agrícola e mineral, e reduzirão os custos de transporte. Soma-se a isso, a baixa histórica da taxa Selic, hoje em 2,0%aa, que tende a carrear recursos hoje em renda passiva, para o setor produtivo. “Para ter retorno, o investidor privado terá de investir no setor produtivo, quer seja expandindo seus negócios ou construindo para locação”, diz.

Polo aeronáutico será instalado na cidade e dará solução a problemas da aviação geral do País

A localização centralizada de Aparecida de Goiânia e a disponibilidade de áreas também foram um fator determinante para que ela recebesse um pólo aeronáutico privado. Com 209 hectares de área, o polo aeronáutico será voltado para aviação executiva, manutenção e operações logísticas. A pista do Antares terá 1.800 metros de extensão, podendo receber todos os modelos de aviação geral, jatos executivos, monomotores, bimotores, até o Embraer 195.

As áreas do entorno serão comercializadas para operadores do setor, que antes dependiam unicamente de concessões para conseguir espaço para atuarem nos aeroportos públicos. Já a pista acabará com o desafio diário que os pilotos das aeronaves executivas enfrentam: disputar espaço com as aeronaves comerciais nas pistas dos grandes aeroportos.

O projeto nasceu após 10 anos de estudos e aprovação para oferecer segurança jurídica e, mesmo com a pandemia, o pré-lançamento não foi prejudicado. “É um projeto que traz solução para aviação geral brasileira”, diz um dos sócios do projeto, Rodrigo Neiva.

De acordo com a Associação Brasileira da Aviação Geral (Abag), há 25 anos não se construía um aeroporto no País e Goiás é considerado o coração da aviação geral brasileira. O Centro-Oeste concentra 20% das aeronaves do País e tem 63 mil pousos e decolagens realizados na região todos os anos, segundo a organização.

“A aviação geral é importante para conectar as cidades brasileiras, é um transporte estratégico para os negócios e também para as cargas fracionadas”, salienta Rodrigo Neiva. Além disso, ele lembra, com a recente regulamentação do Programa Vôo Simples da Associação Nacional da Aviação Civil (Anac), que traz permissão da venda de assentos individuais na aviação geral, o segmento ganhará ainda mais impulso.

O empreendimento irá repercutir também em uma nova vocação econômica para a região metropolitana com a instalação de empresas de táxi aéreo, serviço aeromédico, manutenção, hangaragem, escolas para formação de pilotos e estrutura de apoio, com comércio, restaurantes e hotel. A expectativa é atrair também indústrias, em especial fábrica de peças aeronáuticas, turbinas e motores para aviação, entre vários outros. Além de empresas voltadas para o segmento de logística.

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