A distribuição nos Shopping Centers

21/06/2018

O IPTC – Instituto Paulista do Transporte de Carga realizou uma pesquisa, encomendada pelo SETCESP – Sindicato das Empresas de Transportes de Carga de São Paulo e Região, sobre as condições de recebimento nos Shopping Centers da Região Metropolitana de São Paulo (RMSP), buscando conhecer mais os desafios e oportunidades para melhorar a distribuição urbana de mercadorias. De 85 estabelecimentos entrevistados na região, 78 foram avaliados conforme critérios de infraestrutura e procedimentos operacionais, formando o Índice de Eficiência no Recebimento nos Shopping Centers. Os demais sete estabelecimentos não atingiram os critérios de polos de varejo estabelecidos para serem classificados como Shopping Centers, e foram denominadas “galerias”.
A grande quantidade de cargas fracionadas, aliada ao grande número de pequenas lojas que geralmente trabalham com estoque mínimo, exige que um volume de mercadorias considerável seja diariamente entregue por transportadores a esses centros comerciais. Segundo dados da ABRASCE (Censo Brasileiro de Shopping Centers 2016/2017), no Sudeste são quase 54 mil lojas localizadas dentro de Shoppings, uma média de 179 lojas por shopping – e a pesquisa do IPTC mostrou que as lojas recebem em média 2,33 entregas semanais. O grande número de agentes envolvidos no recebimento – transportador, administração do shopping, administração da loja – muitas vezes dificulta a comunicação, gerando diversas ineficiências no processo de entrega, e, consequentemente, custos adicionais. Além disso, ainda existe a relação com o cliente, dado que muitos shoppings centers vetam as entregas no horário de circulação de clientes por questões de segurança e estética.

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Além do volume constante de reposição nessas lojas, os shoppings carecem de estrutura e organização para o recebimento de tal volume de carga. O principal problema são as janelas, onde a administração do shopping permite o recebimento de mercadorias, que geralmente são concentradas na parte da manhã, antes da abertura do shopping para clientes. Nessa janela, é permitido o uso de carrinhos para a descarga das mercadorias, prática que é vetada no restante do dia, forçando os entregadores a carregar os volumes manualmente, ou então utilizar sacolas para o transporte do caminhão até a loja recebedora, o que atrasa e dificulta as entregas devido às limitações de carregamento e à frequente necessidade de conferência de mercadorias no ato da entrega. Outro ponto que foi constatado nessa pesquisa é a falta de uma política de estacionamento, ou mesmo de docas e infraestrutura para descarregamento. A maioria dos estabelecimentos possui uma área destinada para carga e descarga, porém esta não é demarcada e controlada, sendo assim frequentemente utilizada de maneira incoerente, enquanto poderia acomodar mais veículos de cargas e operações ao mesmo tempo. Ainda foram constatados shoppings onde não há elevadores de carga para a movimentação entre os pisos, forçando o descarregador a utilizar escadas, o que impossibilita o uso de carrinhos e dificulta as entregas.
A pesquisa permitiu traçar um panorama da situação das entregas nesses locais, relacionado os horários de entrega adotados pelos Shopping Centers, vagas de estacionamento para carga e descarga, número médio de recebimentos diários e quantidade de lojas atendidas. Com isso, verificou-se a necessidade de haver mais formalidade nas áreas de carga e descarga, integrando todo o processo de recebimento entre os agentes envolvidos, além da ampliação da mesma e compatibilização com melhores janelas de entrega disponibilizadas pelos shoppings. Os resultados finais e detalhados dessa pesquisa, incluindo o ranking de melhores shoppings recebedores e um manual sobre entregas em shoppings centers contendo diversas informações sobre as janelas de horário, os modos de operação e a infraestrutura individual serão divulgados pelo IPTC no 32º Fórum Paulista do Transporte – Mobilidade e Abastecimento Urbano, que acontecerá na sede do SETCESP em São Paulo, no segundo semestre desse ano.

Fernando Zingler: Diretor executivo do IPTC – Instituto Paulista do Transporte de Carga

Conheça melhor os serviços do SETCESP em www.setcesp.org.br.

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A combinação de juros elevados e restrição ao crédito tem levado o setor de transporte rodoviário a buscar novas estratégias de geração de receita. Diante da queda nas vendas de caminhões, empresas da cadeia logística passaram a acelerar a adoção de modelos baseados em serviços e receita recorrente no transporte, com foco em maior previsibilidade financeira. De acordo com dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), as vendas de caminhões recuaram 34,6% em janeiro deste ano em relação a dezembro de 2025. Além disso, na comparação com janeiro do ano anterior, a retração foi de 30,14%. Esse cenário reforça a necessidade de diversificação das fontes de receita em um ambiente mais volátil. Nesse contexto, a mudança de modelo reflete uma tentativa de reduzir a dependência de vendas pontuais de ativos. Ao mesmo tempo, empresas passam a incorporar soluções tecnológicas embarcadas nas frotas não apenas para ganho operacional, mas também como nova fonte de faturamento para concessionárias, revendedores e companhias de software. Receita recorrente no transporte avança com uso de tecnologia logística Segundo Rony Neri, diretor-executivo LATAM da Platform Science, multinacional americana especializada em soluções de segurança e tecnologia para o setor de transporte, a lógica do mercado está em transformação. “A lógica do setor está mudando. Antes, a receita estava concentrada na venda do ativo. Agora, com o uso de tecnologia, é possível construir uma base recorrente de faturamento, mais previsível e menos exposta às oscilações do mercado”, afirma. A empresa atua no desenvolvimento de plataformas tecnológicas para gestão de frotas e segurança operacional, permitindo a integração de dados e serviços no ambiente logístico. Dessa forma, soluções como telemetria, videomonitoramento e plataformas digitais passam a viabilizar modelos de assinatura, ampliando o ticket médio e a retenção de clientes. “A tecnologia passa a funcionar como uma camada de inteligência que fortalece o negócio principal e cria novas oportunidades de receita ao longo do tempo”, reforça Neri. Além disso, o movimento também alcança o agronegócio, onde a digitalização da logística tem impacto direto nos custos operacionais. Com o uso de dados e monitoramento em tempo real, produtores e operadores conseguem reduzir desperdícios, evitar falhas mecânicas e aumentar a eficiência no transporte da safra. “Esses ganhos operacionais têm impacto direto na rentabilidade, especialmente em um cenário em que o custo logístico é um dos principais fatores de pressão para o produtor rural”, detalha o executivo. Para empresas de software, a incorporação de dados operacionais das frotas abre espaço para expansão de portfólio sem necessidade de novos investimentos em hardware. Assim, aumenta-se o valor agregado das plataformas e amplia-se a oferta de serviços. Por fim, o modelo de receita recorrente no transporte tende a apresentar maior estabilidade em comparação à comercialização de produtos físicos. A venda de serviços contínuos, baseada em assinaturas, contribui para reduzir a sazonalidade típica do setor e cria uma base mais previsível de faturamento ao longo do tempo. “A recorrência permite que empresas atravessem períodos de baixa venda de ativos sem perda significativa de receita. É uma mudança estrutural na forma como o setor captura valor”, finaliza Neri.
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