Com plano estratégico regional, FM Logistic projeta dobrar faturamento no Brasil até 2022

14/10/2019

Cobertura: Carol Gonçalves

 

A francesa FM Logistic, no Brasil desde 2013, acredita que o país é mercado-chave para seus negócios e está otimista quanto ao futuro. De acordo com Ronaldo Fernandes da Silva, presidente da companhia no Brasil, a empresa pretende dobrar o faturamento regional até 2022.

“Acreditamos que em períodos de crise surgem as melhores oportunidades. É quando as empresas com know how conseguem ampliar seu escopo de serviços e oferecer as melhores estratégias”, ressalta.

Companhia independente e de propriedade familiar, a FM Logistic oferece serviços para a cadeia de suprimentos: armazenagem, transportes e co-packing. No Brasil, conta com uma área total de armazenagem de 180 mil metros quadrados, distribuída em cinco Centros de Distribuição multiclientes localizados em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Os negócios estão centralizados em 30% no segmento de bens de consumo, 27% em cosméticos, 22% no varejo e 21% no industrial.

O país se configura em um ambiente volátil e, segundo o CEO, Jean-Christophe Machet, os focos da marca são o crescimento de novos negócios e o aumento da eficiência operacional. “Atualmente, o Brasil equivale a 2% do nosso faturamento global. E isso é ótimo, pois é uma unidade que tem conquistado espaço desde a sua entrada em operação”, expõe.

 

Investimentos futuros

As prioridades da FM para 2019 e 2020 são manter o foco nos setores onde já atua com o modelo de negócio multicliente e desenvolver novas soluções. De acordo com Silva, a companhia manterá um crescimento anual de dois dígitos baseado no crescimento orgânico e no investimento constante em inovação.

“Somos otimistas com relação ao Brasil. Acreditamos que o ânimo econômico vai voltar em breve. Nossos investimentos estão bem estruturados, vislumbrando cenários desenhados no curto, médio e longo prazo. Seguiremos customizando as operações para nossos clientes, oferecendo mais qualidade e custos competitivos”, ressalta Silva.

Ele também revela que a FM tem previsão de abrir uma operação em Recife, PE, onde já possui um terreno. “Ainda estamos centralizados nas regiões Sul e Sudente, mas está nos nossos planos chegar ao Nordeste nos próximos anos”, adianta.

Outra aposta é na logística verde, através de veículos elétricos ou a gás. Machet conta que França, Itália e Espanha já seguem esses princípios, e, em breve, o Brasil também seguirá. A empresa não costuma investir em ativos, mas planeja adotar frota própria com veículos sustentáveis.

 

Tecnologia

Em 2018, a FM investiu na automação dos processos de armazenagem, aumentando a eficiência operacional com a implantação de veículos guiados automatizados digitais (AGVs), robôs colaborativos e drones de estoque nas unidades da França e da Rússia.

A companhia também segue no processo de digitalização, com a migração de vários aplicativos para a nuvem, a adoção de novos sistemas de gerenciamento de armazém (WMS), a implantação do RH Digital e a introdução do G Suite do Google.

“Queremos priorizar o aumento dos negócios em setores estratégicos, como o omnichannel, que, atualmente, representa 15% das nossas atividades”, expõe Machet.

Especificamente sobre o Brasil, a empresa planeja trazer uma solução usada na França para controle das mercadorias nos CDs através de um aparelho acoplado à empilhadeira, que, de forma visual, confere os produtos armazenados com o inventário, gerando alto ganho de produtividade.

 

Resultados globais

No ano fiscal de 2018-2019 (finalizado em 31 de março), a FM registrou receitas de mais de 1,3 bilhão de euros, um aumento de quase 12% em relação ao período anterior, com um EBIT de 35,1 milhões de euros, cerca de 32% acima dos 26,5 milhões de euros no ano passado. “Nosso aumento da receita foi exclusivamente orgânico, um indicativo da confiança dos clientes. A melhoria da rentabilidade reflete os primeiros resultados do nosso plano estratégico chamado Focus Plan, iniciado em 2017 e que tem quatro objetivos centrais: definir preços adequados para os serviços, aumentar a eficiência operacional, desenvolver recursos humanos e ser mais seletivo do ponto de vista comercial”, garante Machet.

 

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