O colunista do Portal Logweb, Ozoni Argenton, analisa a evolução do last mile refrigerado no Brasil e os desafios logísticos envolvidos na entrega de produtos congelados e resfriados diretamente ao consumidor, destacando tecnologias de embalagem, cadeia do frio e novas soluções de mobilidade urbana.
Nossa abordagem foca no crescimento das entregas de congelados e resfriados diretamente aos consumidores, nas grandes capitais. Soluções de embalagens como gelo seco, gel reciclável, caixas térmicas entre outras, assim como veículos leves elétricos refrigerados.

1. Introdução: O boom do Direct-to-Consumer (D2C) frigorificado
O comportamento do consumidor nos grandes centros urbanos mudou drasticamente. A busca por conveniência, alimentação saudável e otimização do tempo impulsionou o mercado de congelados e resfriados direto ao consumidor (D2C – Direct-to-Consumer).
Se antes o setor de e-commerce de alimentos se limitava a compras secas ou delivery imediato de restaurantes fast food (iFood, Rappi, etc), hoje o consumidor assina planos de marmitas fitness, compra carnes nobres direto do produtor e recebe laticínios frescos em casa semanalmente.
Fatores de Crescimento
– Rotina urbana acelerada – Menos tempo para cozinhar do zero.
– Segurança alimentar – Avanços nas técnicas de ultracongelamento que mantêm os nutrientes sem conservantes.
– Expansão do e-commerce – Amadurecimento das plataformas de venda e maior confiança do consumidor em comprar produtos perecíveis online.
2. O desafio do last mile e a cadeia do frio
A última milha (last mile) é a etapa mais crítica e cara da logística urbana. Quando envolve produtos que precisam de temperatura controlada entre OºC e -18ºC (congelados) ou de 0ºC a 8ºC (resfriados), o desafio duplica.
O risco da quebra de temperatura – Se um produto descongela ou esquenta (perde sua temperatura ideal) durante o trajeto, ele perde validade, textura e, no pior dos cenários, pode causar intoxicação alimentar.
3. Soluções de embalagem: gelo seco vs. gel reciclável
Para manter a temperatura interna das caixas sem depender exclusivamente do motor do veículo, a indústria utiliza soluções de refrigeração passiva. As duas principais são:
Tabela comparativa: soluções térmicas
| Característica | Gelo Seco (CO2 Sólido) | Gel Rígido/Flexível Reciclável |
| Indicação Principal | Produtos congelados (altas performances) | Produtos resfriados ou congelados de curta distância |
| Temperatura | Pode chegar a -78,5º C | Geralmente mantém em torno de 0ºC a 8ºC |
| Como Funciona | Sublima (passa do sólido para o gás), não deixa resíduo líquido | Derrete gradativamente dentro da embalagem plástica |
| Sustentabilidade | No ambiente (alto impacto de carbono) | Reutilizável pelo cliente final (maior apelo ecológico) |
| Manuseio | Exige cuidados (risco de queimadura por frio) | Seguro e de fácil manuseio |
Inovações em caixas térmicas
Além do elemento refrigerante, o mercado substitui o tradicional EPS (Isopor) por caixas de papelão ondulado com isolamento interno aluminizado ou de fibra de algodão reciclado, que são 100% recicláveis e ocupam menos espaço no descarte residencial.
4. Frota Verde: veículos leves elétricos refrigerados (VUCs e Bikes)
O trânsito caótico e as restrições de circulação de caminhões grandes (Trucks e Tocos) nas capitais, como, por exemplo, nas zonas de rodízio em São Paulo, exigiram uma revolução no dimensionamento das frotas. A resposta está na eletrificação, aliada à refrigeração compacta.
Vantagens da eletrificação na entrega de perecíveis
– Acesso a Áreas Restritas – Vans elétricas e furgões compactos (VUCs) têm passe livre em áreas centrais restritas a caminhões poluentes.
– Emissão Zero no Last Mile – Alinha a entrega de produtos saudáveis/orgânicos a uma pegada de carbono neutra.
– Sistemas de Refrigeração Conectados – Os novos veículos elétricos possuem baús refrigerados alimentados pela própria bateria do carro (ou por uma bateria secundária dedicada), garantindo estabilidade térmica sem queimar diesel.
Tipos de veículos em alta
1. Furgões elétricos médios (Ex: BYD eTP3, Peugeot e-Expert): Ideais para rotas de condomínios residenciais com alto volume de entrega.
2. Triciclos e tuk-tuks elétricos: Perfeitos para bairros de alta densidade e ruas estreitas.
3. E-bikes com baú térmico: Utilizadas para entregas ultrarrápidas num raio de até 5 km a partir de Dark Stores (centros de distribuição urbanos).
5. Tendências e conclusão
O mercado de entrega de congelados e resfriados direto ao consumidor nas capitais não é mais um nicho, mas um hábito consolidado. O sucesso das empresas desse setor nos próximos anos dependerá de dois pilares indissociáveis: eficiência tecnológica (para garantir a qualidade do alimento) e sustentabilidade (para mitigar o impacto ambiental das embalagens e da queima de combustíveis).
A fusão entre embalagens inteligentes reutilizáveis e frotas 100% elétricas será o único caminho viável para que o crescimento desse ecossistema seja economicamente lucrativo e ecologicamente aceitável.







