Logística 4.0 ou 5.0: a jornada tecnológica

Em seu primeiro artigo como colunista do Portal Logweb, Adriana Bueno discute os avanços e desafios da transformação digital no Supply Chain, destacando entraves como barreiras técnicas, diversidade de sistemas, resistência à integração de dados e falta de maturidade de alguns produtos.

A tecnologia vem sendo cada vez mais incorporada à Logística — e, de forma mais ampla, ao Supply Chain — em um ritmo exponencial. São inúmeros cases e artigos que reforçam essa transformação. No entanto, ainda existem pontos que precisam de mais luz para que as soluções realmente amadureçam nessa jornada de dados e movimentos.

Um dos aspectos centrais desse cenário é a conexão entre as diferentes personas da cadeia: embarcadores, transportadores, fornecedores de insumos, clientes, Operadores Logísticos e demais elos do ecossistema logístico.

O que se observa, porém, é um descompasso de maturidade tecnológica. Isso limita o pleno aproveitamento dos softwares disponíveis, fazendo com que, mesmo em meio a tantas inovações, ainda prevaleçam controles manuais e processos sustentados por planilhas ou recursos de BI.

Logística 4.0 ou 5.0: A jornada tecnológica

Empresas de grande porte, por exemplo, já possuem recursos avançados que poderiam ser integrados aos seus parceiros de negócio. Mas encontram barreiras: diversidade de softwares, limitações técnicas na construção de APIs, resistência à integração de dados, requerimentos de cyber security ou até conflitos de interesse.

Mesmo dentro de um mesmo ambiente logístico, há dificuldades de integração entre sistemas legados e soluções especialistas. Isso reduz a eficiência das ferramentas, aumenta a complexidade para os usuários e amplia a dependência de suporte técnico. Além disso, muitos softwares carecem de maturidade de produto: precisam entregar de forma confiável o core da solução, com segurança e flexibilidade de parametrização, sem depender excessivamente de customizações que tornam a gestão mais onerosa e dificultam atualizações futuras.

Não é raro vermos empresas que, apesar dos grandes investimentos em plataformas, continuam recorrendo ao Excel ou ao Power BI para validar dados – muitas vezes com resultados mais confiáveis que os próprios sistemas. Essa realidade soa paradoxal quando já convivemos com agentes de Inteligência Artificial operando em alguns cenários. Ou seja, a distância a percorrer na jornada tecnológica da Logística ainda é significativa.

A evolução depende de colaboração, integração e maturação dos processos de suporte. Dados são, de fato, o “novo petróleo” da Logística e do Supply Chain. Não há como pensar em ganhos expressivos de eficiência sem uso intensivo de tecnologia – mas essa eficiência só se concretiza quando há colaboração entre os elos da cadeia. Em um país como o Brasil, onde as dificuldades logísticas são múltiplas, cada ponto percentual de redução de custo ou de ganho de produtividade representa vantagem competitiva.

O papel dos profissionais é acelerar esse avanço. Torres de Controle não podem ser meras vitrines de dashboards, mas sim centros de monitoramento em tempo real, que aumentam a capacidade operacional e otimizam custos. Business Intelligence não deve se limitar a gráficos estáticos, mas gerar modelagem de dados que embasem decisões estratégicas com histórico e real time confiáveis.

Criar um ambiente em que tecnologias conversam entre si é fundamental para que a cadeia funcione de forma integrada em negócios, processos, dados, custos e níveis de serviço. Afinal, o custo logístico é um dos maiores dentro do P&L de empresas de diferentes setores, e o nível de serviço é cada vez mais percebido como parte do próprio produto oferecido.

E quando pensamos no cliente – hoje no centro de toda a cadeia de consumo – essa integração tecnológica torna-se inegociável. Smartphones já são pontos de venda, apps são vitrines personalizadas, e o consumidor, mais exigente do que nunca, dita o ritmo. Tanto em modelos B2B quanto B2C, a tecnologia precisa evoluir na mesma velocidade da expectativa de quem compra: o cliente.

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Adriana Bueno

Adriana Bueno

25 anos de experiência profissional em Supply Chain, com atuação em diferentes segmentos: bens de consumo, químicos, agronegócio e varejo (incluindo cadeia de frio). Líder de equipes de alta performance com foco em resultados e desenvolvimento humano. Responsável por implantação de novos fluxos operacionais, processos, controles e governança. Gestão de Operações, Orçamento e Projetos. Ações de Inovação. Expertise em Route to Market e Gestão do Ciclo do Pedido (Order to Cash/Order to Delivery) para otimização de custo logístico total. Estratégia de Compras e Suprimentos. Ciclo S&OP. Fortaleza em Governança Corporativa, Compliance e ESG. Expertise em reestruturação de áreas funcionais, definição e revisão de bases processuais e requerimentos técnicos de sistemas, gestão de indicadores e performance. Grande conhecimento em Distribuição Nacional, Last Mille, 4PL e Malha Logística. Consultoria em Projetos de Estruturação Logística. Customer Success para clientes estratégicos. Engenheira Agronômica pela Universidade Estadual Paulista – UNESP, com pós-graduação em Gestão de Logística Empresarial pela FAAP e MBA em Gestão de Negócios e Inovação pela FIA – USP.

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