A cadeia do frio no desenvolvimento do agronegócio no Brasil

O artigo exclusivo de Ozoni Argenton, colunista do Portal Logweb, destaca a importância estratégica da cadeia do frio no agronegócio brasileiro, essencial para garantir qualidade, segurança sanitária e competitividade dos produtos perecíveis. Segundo ele, a cadeia do frio é vital para reduzir perdas, aumentar a produtividade e fortalecer a presença do Brasil no mercado global.

O agronegócio é um dos pilares da economia brasileira, representando cerca de 25% do PIB nacional e liderando as exportações do país. Nesse contexto, a cadeia do frio – também chamada de logística refrigerada – é essencial para garantir a qualidade, a segurança e a competitividade dos produtos agropecuários. Seu papel é fundamental na conservação de alimentos perecíveis, reduzindo perdas, assegurando padrões sanitários e agregando valor à produção nacional.

A cadeia do frio no desenvolvimento do agronegócio no Brasil

Importância da cadeia do frio no agronegócio

A cadeia do frio envolve um conjunto de processos que mantêm produtos perecíveis sob temperaturas controladas desde a origem (fazenda ou frigorífico) até o consumidor final. No Brasil, essa estrutura é especialmente relevante para setores como:

– Carnes (bovina, suína e de frango);

– Frutas e hortaliças frescas;

– Leite e derivados;

– Pescados e frutos do mar;

– Flores e produtos biológicos.

Ao manter os produtos em condições ideais, a cadeia do frio garante qualidade nutricional, integridade sanitária e aumento da vida útil, elementos essenciais para o mercado interno e, sobretudo, para as exportações agroindustriais.

Componentes da cadeia do frio no agronegócio

– Pré-resfriamento: logo após a colheita ou abate, o produto é resfriado para interromper processos biológicos;

– Armazenamento refrigerado: em câmaras frias nas fazendas ou entrepostos, possibilitando o controle de qualidade dos produtos pós-colheita;

– Transporte refrigerado: caminhões, contêineres e aeronaves climatizadas, que possibilitem o transporte de forma adequada e que venha a garantir a continuidade do controle de qualidade dos produtos;

– Centros de Distribuição: responsáveis pela manutenção da temperatura e consolidação dos lotes, através de processos de monitoramento e rastreabilidade na armazenagem e movimentação dos produtos;

– Pontos de venda/consumo final: supermercados, exportadores ou consumidores finais.

Desafios da cadeia do frio no Brasil

Apesar de sua importância, a cadeia do frio no Brasil enfrenta obstáculos estruturais e operacionais, tais como:

– Infraestrutura insuficiente, especialmente em regiões rurais e menos desenvolvidas;

– Altos custos de instalação e manutenção dos sistemas de refrigeração;

– Falta de capacitação técnica dos profissionais envolvidos nesse segmento;

– Perdas energéticas e instabilidade no fornecimento de energia elétrica, principalmente nas regiões mais longínquas (Norte/Nordeste);

– Baixa adesão entre pequenos e médios produtores, em razão dos altos valores de investimentos necessários para desenvolvimento dessa cadeia produtiva, o que limita o alcance desse segmento.

Além disso, muitos produtos perecíveis sofrem “perdas significativas” no trajeto entre a fazenda (produtor) e o ponto de consumo (distribuição/consumo), chegando a representar até 30% de desperdício, segundo dados coletados pela EMBRAPA.

Avanços e iniciativas recentes

Nos últimos anos, diversas iniciativas públicas e privadas têm buscado ampliar e modernizar a cadeia do frio no Brasil:

1. Investimentos em tecnologias digitais, como sensores IoT e sistemas de monitoramento e rastreamento remoto de temperatura;

2. Criação de hubs logísticos refrigerados em polos produtores, em regiões mais longínquas dos grandes centros de consumo, permitindo que os custos operacionais tornem se mais viáveis;

3. Programas de crédito rural e incentivos fiscais para investimentos em aquisição e implementação de equipamentos de refrigeração;

4. Parcerias entre cooperativas, SEBRAE e EMBRAPA para treinamento, capacitação e desenvolvimento de novos processos que auxiliem os produtores nas implementações de boas práticas operacionais.

Essas ações contribuem para uma logística mais eficiente, aumentando a sua produtividade e gerando redução das perdas, assim como otimizando os custos de distribuição e promovendo maior competitividade no mercado global.

Conclusão

A cadeia do frio desempenha um papel estratégico no fortalecimento do agronegócio brasileiro. Sua expansão e aprimoramento são essenciais para reduzir perdas pós-colheita, garantir a qualidade dos alimentos e ampliar a presença dos produtos brasileiros no mercado internacional. Para isso, é necessário investir em infraestrutura, tecnologia, qualificação profissional e políticas públicas de incentivo, promovendo um agronegócio mais moderno, sustentável e rentável.

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Ozoni Argenton

Ozoni Argenton

CEO na OAJ Consult – Consultoria & Assessoria Empresarial. Executivo com sólida experiencia e atuação no segmento de Logística Empresarial e Logística Integrada, com Especialização em Logística Frigorificada – Cadeia do Frio. Como Executivo C-Level, atuou em empresas como: SPA – Santos Port Authority(CODESP), McLane do Brasil AS, Protege AS – Transportes & Segurança de Valores, Comfrio Soluções Logísticas AS, Martin Brower do Brasil SA, Philip Morris do Brasil AS, Danone Group AS. Membro do Conselho Executivo da ABRALOG – Associação Brasileira de Logística.

e-mail:oaj.consult@hotmail.com | Linkedin: linkedin.com/in/ozoni-argenton-junior-29ab8420

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