Blockchain, o que fazer com ela?

07/11/2019

Luís Felipe Machado – Vice-Coordenador da COMJOVEM SP – Comissão de Jovens Empresários e Executivos no SETCESP – Sindicato das Empresas de Transportes de Carga de São Paulo e Região. Formado em Administração de Empresas pela Faculdade Ruy Barbosa, pós-graduado em Marketing pela Fundação Getúlio Vargas, atualmente cursa especialização em Gestão de Negócios na Fundação Dom Cabral. Com experiência de mais de 10 anos no setor de transportes, é diretor na Formato Transportes, empresa familiar com foco no Nordeste do país.

 

 

Muitos são os comentários em torno das transformações que a blockchain deverá causar na nossa vida tecnológica, além de ser um tema que vem emergindo, a cada dia, nos eventos sobre inovações e nos corredores das organizações.

Para nós, parcialmente leigos em linguagem de programação, a blockchain ainda é um termo a desvendar, principalmente, no propósito de buscar entender a sua lógica na prática. Quer algo mais assustador do que isso?

Sabemos que a complexidade sobre o tema nos limita a “pensarmos além”. Esse aprisionamento passa justamente por termos a necessidade de fazer conexões lógicas sobre tudo o que temos na mão, o não entendimento gera insegurança, que gera resistência, e isso se torna um problema para nos adaptar ao novo. Uma forma de amenizar este cenário é gerar a experimentação.

Experimentando é possível sentir na pele qual o impacto e resultado das novidades. Talvez ainda continuemos na dúvida sobre sua lógica, mas se entendermos o efeito já daremos um grande passo em busca do conhecimento.

É esse pilar que a COMJOVEM São Paulo e o SETCESP estão oferecendo aos associados e ao mercado do transporte rodoviário de cargas e logística. Criar uma experimentação de blockchain para gerar entendimento sobre o que fazer com a ferramenta. Se ela de fato será o futuro da internet e das relações digitais, por enquanto não dá para garantir, mas imagino que ninguém quer ficar para trás quando o assunto é inovação. Além disso, a iniciativa é uma tentativa concreta de criar um meio no qual dados relevantes para o nosso setor, e que geram ganhos para todos envolvidos sem afetar logicamente o know how de cada empresa e negócio, possam ser compartilhados, ou seja, um grande e antigo sonho do setor.

O primeiro objetivo em meio a esse projeto foi identificar um ponto chave e comum que nos envolve, de forma macro e nas subdivisões do complexo TRC. Assim chegamos a um dos maiores geradores de informações, conteúdo, foco, esforço do nosso setor: o motorista. A importância dele é tão significante que sua representatividade é vista de forma ímpar por todo o mercado consumidor e sabemos, também, o quão é imprescindível uma busca por melhoria contínua dessa mão de obra.

Levando em consideração esta premissa de alta relevância, partimos para a definição que responda à pergunta: como usar a blockchain para gerar resultados?

Percebemos que era possível criar valor nas nossas operações avaliando os motoristas em alguns critérios básicos como: pontualidade, cumprimento de jornada, utilização de equipamentos de segurança, cordialidade, dentre outros, compartilhando por meio de uma blockchain privada esses dados entre os participantes.

Com esses dois principais objetivos estamos montando a primeira blockchain do setor visando a experimentação.

Muito ainda é necessário para se alcançar uma efetividade do seu uso, mas demos o passo. E sem medo de errar.

Sempre haverá a dependência do comprometimento e envolvimento das nossas organizações, mas acredito que a tecnologia tende a facilitar progressivamente essas ações de compartilhamento. A blockchain deverá ser uma delas, prometendo maior segurança, inviolabilidade, transparência, controle, capilaridade e tantos outros benefícios.

Realmente tem todo potencial para nos convencer a abrirmos nossa caixinha e pensarmos fora dela, ou melhor, usarmos o que tem fora dela.

 

Mais informações estão disponíveis no site www.setcesp.org.br, ou pelo telefone 11 2632.1082, com Silmara Balhes.

Compartilhe:
Veja também em Conteúdo
JSL lança “Estrada de Prêmios” para fidelizar motoristas, reduzir turnover e ampliar eficiência operacional
JSL lança “Estrada de Prêmios” para fidelizar motoristas, reduzir turnover e ampliar eficiência operacional
ID Logistics Brasil inaugura centros de distribuição para a Amazon e amplia operação de fulfillment
ID Logistics Brasil inaugura centros de distribuição para a Amazon e amplia operação de fulfillment
Alta no tráfego rodovias paulistas reflete avanço de veículos leves e pesados, aponta Veloe/Fipe
Alta no tráfego rodovias paulistas reflete avanço de veículos leves e pesados, aponta Veloe/Fipe
Gestão climática ganha relevância no setor logístico diante de eventos extremos: destaque do primeiro ABOL Day do ano
Gestão climática ganha relevância no setor logístico diante de eventos extremos: destaque do primeiro ABOL Day do ano
Frete mínimo da ANTT: o que muda para embarcadores e transportadoras no TRC, segundo a Mundo Seguro
Frete mínimo da ANTT: o que muda para embarcadores e transportadoras no TRC, segundo a Mundo Seguro
A combinação de juros elevados e restrição ao crédito tem levado o setor de transporte rodoviário a buscar novas estratégias de geração de receita. Diante da queda nas vendas de caminhões, empresas da cadeia logística passaram a acelerar a adoção de modelos baseados em serviços e receita recorrente no transporte, com foco em maior previsibilidade financeira. De acordo com dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), as vendas de caminhões recuaram 34,6% em janeiro deste ano em relação a dezembro de 2025. Além disso, na comparação com janeiro do ano anterior, a retração foi de 30,14%. Esse cenário reforça a necessidade de diversificação das fontes de receita em um ambiente mais volátil. Nesse contexto, a mudança de modelo reflete uma tentativa de reduzir a dependência de vendas pontuais de ativos. Ao mesmo tempo, empresas passam a incorporar soluções tecnológicas embarcadas nas frotas não apenas para ganho operacional, mas também como nova fonte de faturamento para concessionárias, revendedores e companhias de software. Receita recorrente no transporte avança com uso de tecnologia logística Segundo Rony Neri, diretor-executivo LATAM da Platform Science, multinacional americana especializada em soluções de segurança e tecnologia para o setor de transporte, a lógica do mercado está em transformação. “A lógica do setor está mudando. Antes, a receita estava concentrada na venda do ativo. Agora, com o uso de tecnologia, é possível construir uma base recorrente de faturamento, mais previsível e menos exposta às oscilações do mercado”, afirma. A empresa atua no desenvolvimento de plataformas tecnológicas para gestão de frotas e segurança operacional, permitindo a integração de dados e serviços no ambiente logístico. Dessa forma, soluções como telemetria, videomonitoramento e plataformas digitais passam a viabilizar modelos de assinatura, ampliando o ticket médio e a retenção de clientes. “A tecnologia passa a funcionar como uma camada de inteligência que fortalece o negócio principal e cria novas oportunidades de receita ao longo do tempo”, reforça Neri. Além disso, o movimento também alcança o agronegócio, onde a digitalização da logística tem impacto direto nos custos operacionais. Com o uso de dados e monitoramento em tempo real, produtores e operadores conseguem reduzir desperdícios, evitar falhas mecânicas e aumentar a eficiência no transporte da safra. “Esses ganhos operacionais têm impacto direto na rentabilidade, especialmente em um cenário em que o custo logístico é um dos principais fatores de pressão para o produtor rural”, detalha o executivo. Para empresas de software, a incorporação de dados operacionais das frotas abre espaço para expansão de portfólio sem necessidade de novos investimentos em hardware. Assim, aumenta-se o valor agregado das plataformas e amplia-se a oferta de serviços. Por fim, o modelo de receita recorrente no transporte tende a apresentar maior estabilidade em comparação à comercialização de produtos físicos. A venda de serviços contínuos, baseada em assinaturas, contribui para reduzir a sazonalidade típica do setor e cria uma base mais previsível de faturamento ao longo do tempo. “A recorrência permite que empresas atravessem períodos de baixa venda de ativos sem perda significativa de receita. É uma mudança estrutural na forma como o setor captura valor”, finaliza Neri.
Queda nas vendas de caminhões impulsiona receita recorrente no transporte, sinaliza Platform Science

As mais lidas

01

Transporte de cargas perigosas: falhas operacionais aumentam riscos e exigem mais segurança, adverte consultor
Transporte de cargas perigosas: falhas operacionais aumentam riscos e exigem mais segurança, adverte consultor

02

Shopee inaugura centro de distribuição fulfillment em Minas Gerais e reduz prazos de entrega
Shopee inaugura centro de distribuição fulfillment em Minas Gerais e reduz prazos de entrega

03

Intermodal 2026 chega à 30ª edição como hub estratégico da logística global e vitrine de inovação, negócios e integração multimodal
Intermodal 2026 chega à 30ª edição como hub estratégico da logística global e vitrine de inovação, negócios e integração multimodal