Atvos investe em canaviais para aumentar produção

14/08/2018

A Atvos, braço sucroenergético do grupo Odebrecht, investirá R$ 600 milhões na safra de cana-de-açúcar 2018/19. Alexandre Perazzo, vice-presidente de Finanças e Relações com Investidores da companhia, diz que o aporte será feito em renovação e expansão de canaviais, equipamentos agrícolas e aprimoramentos industriais. Dos 50 mil hectares que a empresa cultivará neste ciclo, 12,8 mil serão de cana nova, a maior expansão registrada pela Atvos desde 2015. A ideia é operar todas as nove unidades agroindustriais com capacidade máxima de moagem. As usinas nos Estados de São Paulo, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás têm capacidade instalada para processar 36,8 milhões de toneladas de cana ano, mas a moagem em 2017/18 foi de 25,8 milhões de toneladas.

Engajada. Com o Grupo Odebrecht envolvido na Operação Lava Jato, a Atvos assinou a carta compromisso do Movimento Empresarial pela Integridade, Transparência e Combate à Corrupção. Foi a primeira empresa do setor de bioenergia a fazer isso. Lançada pelo Instituto Ethos, a iniciativa reúne 37 empresas que querem construir a agenda para uma cultura de integridade nas companhias, instituições públicas e sociedade. “A Atvos sabe da sua responsabilidade para engajar toda a cadeia produtiva da cana-de-açúcar nessa agenda de integridade empresarial”, diz Luiz de Mendonça, presidente da companhia.

Sondagem. A Cargill conversa com interessados em comprar a Cevasa, unidade produtora de açúcar e etanol da companhia no município de Patrocínio Paulista, interior de São Paulo. As negociações são preliminares, os valores não foram postos à mesa, mas reuniões com outras usinas já ocorreram. A Cargill informa que “não comenta rumores de mercado”.

De mudança. A Kemin do Brasil, de produtos para nutrição e saúde animal, investirá R$ 90 milhões na construção de mais um centro de operações no País. A companhia tem planta industrial, laboratórios e o setor administrativo em dois prédios em Indaiatuba (SP) e está em fase de definição de uma nova área na região metropolitana de Campinas (SP), onde se instalará no futuro. Em três anos, desde 2015, a Kemin dobrou de tamanho no País, meta antes prevista para ser atingida em cinco anos.

Só prioridades. Entidades do agronegócio acreditam que haja espaço para a votação no Congresso de apenas dois projetos de lei até o fim de 2018. O primeiro é o que altera a regulamentação sobre o uso de agrotóxicos e, o segundo, que trata do licenciamento ambiental. Com as eleições e o cenário político conturbado, é consenso que não há espaço para emplacar um número maior de propostas.

De olho na carne. Pedro Freitas, sócio de mercado de capitais da XP Investimentos, vê potencial no setor de proteína animal para novas emissões de Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA). A XP estruturou a oferta da Minerva, que, entre as três grandes empresas que atuam em carne bovina, é a única com esse tipo de dívida. “Queremos fazer CRA também para outros players menores do setor”, diz à coluna. Segundo Freitas, empresas com boa estrutura de governança corporativa e balanço auditado são candidatas desse mercado.

Novos alvos. A nova regulamentação da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) sobre CRA, publicada no início do mês, deve ampliar o interesse de investidores por financiar o agronegócio. Freitas explica que agora os CRAs de companhias de capital aberto podem ser adquiridos pelo público em geral. Antes, o produto estava restrito a investidores qualificados, que aplicam mais de R$ 1 milhão, ou profissionais. “Isso abre a porta para vários investidores”, diz.

Sobra nada. A M. Dias Branco reduziu, no 1.º semestre, 15% dos resíduos da produção de biscoito e macarrão na unidade de Jaboatão dos Guararapes (PE) transformando as sobras em farelos para ração animal. O diretor industrial, Maurício Araújo, diz que o projeto tende a ser replicado em outras unidades. A ideia é até o fim do ano diminuir em 30% a geração de resíduos.

Tem mais. Araújo não revela o faturamento obtido com a venda do farelo para ração, mas conta que o valor de venda do subproduto hoje é 650% superior. Antes, os resíduos da fábrica eram vendidos na região sem nenhuma preparação específica.

Pressão. Parte dos moinhos paulistas tem evitado mexer nos preços da farinha, mas a tendência é de que haja alta ainda este ano para acompanhar a valorização do trigo em grão. O presidente da Câmara Setorial de Trigo de São Paulo, Maurício Ghiraldelli, diz que o cereal da Argentina, onde a indústria complementa o abastecimento, deve ter reajuste de US$ 10 por tonelada. “Haverá quebra na produção global e, mesmo durante a safra do Brasil, os valores da matéria-prima estarão em um patamar elevado”, diz, sem estimar um porcentual de reajuste.

Fonte: O Estado de S. Paulo

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