Vento amarelo no comércio internacional (7)

30/09/2008

Começamos na coluna anterior a analisar as possibilidades de Brasil e China criarem, em seus territórios, uma grande plataforma de apoio aos negócios, para funcionar não apenas no comércio bilateral, mas também – e talvez principalmente – na ligação com todos os demais países de cada hemisfério. Ou seja: os chineses teriam no Brasil um grande apoio para fecharem negócios, por exemplo, com a Argentina. E o Brasil teria em território chinês uma estrutura equivalente, para que suas empresas realizem negócios com todos os países orientais.

A vantagem para o país hospedeiro de cada uma dessas plataformas, começamos então a delinear. Ora, se o Brasil oferece toda a estrutura para que uma empresa chinesa feche negócios com a Argentina, evidente e natural que essa plataforma, bancada pelo governo brasileiro, use consultores brasileiros com ampla experiência na América Latina; use armazéns, transportes terrestres, empresas de logística, armadores de cabotagem, com instalações no Brasil, gerando impostos e empregos no Brasil. E gerando lucros para empresas da região, o que beneficia o mercado local como um todo. O mesmo vale para os chineses. Que serão os interlocutores naturais dos negócios brasileiros na Ásia gerados por essa plataforma de apoio comercial.
 
Imaginemos uma venda de brinquedos chineses à Argentina. A empresa chinesa pode usar estrutura própria, enviar seus vendedores ao vizinho país, estabelecer bases para garantir o pós-venda, ter filiais de empresas chinesas para prestarem todos os serviços necessários à concretização desse negócio (transportes, bancos, seguros, logística de distribuição), e tudo isso com gente própria conhecedora das duas culturas, chinesa e argentina, pronta para agir rápido a cada momento em que a conjuntura se altera, e preparada para detectar tendências de mercado que orientem os fabricantes nas decisões quanto aos produtos que fabricarão.

Usando porém a proposta plataforma de apoio aos negócios que seria criada no Brasil, a mesma empresa já teria uma estrutura confiável montada, com todos os percalços iniciais causados pela diferença cultural já resolvidos, uma ampla experiência que ajuda a evitar problemas no fechamento de novos negócios. E tudo isso já montado, integrado, com apoio oficial e em pleno funcionamento: não é necessário começar do zero, bater de porta em porta em cada instância de governo. Vantagem imediata: custo menor. A longo prazo: maior confiabilidade para o importador argentino, pelo melhor diálogo e pela experiência acumulada em outros negócios.

Na prática, significa que muitos negócios, antes bilaterais, passam a ser trilaterais. Em vez de China-Argentina, teríamos China-Brasil-Argentina. Com vantagens para todos os parceiros. Até porque Argentina e Brasil integram o mesmo bloco econômico, o Mercosul, entre outras parcerias existentes no mundo latino. Não esquecendo que hoje muitos negócios chineses já são trilaterais. China-EUA-Argentina, por exemplo. Ou China-EUA-Brasil, também.

Ah, sim: não esquecendo ainda que um empresário argentino poderia usar simultaneamente as plataformas de negócios brasileira e chinesa para colocar no mercado oriental os seus produtos, ou prospectar negócios. O que significa usar os serviços de empresas brasileiras e chinesas para armazenagem, logística, transporte, telecomunicações, financiamentos…

 

Carlos Pimentel Mendes
é jornalista e edita o site Novo Milênio: pimentel@pimentel.jor.br

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