Valor Agregado nas Operações Industriais

11/09/2008

Segundo o professor Michael Porter, responsável pela disciplina de estratégia competitiva da Universidade de Harvard e autor do livro “Vantagem Competitiva – Criando e Sustentando um Desempenho Superior, Elsevier, 1989”, as operações de negócios devem possuir um alicerce gerencial através do modelo da cadeia de valor.

Por este modelo, tanto as organizações públicas, quanto as privadas devem acompanhar as suas tarefas por indicadores de desempenho, desde os níveis operacionais, passando pelos gerenciais e diretivos. Observa-se que existem modelos complementares a tradicional cadeia de valor de Porter, como o BSC (Balanced Scorecard, ou análise dos indicadores de desempenho, envolvendo os processos internos) ou a metodologia de processos pelos ciclos de qualidade total.

Porém, para a cadeia de valor de Porter, existem as atividades de apoio e básicas para as organizações empresariais. Mas como estas atividades são compreendidas e gerenciadas?

As atividades de apoio consistem no entendimento integrado e colaborativo das funções de compras, tecnologia da informação, recursos humanos e infra-estrutura. Toda e qualquer organização tem estas atividades em suas operações. O entendimento sobre as atividades básicas perpassa sobre as funções como a logística interna, externa, operações, marketing e vendas, sempre com o foco nos consumidores finais.

Porém, o termo “valor agregado” é utilizado no mercado como sendo uma simples função de adicionar valor ao produto primário, gerando resultados satisfatórios para as cadeias produtivas. Seria esta análise verdadeira e simples conforme exposto neste ensaio?

A conjuntura econômica atual é dinâmica e complexa, com um ciclo de negócios e político instável. Torna-se necessário avaliar a dinâmica destes fatores, para determinar o que de fato seria a cadeia de valor, além das funções internas das organizações.

Um bom exemplo seria entender a atual conjuntura do setor de petróleo no Brasil. Além das análises equivocadas sobre a camada pré-sal e a criação de uma nova estatal para o setor, tendo como um exemplo não adequado a Noruega, justifica-se a necessidade em explorar o petróleo bruto e refiná-lo, agregando valor para uma maior realização de lucros para o segmento.

Porém, um dos fatores centrais para a Petrobras, por exemplo, são as cotações do dólar e do petróleo no mercado internacional. Além disso, o refino de petróleo é intensivo em capital, o que já não seria uma boa tese sobre uma simples análise da cadeia de valor. Uma análise econômica financeira, integrada à cadeia de valor, aos fatores econômicos e políticos seria algo bem vindo. Avaliar a cadeia de valor envolve também a relação custo benefício final da cadeia produtiva e de serviços.

As organizações empresariais não possuem metodologias de futurologia, mas devem pautar as suas atividades por modelos de gestão bem fundamentados e preferencialmente com a adoção de modelos quantitativos que justifiquem a realização de investimentos, no valor agregado e de forma colaborativa para as cadeias produtivas e com benefícios para a sociedade como um todo.


Hugo Ferreira Braga Tadeu
é Professor e Coordenador do Grupo de Estudos em Operações da Escola de Governo Professor Paulo Neves de Carvalho da Fundação João Pinheiro: hugofbraga@gmail.com

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