Por que o Brasil não cresce de acordo com sua necessidade e potencialidade? Por que, a despeito de ser uma das nações do Bric , isto é, prioritária para investimentos no mercado financeiro internacional, não cresce além das médias mundiais e apenas supera o Haiti nesse ranking? Por que, a despeito de praticar as mais elevadas taxas de juros, quer a taxa básica das operações interbancárias (a Selic ), quer as taxas de empréstimos a empresas e indivíduos, ronda sobre a nossa economia a ameaça inflacionária e, simultaneamente, o monstro mitológico da estagnação – o pior dos cenários econômicos possíveis: o da inflação com estagnação, daí para a crise e suas decorrências, a quebra das instituições financeiras, das empresas, do emprego e do mercado consumidor em geral?
Embora a teoria e a prática econômica das autoridades monetárias continuem pautadas pelos vetores da teoria keynesiana, segundo a qual o crescimento depende de investimentos, ao praticarmos as mais elevadas taxas mundiais de juros só conseguimos deter o desenvolvimento, mas não deter o mercado de consumo. Com o que continua a crescer elevado o endividamento e suas seqüelas: inadimplência e quebra dos financiadores.
Na atualidade, já há claros indícios de que a euforia consumista compromete a receita das famílias, aproximando-as da inadimplência e suas repercussões para as organizações financeiras. A receita keynesiana não funciona no Brasil, como não funcionou nos Estados Unidos. A bolha do endividamento continua a aumentar, inflada pelas facilidades de pagamento em suaves prestações mensais sem juros – que embutem clandestinamente os extorsivos juros praticados. Se a isso adicionarmos as dificuldades apostas pela burocracia ao aumento da produção para acompanhar o aumento da demanda, chegamos a uma compreensão mais clara da síndrome do encurralamento que paralisa o desenvolvimento do PIB nacional.
Mas há outras razões, além das puramente econômicas. O Brasil tem uma forma peculiar de estatização. Uma estatização branca, camuflada, que consiste no fato de inexistir nem um ramo de atividade ao qual não esteja apenso um (em geral vários) penduricalho político, oficial ou oficioso, que nos acompanham do nascimento à morte. Penduricalhos que nada fazem a não ser nos impedir de fazer e cobrar para nos permitir fazer. É uma nomenklatura camuflada, que faz com que sejamos um dos países mais estatizados do mundo. Uma espécie de burocracia universal que escapa às estatísticas e que, somada à imposição dos impostos dificulta, onera ou mesmo impede a ação privada em geral.
Na realidade, o Brasil cresce a taxas muito superiores às que são calculadas pelas estatísticas oficiais, porque cresce no espaço livre, não oficial, do PF, para escapar as dificuldades e custos da burocracia e da carga fiscal. Essa clandestinidade hipocritamente desconhecida pelos meios oficiais já foi inúmeras vezes proclamada e explicada pelos que as praticam. E a razão palmar e óbvia é que se fossem se submeter às exigências e custos oficiais simplesmente não poderiam sobreviver economicamente. Uma das decorrências inevitáveis dessa prática é que não podem crescer além de certo ponto, sem se tornarem visíveis e alcançados pelo burocrata e pelo Fisco. Essa situação já é do conhecimento de toda pessoa medianamente informada.
Acrescente-se a isso o fato de que o gigantesco volume de recursos que o Estado brasileiro ordenha da atividade privada e cai, na realidade, sob o comando dos políticos, é malbaratado por incompetência ou mera e simplesmente roubado pelos chamados homens públicos . Corrupção é o eufemismo usado para isso, "como nunca antes" se viu neste país. Tudo tem origem no mensalão , que ao mesmo tempo que derrubou a cúpula do partideco que era o PT, atou pelo rabo a maioria dos "nossos representantes", comparsas passivos dessa corrupção ativa.
Exemplo candente: nem bem a comunidade científica começa a se mobilizar para pesquisas sobre células-tronco, que são ponta-de-linha tecnológica para recuperar a saúde de milhões de pessoas, o câncer burocrático toma a dianteira, para empregar cupinchas políticos municiados com seu arsenal de licenças, concessões, regulamentos, acompanhamento, fiscalização, aprovações, sanções.
Um atentado a céu aberto contra a Ciência e a Saúde. Uma censura prévia contra a pesquisa científica. Isto se dá simultaneamente quando a Agit-Prop desse Congresso ordinário ( ordinaríssimo ), em nome da Saúde, cogita de mais um imposto, a Contribuição Social para a Saúde , cuja sigla, CSS, diz uma amiga minha, disfarça uma nova Contribuição Social para a Safadeza . E vai tudo avante, como nunca antes, neste quartel de Abrantes.
Fonte: www.dcomercio.com.br







