Paridade de gênero na logística exige liderança baseada em competências

Por Caroline Fernandes*

A paridade de gênero deixou de ser um ideal abstrato e passou a representar um indicador concreto de competitividade e maturidade empresarial. Em setores estratégicos como a logística, a distância entre discurso e prática ainda é evidente. Conforme relatório da International Labour Organization, globalmente, as mulheres representam cerca de 12% dos trabalhadores em transporte e supply chain. 

A logística é um setor repleto de desafios e, por isso mesmo, sabe como lidar com o inesperado, com crises e fluxos complexos. Como protagonistas do motor econômico, as mulheres sabem inovar e antecipar para transformar as necessidades de amanhã em soluções para hoje. E, ainda assim, existe um tema essencial no qual esse mercado permanece atrasado: a paridade de gênero nos cargos de liderança.

Ainda hoje, seja no ambiente operacional ou no escritório, as mulheres continuam sendo minoria. Como falar em inovação, resiliência ou atratividade quando metade dos talentos permanece excluída das posições de liderança? A logística não pode mais operar assim.

Paridade de gênero na logística exige liderança baseada em competências

Alguns dirão que as coisas estão mudando. Mas a mudança é lenta e tímida. Iniciativas existem, assim como discursos. No entanto, os números são claros: poucas mulheres gerenciam centros logísticos, ocupam cadeiras nos comitês executivos ou têm influência nos conselhos estratégicos. Enquanto essa realidade persistir, privamos de riqueza coletiva e desempenho sustentável.

Mas por que tamanho atraso em um setor reconhecido por sua natureza pragmática e orientada a resultados? Porque vieses conscientes ou não continuam pesando sobre recrutamento e promoções. Muitos ainda usam a desculpa de que o setor é técnico demais ou um ambiente masculino. Essas representações ultrapassadas não refletem as competências das mulheres nem a realidade de um segmento em profunda transformação. Diversidade não é símbolo. É alavanca estratégica.

Para que a mudança seja concreta, é necessário estabelecer metas objetivas e mensuráveis. Empresas do setor têm definido compromissos de alcançar 50% de mulheres em posições de gestão até 2030, com processos de recursos humanos revisados para garantir critérios de avaliação baseados exclusivamente em competências. Iniciativas estruturadas de mentoria feminina e ações de sensibilização cultural também estão em curso, reforçando a mensagem de que igualdade de oportunidades é condição essencial para desempenho e sustentabilidade, não apenas um propósito simbólico.

A logística sempre esteve ancorada na realidade e orientada à performance. É hora de assumir também esse papel na batalha pela equidade de gênero, de fazer da igualdade de oportunidades uma condição de competitividade, e não uma opção. Essa transformação exige um esforço coletivo. Empresas, clientes, parceiros sociais e autoridades públicas devem continuar a trabalhar juntos para harmonizar práticas e monitorar resultados.

*Caroline Fernandes é gerente de Recursos Humanos da FM Logistic do Brasil. É pós-graduanda em Gestão Estratégica de RH pela FIA. Tem 15 anos de experiência em empresas de logística, com atuação voltada para desenvolvimento organizacional e gestão de talentos.

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